domingo, 2 de junho de 2013

O gosto da oração

 
A oração ajuda-nos a permanecer na presença de Jesus, a deixar tomar todo o seu lugar em nós. Gosto de rezar em silêncio, de manhã cedo, na minha cama. Sinto-me unido a todos aqueles que fizeram já a sua passagem para o céu e que me esperam lá.
Jean Vanier

Ilustração: Campo de papoilas entre oliveiras na Serra de Aire.

sábado, 1 de junho de 2013

As palavras que fecundam e embelezam

 
A fecundidade e a beleza de uma vida ultrapassam tudo o que podemos imaginar. Deus não nos engana. Ele tem palavras de vida.
Cardeal Jean-Marie Lustiger

Ilustração: Reflexo do sol no mural da Basílica da Santíssima Trindade em Fátima.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Mais um Soneto de Fernanda de Castro

Deixamos aqui o segundo Soneto de Fernanda de Castro encontrado no baú dos velhos papéis e que certamente serviu a algum frade dominicano para um momento de oração, meditação ou actividade lúdica.

Mas, se não te contenta a forma pura,
Se aspiras à parcela de infinito,
Que torna a passageira criatura
Eterna como um bloco de granito,

 
Expia a tua dor como um delito,
Saboreia a volúpia da amargura,
Sofre, transpira sobre a terra dura,
Não soltes uma queixa nem um grito,

 
Procura ser humilde e sobre-humano,
Rasga o teu peito como o pelicano
E não desejes nunca a paz e a calma,

 
Pois só então, regada a fel e a pranto,
Há-de florir, frutificar teu canto,
Presa a raiz à tua própria alma.

 
Ilustração: Árvore com neve no jardim Eaux Vives em Genebra.


Vigilante para contemplar

 
Está lá, completamente vigilante, com atenção, com plena receptividade e aceitação, porque sabe que todas as coisas, por mais pequenas que sejam, trarão qualquer revelação de Deus. Um olhar simples que é necessário para ver e para que a nossa alma chegue a contemplá-lo através de todos os poros.
Carta da irmã Maria Inês do Sarmento a Paul Claudel

Ilustração: Anjo Gabriel de alabastro em uma das capelas laterais da Catedral de Burgos.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Soneto de Fernanda de Castro

Mais um poema encontrado nos baús velhos. Este está identificado como sendo da poetisa Fernanda de Castro.
 
Canta. Busca na vida o que é perfeito.
Olha o Sol e não queiras outro guia.
Sonha com a noite e absorve, aspira o dia,
Como uma flor que te florisse no peito.
 
Da terra maternal faz o teu leito.
Respira a terra e bebe o luar. Confia.
Faz de cada pena uma alegria
E um bem de cada mal insatisfeito.
 
Colhe todas as flores do jardim,
Todos os frutos do pomar e, enfim,
Colhe todos os sonhos do Universo.
 
Procurar eternizar cada momento.
Fecha os olhos a todo o sofrimento
- E terás feito a carne do teu verso.
 
Ilustração: Jardins do Convento de Cristo em tomar ao final do dia.

Docilidades dum Sim

 
A vida espiritual, no fundo, é feita de uma sucessão de pequenas docilidades, desse SIM bem forte que me ensinou a dizer.
Carta da irmã Maria Inês do Sarmento a Paul Claudel

Ilustração: Rosa amarela do jardim da casa dos meus pais.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Os discípulos estavam preocupados (Mc 10,32)

Na subia para Jerusalém Jesus ia à frente dos discípulos e estes iam preocupados, temerosos, com medo, como nos diz o Evangelho de São Marcos.
Diante de tal estado de espirito não podemos deixar de ser compreensivos, não podemos deixar de os compreender, porque ainda que as esperanças de uma revolução fossem muitas, havia uma realidade militar e política que nublava essas mesmas esperanças, que as fazia cair por terra.
E como este sentimento, esta preocupação se deveria ter agravado quando Jesus lhes revelou que o esperava o sarcasmo e a violência, a condenação e a morte ao chegarem a Jerusalém! Podemos imaginar que alguns ficaram por ali mesmo, regressaram a suas casas e às suas vidas, pois a perspectiva do Mestre era ainda mais aterradora do que a própria realidade.
Neste discurso deve-lhes ter sido difícil ouvir as últimas palavras, certamente nem tomaram conta delas, face à violência e à tragédia que as anteriores suscitavam. Teriam eles escutado, que no fim de tudo “ao terceiro dia ressuscitaria”?
Três breves palavras que invertem completamente a realidade, que abrem uma porta inaudita, e revelam uma realidade divina completamente desconhecida. Da dor e da morte Deus fará surgir a vida, uma vida nova, uma outra vida.
Deus assume que não há outra maneira de vencer a blasfémia da morte senão assumindo-a e transfigurando-a desde o seu interior. A morte terá que ser rebatida desde o seu próprio interior, a morte é vencida pela entrega da vida, pela vitalidade da vida vivida por amor.
Afinal da carne macerada e maltratada, condenada ao pó da terra, destruída, poderá brotar uma fonte de vida mais forte que tudo, mais forte que a própria destruição, uma fonte que mana para a eternidade
Testemunhas da ressurreição de Jesus vivemos nessa esperança e nessa fé, confiantes que a nossa própria vida nas suas limitações e fragilidades é pelo amor com que vivemos, desde já, uma experiência de eternidade.
 
Ilustração: Papoilas vermelhas do campo.