quarta-feira, 6 de março de 2013

O Verbo é a voz para Deus

 
Ninguém diz Cristo sem ser atendido. Todas as almas na noite invocaram Deus como amor e salvador, ou seja, enquanto Verbo Redentor. Não existe voz para Deus senão no Verbo.
Paul Claudel a Louis Massignon

Ilustração: Estátua de Francisco de Sá de Menezes no pedestal da estátua de Camões em Lisboa.

terça-feira, 5 de março de 2013

O presente precioso e amargo

 
Leio precisamente numa vida de S. Grignon de Montfort que a prova de amor de Jesus Cristo são as cruzes que ele nos envia. “Muitos homens procuram os meus favores, mas há bem poucos que amem a minha cruz”. É um presente precioso mas bastante amargo para a nossa pobre natureza!
Paul Claudel a Louis Massignon
 
Ilustração: Cruz da igreja da Encarnação ao Chiado.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Mobilização para o serviço de Deus

 
Você reserva para Deus toda a amizade, mas tudo o que tem de inteligência, de conhecimentos, de vistas de todos os tipos e sobre tudo, tudo isso não foi ainda tocado pela ordem da mobilização e resta portanto laico.
Paul Claudel a Louis Massignon

Ilustração: Baloiço no jardim junto à igreja paroquial de Vernier, Genebra.

domingo, 3 de março de 2013

Homilia do III Domingo da Quaresma


Como todos sabemos, no tempo de Jesus não havia jornais, nem televisão, nem internet, meios que hoje nos fazem aceder imediatamente à informação. Contudo, e apesar dessas faltas, a informação circulava e é por isso que vemos Jesus confrontado com a notícia da morte de um grupo de Galileus, morte ordenada por Pilatos aquando da celebração de um sacrifício.
É uma notícia que poderíamos considerar banal face ao conhecimento histórico que temos da acção repressiva de Pôncio Pilatos enquanto governador daquela região do império romano; mas deixa de o ser, e adquire relevância, na medida em que essa notícia, e a sua leitura de modo particular, interfere com Jesus e com a sua vida.
De certa forma, estamos já diante de uma possível leitura da morte de Jesus, pois também ele é Galileu e também ele será morto por intermédio da acção e do poder de Pilatos. A pergunta que subjaz à notícia da morte dos galileus pode aplicar-se a Jesus, ou seja, que pecados teriam cometido para sofrerem tal morte e portanto tal castigo da parte de Deus? Os galileus e Jesus!
Numa leitura estratégica poderíamos dizer que Jesus se antecipa à questão face à sua morte ignominiosa, e clarifica a morte dos galileus para que a sua morte não seja interpretada da mesma maneira. Jesus sente-se na urgência de alterar os princípios de leitura dos acontecimentos e para tal é necessário converter a imagem de Deus, de abolir as falsas imagens de Deus.
Esta necessidade é ainda mais urgente na medida em que o massacre ordenado por Pilatos ocorre durante a celebração de um sacrifício, ou seja, durante um acto que à partida é uma tentativa de restabelecimento da relação com Deus. A morte nesse contexto denuncia uma recusa total da parte de Deus, um bloqueio ao reatamento das relações com o divino, uma insensibilidade de Deus face às fraquezas do homem.
É para alterar esta imagem que Jesus conta àqueles que lhe trouxeram a notícia, e estavam infectados de uma imagem errada de Deus, a parábola da figueira estéril durante três anos.
Nesta parábola Jesus joga com a falsa imagem de Deus, assumida pelo proprietário que ordena o corte da árvore, e a verdadeira imagem veiculada pelo vinhateiro que apesar da esterilidade da figueira oferece ainda uma nova oportunidade.
É uma parábola perfeitamente perceptível para os seus ouvintes, uma vez que para a tradição a figueira, como a vinha e a romãzeira significavam a felicidade da terra prometida. A vinha simbolizava a alegria, a figueira simbolizava a doçura e a romãzeira a fertilidade.
A atitude do vinhateiro, com a proposta de uma última oportunidade, é uma atitude que se insere na longa tradição profética e na história da salvação, nas quais se encontra essa benevolência de Deus para com o povo, a intercessão para uma nova oportunidade, para uma não ruptura das relações de aliança.
Jesus vai assim ao encontro das palavras do Salmo 144, no qual é dito que Deus é lento para a ira e cheio de amor para com os seus fiéis, e da experiência de Moisés diante da sarça-ardente, quando Deus se lhe revela e revela a preocupação pelo seu povo escravo no deserto, como pudemos escutar na leitura do Livro do Êxodo.
Neste terceiro domingo da Quaresma, e face a esta leitura do Evangelho de São Lucas, somos assim, também nós, convidados a alterar a nossa imagem de Deus, as imagens de Deus tantas vezes distorcidas pelos acontecimentos trágicos e dolorosos da nossa vida e da nossa condição finita.
Quantas vezes, face a determinados acontecimentos, como uma morte prematura, um acidente, uma doença prolongada, um acto de injustiça contra nós, não nos deixamos vencer por essa ideia e imagem de um Deus que não se interessa por nós, de um Deus que no seu sadismo se satisfaz com o nosso sofrimento e a nossa angústia?
Quantas vezes, face ao recalcitrar do nosso pecado, das nossas situações de infidelidade e fraqueza, não cruzamos os braços desesperando da misericórdia de Deus, de uma nova oportunidade para fazer diferente?
A parábola da figueira e a vida de Jesus, com o que comporta de sofrimento e injustiça, bem como a história da Aliança de Deus com o povo eleito, mostram-nos que o nosso Deus é um Deus sensível, é um Deus que se preocupa e nos acompanha nas nossas dificuldades, um Deus que não espera apenas o regresso dos seus filhos perdidos pelo mundo, mas amorosamente vai ao seu encontro para os trazer aos ombros.
A nós, a cada um de nós, compete essa atenção e essa responsabilidade face ao momento que é hoje, que acontece aqui, à nova oportunidade que Deus nos oferece neste momento histórico e nesta circunstância.
Tal como Moisés, face à revelação da preocupação de Deus pelo seu povo, não podemos deixar de nos oferecer para ir ao encontro dos nossos irmãos, para a luta pela libertação de toda a escravidão, nomeadamente a escravidão dos falsos deuses, desses deuses que não são capazes de morrer.
 
Ilustração: Plátano coberto de neve na cidade de Gossau, Suíça.

O amor forte como a morte

 
Nesta festa triunfante do puro amor, forte como a morte, desejo-nos, indigno, aos dois, de morrer para o mundo e de renascer deste modo para Deus, para sempre.
Louis Massignon a Paul Claudel
 
Ilustração: Vénus e Adonis de António Canova no Museu de Arte e História de Genebra.

sábado, 2 de março de 2013

Amar apesar de tudo

 
Nenhuma dor me tinha ainda tão divinamente flagelado, e compreendo somente agora o terrível diálogo do cego coração humano com Deus, que ele deseja amar apesar de tudo, para além de tudo, mesmo através do jardim dos suplícios no qual nos apareceu o Seu sorriso.
Louis Massignon a Paul Claudel
 
Ilustração: Passeio no meio da neve no Jardim des Eaux Vives em Genebra.

sexta-feira, 1 de março de 2013

É necessário abraçar a cruz

 
É necessário abraçar a Cruz, sem abrir demasiado os olhos, até ao fim, como uma criança sábia.
Louis Massignon a Paul Claudel
Ilustração: Relevo na parede da capela do palácio de Versailles.