segunda-feira, 6 de maio de 2013

A unidade na diferença

 
É maravilhoso ver espíritos naturalmente tão diferentes, de nacionalidades tão diversas, compreender estas coisas e apreciá-las unanimemente. É que para estas almas, que vivem da liturgia, a Escritura está lá, muito evidente, conjugando na sua poesia a sua força sobrenatural e a sua luz misteriosa.
Carta da irmã Maria Inês do Sarmento a Paul Claudel

Ilustração: Muro dos Reformadores no jardim Promenad des Bastions em Genebra.

domingo, 5 de maio de 2013

Homilia do VI Domingo do Tempo Pascal

A primeira leitura que escutámos apresenta-nos um conflito na comunidade cristã de Antioquia, um conflito que obriga Paulo e Barnabé a subirem a Jerusalém para encontrarem uma solução junto dos Apóstolos e dos Anciãos.
Este não é contudo o único conflito, a única situação problemática, que o Livro dos Actos dos Apóstolos nos transmite, pois encontramos outros, o que significa que o autor do livro não teve qualquer vergonha, qualquer complexo ou medo, em relatar as situações de dificuldade e conflito que a comunidade cristã nascente teve que enfrentar.
Esta verdade da realidade é para nós um desafio, pois também hoje nas nossas comunidades nos confrontamos com dificuldades, com problemas e com conflitos, e portanto temos que encontrar-lhes uma solução como fizeram Paulo e Barnabé e o grupo dos Apóstolos e Anciãos em Jerusalém.
Neste sentido, é interessante observar que a solução encontrada por aquele grupo de dirigentes da Igreja não foi uma solução impositiva, uma posição de força, mas pelo contrário uma solução de respeito, de conciliação, entre aquilo que era a vida da comunidade e as suas realidades e os valores fundamentais da mensagem de Jesus.
Observamos assim que as instruções enviadas desde Jerusalém vão no sentido de um combate da idolatria, expresso nessa proibição da alimentação da carne e do sangue sacrificado aos deuses e das relações imorais, sem que seja expresso o que significam essas relações imorais.
O grupo dirigente de Jerusalém acolhe assim o modo de vida da comunidade cristã proveniente do paganismo, os seus valores e as suas virtudes, excluindo apenas a idolatria que colocava em causa a fé em Jesus Cristo e as relações imorais que colocavam em causa o testemunho, a verdade da vida face à fé.
Se tal acontece, se esta solução pacífica é possível, é porque a comunidade dos Apóstolos e dos Anciãos, com Paulo e Barnabé, percebe que o verdadeiramente central na fé não está em causa, ou seja a comunidade cristã de Antioquia guardava a palavra de Jesus, essa palavra de que nos fala o Evangelho de São João que escutámos.
Este era o verdadeiro desafio para comunidade de Antioquia, como é ainda hoje para qualquer comunidade que se afirma cristã. Como guardar a palavra de Jesus de modo a que aconteça a habitação de Deus entre os homens?
A resposta encontra-se no mistério da encarnação, nesse assumir por Deus da nossa natureza humana com tudo o que ela tem de limitado e frágil. É na verdade da nossa realidade, humildemente assumida, que Deus pode acontecer, que Deus se pode tornar amado e palavra viva.
O fugir, o esconder, o negar as nossas limitações e a nossa condição finita é inviabilizar a possibilidade de Deus acontecer, de Deus se manifestar entre nós, em nós e connosco. O medo e a perturbação face aos desaires, aos problemas, aos conflitos, são barreiras ao permanecer de Deus connosco, são barreiras à sua luz.  
Neste sentido, face aos problemas e aos conflitos que nos podem sobrevir, não podemos deixar de ter presente o apelo e convite de Jesus a não nos deixarmos perturbar, a manter paz de coração, essa paz que ele mesmo nos oferece e se separa da paz que o mundo oferece.
Procuremos pois guardar a palavra de Jesus, porque só dessa forma saberemos e manifestaremos o nosso amor por ele. Procuremos guardar a sua palavra conscientes que ela se fez vida na nossa carne, na nossa condição humana e portanto só aí se pode verdadeiramente realizar. Procuremos conservar a paz, a tranquilidade, a liberdade de espirito, porque só dessa forma encontraremos as respostas verdadeiras e justas para os desafios e problemas que se nos colocam em cada dia.
Procuremos o Espirito Santo porque, tal como Jesus nos promete, só ele nos recordará e ensinará o que Jesus hoje seria e nos diria face às realidades do mundo.
 
Ilustração: Recanto de paz no claustro do Mosteiro Dominicano de Santa Cruz, em Vitória, Espanha.

Ser frágil instrumento

 
É o que Deus quer que eu seja, e sinto-me bastante confusa deste papel tão belo que Ele me confia. É verdade que não serei mais que o frágil instrumento e que será Ele que agirá.
Carta da irmã Maria Inês do Sarmento a Paul Claudel

Ilustração: Ramo coberto de neve, em Vernier, Genebra.

sábado, 4 de maio de 2013

As almas como livros

 
As almas são para si, depois da Sagrada Escritura, o grande Livro sagrado onde consegue ler com um coração livre e despojado das convenções que cegam o homem moderno.
Carta da irmã Maria Inês do Sarmento a Paul Claudel

Ilustração: Monumento a Ferdinand Hodler no jardim Promenad du Pin em Genebra.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Subir o caminho perfumado de Cristo

 
Subir com alegria e com ardor o caminho rude e estreito mas todo perfumado de Cristo no qual me fez o sinal de seguir. Eu quero isso, tanto como o devo ao Pai cheio de solicitude que vigia sobre a minha alma com tanta bondade e paciência. Eu devo não decepcionar, nem a si, nem a ele. Com tais guias luminosos no caminho é simples avançar por ele.
Carta da irmã Maria Inês do Sarmento a Paul Claudel

Ilustração: Jardim Promenad du Pin em Genebra.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

O Espirito que cura

 
O Santo Espírito como Consolador veio curar o que estava ferido, e colocar em tantos sofrimentos os seus sete dons de luz e de amor.
Carta da irmã Maria Inês do Sarmento a Paul Claudel

Ilustração: Flores da fonte da Rue Calvin em Genebra.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Não deixar Deus tranquilo

 
O mundo deve reaprender o silêncio, o recolhimento, a audácia na oração… “não deixar Deus tranquilo”.
Carta da irmã Maria Inês do Sarmento a Paul Claudel

Ilustração: Pináculo da cúpula da Catedral de São Pedro de Genebra.