terça-feira, 16 de julho de 2013

Ser diferente ser santo

 
O grande obstáculo para eles era a Igreja tal como a constatavam, os padres e os cristãos correntes e fáceis. Eu vos suplico, meu querido amigo, és jovem, ardente, Deus colocou a sua marca sobre ti, nós temos verdadeiramente necessidade de ti, sê um apóstolo, sê um santo!
Carta de Paul Claudel a Jean Massin
Ilustração: Vitral da Catedral de São Pedro de Genebra com os Evangelistas São Mateus e São Marcos.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Confessar o Amor

 
Como é bom, uma alma toda pura que toma a Palavra e que ousa em grandes impulsos do seu sopro ardente confessar o Amor.
Carta de Paul Claudel a Jean Massin
Ilustração: Estátua dos amores mitológicos do Jardim do Palácio de Queluz

domingo, 14 de julho de 2013

Homília do XV Domingo do Tempo Comum

 
O Evangelho de São Lucas que acabámos de escutar apresenta-nos uma das mais surpreendentes parábolas de Jesus, a parábola do bom samaritano.
Contudo, e pela riqueza que lhe é intrínseca, não podemos ficar nesta parábola pela leitura no sentido do próximo, da descoberta do outro que nos solicita compaixão. Há elementos prévios e posteriores que não nos podem deixar de chamar a atenção.
Assim, e antes de mais, temos que ter presente a busca do doutor da lei, a pergunta a Jesus sobre o que fazer para receber a herança eterna. Pergunta que não podemos negar que é comum a todos nós, porque se os homens e mulheres de fé buscam a felicidade da herança eterna, aqueles que se dizem sem fé buscam a felicidade da herança neste momento e neste mundo. Ainda que as respostas sejam diferentes a questão e o princípio é o mesmo, o homem busca inevitavelmente e incessantemente a sua felicidade, a sua realização plena.
A resposta de Jesus à pergunta do doutor da lei é de todos os modos surpreendente pela radicalidade e pela liberdade que acarreta. Jesus remete o doutor da lei para a lei que conhece, para o código da Aliança, mas igualmente implica o doutor da lei e a sua liberdade na leitura dessa mesma lei.
A resposta de Jesus tem presente os princípios legais, tem presente essa lei de que falava o Livro do Deuteronómio que não estava nos céus nem para além do mar, mas estava no coração e perto da boca. Deste modo, e pela proximidade do homem, essa lei era passível de leitura, de uma leitura pessoal que Jesus convida o doutor da lei a fazer.
Neste sentido, e tendo presente o convite de Jesus e a apresentação da Lei feita pelo Livro do Deuteronómio, nenhum homem se pode considerar excluído do cumprimento da lei, impossibilitado de a viver, porque cada um é convidado a interpretá-la no seu coração e a colocá-la em prática pela sua inteligência e pela sua confiança no poder da acção de Deus na mesma lei.
É esta implicação pessoal que leva o doutor da lei a tentar descomprometer-se quando pergunta a Jesus quem é o seu próximo. Há no doutor da lei, como há em todos nós, essa tentativa de encontrar uma justificação para o incumprimento do mandamento do amor, de encontrar uma desculpa para não nos deixarmos tocar pelo nosso próximo.
Em resposta a tal pergunta Jesus conta a parábola do sacerdote, do levita e do samaritano, parábola em que as duas figuras ligadas ao templo são preteridas em favor de um estrangeiro e de um herege. É aquele que é excluído e marginalizado, o que não é válido aos olhos dos outros dois, e do doutor da lei a quem Jesus responde, que assume a atitude mais consentânea com a leitura do mandamento do amor que anteriormente tinha sido feita pelo doutor da lei.
A parábola remete assim conscientemente para o mandamento do amor, para a compaixão que somos convidados a viver face àqueles que sofrem, que são vítimas de violência ou injustiça. Mas deixa transparecer também a possibilidade do impossível, remete para o inesperado e o insuspeito que pode acontecer, que se pode tornar realidade, se nos descentrarmos um pouco de nós próprios, como o fez o samaritano.
A parábola do bom samaritano pode ser de certa forma a explicitação prática daquelas palavras que encontramos na boca de Jesus neste mesmo Evangelho de São Lucas, o que é impossível aos homens é possível a Deus. Ainda que estas palavras sejam no seu contexto aplicadas à salvação, podemos também assumi-las aqui e aplicá-las à compaixão e à misericórdia que tantas vezes nos escapa da mão mas que não escapa da mão de Deus.
E quando nos assaltam as desculpas, quando justificamos a nossa distância face ao próximo, temos que olhar para o final da parábola e perceber que num golpe de génio, numa inversão cénica de papéis, passámos rapidamente da possibilidade de samaritanos para a condição de estalajadeiros aos quais foi confiada a guarda do próximo.
Nesta alteração cada um de nós é o estalajadeiro e o bom samaritano é já o próprio Deus que passa mais tarde para acertar as contas, para pagar aquilo que tivermos gasto a mais. E uma vez mais nos deparamos com a lógica do que nos é impossível mas é possível a Deus, ou seja, o que tivermos ultrapassado ser-nos-á retribuído por Deus, seremos recompensados cem por um, tal como na promessa àqueles que deixam casas e família para seguir Jesus.
A parábola do bom samaritano coloca-nos face ao desafio da compaixão, da descoberta do nosso próximo e de como eu o faço meu próximo, mas coloca-nos também face ao desafio do excesso, do impossível aos nossos olhos, mas possível aos olhos de Deus e às nossas mãos na medida do nosso amor e da nossa confiança total no outro e em Deus.
Que a confiança no Senhor que vem para liquidar tudo o que tivermos gasto a mais nos faça ultrapassar os nossos medos e indiferenças e nos aproxime diligentemente daqueles que são os próximos que necessitam de nós.   
 
Ilustração: “Bom Samaritano”, de Johann Carl Loth, Kunstsammlungen Graf von Schonborn, Pommersfelden  

Tempo para Deus

 
Não vos deixeis devorar completamente e tratai de reservar cada dia um pequeno pedaço para o próprio bom Deus. É o patrão a quem deveis cada dia fazer o vosso relatório e de quem deveis receber as ordens.
Carta de Paul Claudel a Jean Massin
Ilustração: Capela do Palácio de Queluz.

sábado, 13 de julho de 2013

Jesus é maravilhosamente delicado

 
Que vos dizer senão que Jesus é maravilhosamente delicado, terno e atencioso com aquele que Ele não quer chamar mais seu servidor mas seu amigo.
Carta de Jean Massin a Paul Claudel
Ilustração: Escultura de São Vicente no pórtico da igreja do Convento de Mafra.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Cristo amigo

 
Cristo muitas vezes não é mais que um convidado incómodo, quando devia ser um amigo verdadeiro e um alimento saboroso.
Carta de Jean Massin a Paul Claudel
Ilustração: Sala de Jantar do Palácio de Versalhes.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

O amor de Jesus

 
O amor de Jesus queima-me, e é necessário que todos os desgraçados brilhem de alegria porque Ele está lá com eles.
Carta de Jean Massin a Paul Claudel
Ilustração: Flor de Sardinheira Vermelha