sábado, 3 de agosto de 2013

Sobre o que não nos enganará

 
Constatei simplesmente que me enganei neste ponto como em muitos outros. Sobre um só ponto tenho a certeza de não nos enganarmos, é quando amamos com toda a nossa alma.
Carta de L. Cristiani a Paul Claudel
Ilustração: Vénus e Adonis de Canova no Museu de História e Arte de Genebra.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Estavam escandalizados com Jesus (Mt 13,57)

Terminadas as parábolas sobre o Reino de Deus e as explicações do sentido das mesmas, Jesus pergunta aos discípulos se eles tinham compreendido tudo o que lhes tinha ensinado.
À resposta afirmativa dos discípulos, Jesus contrapõe a imagem e a atitude do pai de família que do seu tesouro tira coisas novas e velhas.
Imediatamente, e como conclusão do capítulo treze do seu Evangelho, São Mateus coloca Jesus a visitar a sua terra, a ensinar na sinagoga, facto que provoca a murmuração e a desconfiança dos seus conterrâneos.
Aqueles homens e mulheres, ainda que conhecedores dos milagres de Jesus, ainda que admirados da sua palavra e da sua doutrina, até ao ponto de se interrogarem de onde lhe vinha tanta sabedoria, não foram contudo capazes da atitude do pai de família, não foram capazes de assumir o que era velho, o que fazia parte dos seus conhecimentos, e o que era novo, o que desconheciam de Jesus.    
Esta circunstância, este encerramento no conhecimento que tinham, inviabilizou a realização de milagres na terra natal de Jesus, pois falta-lhes a fé e a abertura para o acolhimento do novo e do inusitado.
Também connosco acontece muitas vezes o mesmo, também facilmente nos deixamos fechar naquilo que conhecemos ou acreditamos do outro. Como em tantas outras realidades pensamos saber tudo, acreditamos possuir todo o conhecimento e toda a verdade sobre as coisas ou sobre o outro.
Este conhecimento à priori, este preconceito com o que acarreta de omnisciência ilusória, fecha-nos a porta à novidade e com ela à vida que nos surpreende. Estes preconceitos são como que uma recusa do futuro, de uma outra possibilidade, uma negação da esperança, como se pudéssemos impedir ou limitar o Espirito de soprar onde quer e como quer.
A Boa Nova de Jesus, o acolhimento de Jesus de Nazaré, é assim um convite à abertura, à disponibilidade, ao acolhimento do outro e da novidade que encerra, a um querer ver para além do que os olhos permitem.
Deixemos portanto o Espirito abrir os nossos olhos e o nosso coração de modo a podermos perceber a presença tantas vezes incompreendida de Deus no grande dom que são os outros e que é a vida.

 
Ilustração: “Jesus ressuscitado”, escultura de Germain Pilon, Museu do Louvre.     

Novena de São Domingos - Quarto Dia

Acto de Contrição
Meu Deus do meu coração, da minha Alma, da minha vida, e das minhas entranhas; conheço Senhor que pequei, e já reconheço que fiz mal na face dos Céus e da terra, afastei-me da vossa Lei, dei as costas à vossa Graça, e adorei a vossa ofensa. Mas, Senhor, agora me quero emendar; agora desejo quebrar a dureza do meu coração com uma verdadeira dor de ter alanceado esse amante Coração.
Ah Senhor, quem fora tão ditoso, que cegara para todas as coisas do Mundo, e só vira o muito que devo a um Deus tão sofredor! Cortai, Senhor, cortai com a espada da vossa omnipotente valentia todas as prisões, que me arrastam, todas as raízes que me prendem e todos os espinhos em que se ateia o fogo dos meus afectos.
Proponho Senhor, emendar a vida com a vossa graça, proponho confessar as culpas, perseverar na emenda, perdoar agravos, esquecer de injúrias, aborrecer os vícios, restituir como posso, e satisfazer como devo aos vossos Mandamentos.
Valha-me Senhor o vosso Sangue, valham-me os merecimentos de meu Patriarca São Domingos; concedei-me Senhor que, lavada a minha Alma com o vosso Sangue, consiga na vida a bênção de meu Santíssimo Patriarca, para depois na morte ir gozar de sua deliciosa companhia.
 
Excelência IV – São Domingos compassivo valedor das Almas do Purgatório
 
Admirável Patriarca, vós que entrando com a compaixão por esse Purgatório, e meditando continuamente naqueles vivos incêndios, de tal sorte se acendia a chama da vossa Caridade, que pegáveis em grossas cadeias de ferro, e vos martirizáveis três vezes cada noite, querendo apagar com sangue aquele fogo;
Vós, que até desejastes padecer as penas do Inferno com condição de que ninguém mais fosse ao Inferno;
Vós, que desejáveis meter a todo o Mundo no Céu, ainda que só vós não entrásseis no Céu;
Alcançai de Deus uma faísca do fogo da vossa Caridade, para que com este fogo santo possa eu apagar aquele fogo que acenderam as minhas culpas.
 
Depois de alguma pausa reze nove Padre Nossos e nove Ave-Marias
 
Oração
Altíssimo Senhor dos Céus e da Terra, se toda a vida de vosso Servo Domingos foi um continuado desvelo com o Próximo, ou para lhe dar luz com o exemplo, ou para o amparar com o patrocínio, concedei-nos que aproveitando-nos das luzes, e seguindo-lhe os exemplos caminhemos todos para a Pátria em que el goza o prémio das suas virtudes. Ámen.
Depois reze a Ladainha de Nossa Senhora

 
Ilustração: Pintura de São Domingos Penitente do Mosteiro de las Dueñas de Salamanca.

