quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Esculpir divino

 
A oração, a meditação, a comunhão de Cristo nos sacramentos que distribuem os tesouros da sua paixão, a paciência no trabalho de polimento pelas provas, tais são os processos de escultura.
Carta de L. Cristiani a Paul Claudel
Ilustração: Imagem de São Domingos no claustro do Mosteiro de Santa Cruz de Vitória.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

É verdade Senhor. (Mt 15,27)

É no caminho para Tiro e Sidónia que uma mulher cananeia vem ao encontro de Jesus e dos discípulos que o seguem. Encontro surpreendente na medida da distância e da insensibilidade que Jesus parece manifestar.
Aos gritos desta mulher, que afecta os próprios discípulos, que em outras vezes se mostraram insensíveis às necessidades dos outros, parecem não chegar a Jesus e quando chegam encontram uma barreira de reserva, uma barreira de opção por apenas os pobres da casa de Israel.
Esta mulher é uma estrangeira, é uma pagã, não pertence ao povo eleito de Israel e por isso a atitude insensível de Jesus, a consideração de que qualquer ajuda é uma injustiça aos olhos do povo eleito.
Mas como senão bastasse esta diferenciação, esta exclusão marginal, Jesus assume uma comparação que humilha ainda mais a mulher cananeia, comparando-a aos cachorrinhos, àqueles que não têm qualquer direito.
Diante destas palavras não resta à mulher outra atitude senão comprometer-se com a verdade das palavras de Jesus, senão dizer a Jesus que é verdade o que diz e que na sua humildade a acolhe ainda que com um réstia de esperança.
A resposta da mulher derruba a atitude de Jesus, a sua indiferença, toca-lhe o coração misericordioso, uma vez que manifesta o seu compromisso com a sua vontade, com a vontade de Deus. Ela acata aquela vontade e aquele desígnio, mas ainda assim não deixa de apelar ao amor de Deus, à sua benevolência para com todos, até para com aqueles que são os cachorrinhos.
Esta configuração à vontade de Deus e a confiança cheia de esperança que a mulher cananeia manifesta são para nós um desafio, um exemplo, pois também nós na aceitação e configuração com a vontade de Deus podemos viver a esperança de alcançar uma resposta às nossas necessidades.
A nossa fé e esperança na vontade de Deus que nos ama é a nossa arma mais poderosa para tocarmos o coração de Deus. É a confiança no amor de Deus por nós que faz milagres.

 
Ilustração: “Jesus e a mulher cananeia”, de Juan de Flandres, Palácio Real de Madrid.

Novena a São Domingos - Nono Dia

Acto de Contrição
Meu Deus do meu coração, da minha Alma, da minha vida, e das minhas entranhas; conheço Senhor que pequei, e já reconheço que fiz mal na face dos Céus e da terra, afastei-me da vossa Lei, dei as costas à vossa Graça, e adorei a vossa ofensa. Mas, Senhor, agora me quero emendar; agora desejo quebrar a dureza do meu coração com uma verdadeira dor de ter alanceado esse amante Coração.
Ah Senhor, quem fora tão ditoso, que cegara para todas as coisas do Mundo, e só vira o muito que devo a um Deus tão sofredor! Cortai, Senhor, cortai com a espada da vossa omnipotente valentia todas as prisões, que me arrastam, todas as raízes que me prendem e todos os espinhos em que se ateia o fogo dos meus afectos.
Proponho Senhor, emendar a vida com a vossa graça, proponho confessar as culpas, perseverar na emenda, perdoar agravos, esquecer de injúrias, aborrecer os vícios, restituir como posso, e satisfazer como devo aos vossos Mandamentos.
Valha-me Senhor o vosso Sangue, valham-me os merecimentos de meu Patriarca São Domingos; concedei-me Senhor que, lavada a minha Alma com o vosso Sangue, consiga na vida a bênção de meu Santíssimo Patriarca, para depois na morte ir gozar de sua deliciosa companhia.
 
Excelência IX – São Domingos espelho da humildade
 
Excelso e Augusto Patriarca, vós que esquecido do trono Régio, que vos deu ao Mundo, de tal sorte vos humilhastes, que até andastes por baixo dos pés dos demónios, os quais lá nas covas de Segóvia vos fizeram o mesmo que os Judeus fizeram a Cristo na Paixão: ali vos esbofetearam, prenderam, arrastaram, açoitaram, coroaram de espinhos, crucificaram e alancearam;
Vós, que quanto mais subíeis na virtude, mais descíeis no conhecimento próprio, julgando-vos por tão grande pecador, que temíeis se subvertessem as Cidades quando entráveis nelas;
Vós, finalmente, que pedistes o ser sepultado aos pés dos vossos Frades, alcançai de Deus que conhecendo as vossas virtudes, e imitando os vossos exemplos, por vossa intercessão possa também acompanhar-vos nos prémios.  
 
Depois de alguma pausa reze nove Padre Nossos e nove Ave-Marias
 
Oração
 
Altíssimo Senhor dos Céus e da Terra, se toda a vida de vosso Servo Domingos foi um continuado desvelo com o Próximo, ou para lhe dar luz com o exemplo, ou para o amparar com o patrocínio, concedei-nos que aproveitando-nos das luzes, e seguindo-lhe os exemplos caminhemos todos para a Pátria em que el goza o prémio das suas virtudes. Ámen.
Depois reze a Ladainha de Nossa Senhora

 
Ilustração: São Domingos em oração. Mosaico do Padre Iturgaiz na cripta de Caleruega.