Rezar no infinito

 
É entre o exército inumerável das estrelas, no qual o tempo e o espaço se confundem, para formar um símbolo do infinito que adoro rezar ao Pai que está nos céus.
Carta de L. Cristiani a Paul Claudel
Ilustração: Noite de neve em Genebra.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A rede lançada ao mar apanha toda a espécie de peixes (Mt 13,47)

Uma parábola mais para anunciar e enunciar o Reino de Deus, pois não podemos dizer que está aqui ou está ali, mas que está entre nós e em processo de desenvolvimento. Certamente por essa razão Jesus utiliza a imagem da rede de pesca, uma rede que é lançada ao mar do mundo e que recolhe toda a espécie de peixes.
Não podemos deixar de admirar a imaginação de Jesus, mas igualmente a riqueza que encerra esta mesma imagem e parábola. Desde já podemos perceber que a promessa do Reino de Deus não assume a monotonia, o monocórdico, o clónico. O Reino de Deus não se reserva para homens e mulheres de um determinado perfil pré-estabelecido, mas como realidade viva e em construção abre-se e acolhe a diversidade, a grande diversidade humana.
Está diversidade está patente na inauguração do Reino, nas diversas atitudes de Jesus face aos proscritos e aos eleitos, aos pecadores e aos que se consideravam justos. Não são um exemplo desta diversidade a Samaritana com quem Jesus fala junto ao poço de Jacob, o rico Zaqueu a quem Jesus pede hospitalidade, o publicano Mateus que oferece um banquete mas se esquece das básicas regras do acolhimento, o mestre de Israel Nicodemos que vem interrogar Jesus durante a noite, ou o jovem rico que cumpre todos os mandamentos mas não é capaz de ser livre do que possui?
Que alegria e que alento saber que também a mim, a cada um de nós nas suas diversas circunstâncias, é lançada a rede do Reino. Todos somos apanhados entre as malhas da rede e arrastados até à margem.
A possibilidade de sermos escolhidos, de sermos encontrados como um peixe bom que é colocado na cesta, depende da nossa adesão, da nossa liberdade de nos deixarmos prender na rede e aí procurarmos ser fiéis. A pesca será abundante e rica na medida em que nos deixarmos apanhar pelo amor de Deus nas malhas da rede que está estendida pelo mar do mundo.
Que a liberalidade de Deus nos provoque na nossa confiança e na nossa liberdade de aderirmos ao seu amor e à sua vontade.

 
Ilustração: “A recolha da rede”, de Winslow Homer, Art Institute de Chicago.

Novena a São Domingos - Terceiro Dia

Acto de Contrição
Meu Deus do meu coração, da minha Alma, da minha vida, e das minhas entranhas; conheço Senhor que pequei, e já reconheço que fiz mal na face dos Céus e da terra, afastei-me da vossa Lei, dei as costas à vossa Graça, e adorei a vossa ofensa. Mas, Senhor, agora me quero emendar; agora desejo quebrar a dureza do meu coração com uma verdadeira dor de ter alanceado esse amante Coração.
Ah Senhor, quem fora tão ditoso, que cegara para todas as coisas do Mundo, e só vira o muito que devo a um Deus tão sofredor! Cortai, Senhor, cortai com a espada da vossa omnipotente valentia todas as prisões, que me arrastam, todas as raízes que me prendem e todos os espinhos em que se ateia o fogo dos meus afectos.
Proponho Senhor, emendar a vida com a vossa graça, proponho confessar as culpas, perseverar na emenda, perdoar agravos, esquecer de injúrias, aborrecer os vícios, restituir como posso, e satisfazer como devo aos vossos Mandamentos.
Valha-me Senhor o vosso Sangue, valham-me os merecimentos de meu Patriarca São Domingos; concedei-me Senhor que, lavada a minha Alma com o vosso Sangue, consiga na vida a bênção de meu Santíssimo Patriarca, para depois na morte ir gozar de sua deliciosa companhia.
 
Excelência III – São Domingos desvelado amante da pobreza
 
Glorioso Patriarca, vós que assim despistes o desejo as riquezas do mundo, que não só as deixastes possuídas mas também as desprezastes ofertadas, e só aceitastes do mundo uma mortalha, que vos publicava já morto na vida;
Vós, a quem as estimações sempre achavam abatido, os louvores surdo, as dignidades fugitivo, pois renunciastes oito bispados e o arcebispado de Tarragona;
Vós, que para remediar os pobres até chegastes a vender os livros, donde tiráveis os documentos para plantar virtudes e arrancar vícios;
Alcançai de Deus que de tal sorte despreze eu os bens caducos, que, ficando o meu coração superior a tudo da terra, só suspire pelas riquezas do céu.
 
Depois de alguma pausa reze nove Padre Nossos e nove Ave-Marias
 
Oração
Altíssimo Senhor dos Céus e da Terra, se toda a vida de vosso Servo Domingos foi um continuado desvelo com o Próximo, ou para lhe dar luz com o exemplo, ou para o amparar com o patrocínio, concedei-nos que aproveitando-nos das luzes, e seguindo-lhe os exemplos caminhemos todos para a Pátria em que el goza o prémio das suas virtudes. Ámen.
Depois reze a Ladainha de Nossa Senhora
 
Ilustração: Imagem de São Domingos na decoração da talha dos arcazes da sacristia da catedral de Burgos.

A união à vontade de Deus

 
União total da vontade à vontade de Deus, qualquer que ela possa ser, no esquecimento total de ti. Trabalha para isso, aplica-te a isso. Neste mundo a união da vontade à vontade divina por amor é o amor de Deus.
Carta do Padre Foucault para Louis Massignon
Ilustração: Mosaico do Padre Iturgaiz na cripta de São Domingos em Caleruega.