Ler o regulamento

 
Ler e reler o regulamento, penetrar nele, procurar ali o nosso caminho, encontrar as leis da fé, da esperança e do amor, e nele iluminar a nossa alma, é a obra de toda uma vida.
Carta de L. Cristiani a Paul Claudel
Ilustração: Portal românico lateral do Santuário de Santa Maria de Estíbaliz, Vitória.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Mestre como é bom estarmos aqui! (Lc 9,33)

Diz-nos o Evangelho que Pedro não sabia o que dizia quando no alto do monte Tabor, no momento da transfiguração, disse a Jesus como era bom estar ali.
Podemos assumir a crítica do Evangelho se tivermos em conta que o discípulo se propunha fazer uma tenda para Moisés, para Elias e para o Jesus glorioso que contemplava.
Contudo, esta crítica deixa de ter sentido, e a afirmação do discípulo ganha uma outra dimensão, se tivermos em conta que pouco antes Pedro tinha professado a fé em Jesus como o Ungido de Deus, o Messias.
A transfiguração de Jesus no alto do monte Tabor é assim de certa forma, e nomeadamente para Pedro, a confirmação da sua profissão de fé, a confirmação da resposta dada à pergunta de Jesus “quem dizeis que eu sou”.
Pedro tem assim razões para estar contente, satisfeito com o que vê, tem razões para querer continuar ali, ou seja, confirmado na sua fé no Jesus Messias de Deus não quer perder essa fé, não quer perder a confirmação. Permanecer ali é a garantia de não se ter equivocado.
Neste sentido, Pedro é para cada um de nós um convite, um exemplo a seguir. Face à nossa profissão de fé em Jesus nosso Salvador e Redentor somos aliciados a permanecer, a querer permanecer junto de Jesus, a fazer a experiência da sua glória.
Tal como Pedro, deveríamos poder dizer “Senhor como é bom estar aqui” quando fazemos a experiência de estarmos com Jesus. A nossa relação e união com Jesus deveriam conduzir-nos à alegria e ao desejo de permanecer para além de tudo.
Certamente falta-nos ainda qualquer coisa para que tal aconteça, falta-nos subir um pouco mais ao monte da intimidade e da oração. Que este tempo de verão possa ajudar-nos a aproximar-nos um pouco mais da experiência da glória, para que possamos dizer também nós, “Mestre como é bom estar aqui”.

 
Ilustração: “Transfiguração”, de Francesco Zuccarelli, Kunsthaus Lempertz.

 

Novena de São Domingos - Oitavo Dia

Acto de Contrição
Meu Deus do meu coração, da minha Alma, da minha vida, e das minhas entranhas; conheço Senhor que pequei, e já reconheço que fiz mal na face dos Céus e da terra, afastei-me da vossa Lei, dei as costas à vossa Graça, e adorei a vossa ofensa. Mas, Senhor, agora me quero emendar; agora desejo quebrar a dureza do meu coração com uma verdadeira dor de ter alanceado esse amante Coração.
Ah Senhor, quem fora tão ditoso, que cegara para todas as coisas do Mundo, e só vira o muito que devo a um Deus tão sofredor! Cortai, Senhor, cortai com a espada da vossa omnipotente valentia todas as prisões, que me arrastam, todas as raízes que me prendem e todos os espinhos em que se ateia o fogo dos meus afectos.
Proponho Senhor, emendar a vida com a vossa graça, proponho confessar as culpas, perseverar na emenda, perdoar agravos, esquecer de injúrias, aborrecer os vícios, restituir como posso, e satisfazer como devo aos vossos Mandamentos.
Valha-me Senhor o vosso Sangue, valham-me os merecimentos de meu Patriarca São Domingos; concedei-me Senhor que, lavada a minha Alma com o vosso Sangue, consiga na vida a bênção de meu Santíssimo Patriarca, para depois na morte ir gozar de sua deliciosa companhia.
 
Excelência VIII – São Domingos singular Advogado para se conseguir a esterilidade fecunda
 
Nobilíssimo Patriarca, vós que qual outro Anjo que apareceu aos pais de Sansão, fizestes ao Céu súplicas tão poderosas que todas foram sempre despachadas, e com elas derretido em lágrimas fertilizastes a Militante e Triunfante Igreja;
Vós, que acudindo à esterilidade da Rainha de França, lhe alcançastes do Céu por filho a um São Luís, e não só França mas também Portugal, e outras muitas Coroas do Mundo são testemunhas agradecidas à vossa intercessão tão poderosa;
Vós, que alcançastes do Céu para vossa Religião uma fecundidade tão esclarecida, que em uma visão mostrou Maria Santíssima aos vossos filhos e filhas amparados debaixo do seu manto.
Alcançai desta Senhora o mesmo amparo para este filho, que espera dever à vossa piedade a fecundidade de todas as virtudes.
 
Depois de alguma pausa reze nove Padre Nossos e nove Ave-Marias
 
Oração
Altíssimo Senhor dos Céus e da Terra, se toda a vida de vosso Servo Domingos foi um continuado desvelo com o Próximo, ou para lhe dar luz com o exemplo, ou para o amparar com o patrocínio, concedei-nos que aproveitando-nos das luzes, e seguindo-lhe os exemplos caminhemos todos para a Pátria em que el goza o prémio das suas virtudes. Ámen.
Depois reze a Ladainha de Nossa Senhora

 
Ilustração: Pintura de Nossa Senhora do Rosário que se encontra no Mosteiro das Dueñas de Salamanca.

Para nos ajudar no sim essencial

 
Para nos ajudar a dizer o sim essencial o arquitecto prodigioso dignou-se revelar-nos os seus planos, indicar-nos as condições de trabalho nos estaleiros, as grandes linhas da cooperação que ele espera de nós. Nós chamamos Bíblia a esse regulamento divino.
Carta de L. Cristiani a Paul Claudel
Ilustração: Reconstituição em madeira da muralha defensiva da cidade de Vitória.