sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Se o teu coração sofre eles serão salvos

 
Ao ver o perigo que corriam aqueles pescadores, um dos jovens monges que se encontravam perto da janela do mosteiro, o diácono Serafim, não pôde calar estas palavras: “Oh como o meu coração sofre por causa deles!”. O Padre Silouane que se encontrava também lá colocou suavemente a mão sobre o seu ombro e disse-lhe: “Se o teu coração sofre por eles significa que eles serão salvos.”
Carta do Arquimandrita Sofrónio ao Padre Boris Stark

Ilustração: Pormenor de pintura do Museu de História e Arte de Genebra no qual aparece São Pedro Mártir.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

O progresso é para elevar os outros

 
Aqueles que permanecem nos degraus inferiores do desenvolvimento exigem a atenção daqueles que se situam mais alto; é necessário consagrar-lhes a vida, ou seja amá-los e ajudá-los a elevar-se.
Carta do Arquimandrita Sofrónio ao Padre Boris Stark

Ilustração: Biscuits dos escritores franceses na biblioteca do Palácio de Versalhes.  

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

A responsabilidade exige a atenção

 
A consciência duma profunda responsabilidade em cada caso, diante de cada pessoa, sobretudo das crianças e dos jovens, exige uma atenção completa e intensa, uma compaixão, uma paciência… Tu o sabes tão bem quanto eu. 
Carta do Arquimandrita Sofrónio ao Padre Boris Stark

Ilustração: Fonte dos músicos no jardim do Palácio de Versalhes.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

A luta destroi tudo

 
O mandamento de nos amarmos uns aos outros vem de um outro mundo e as pessoas não o recebem. Esta luz não as cura, quero dizer, a Luz do Alto. A luta pela dominação, obstinada, absurda, destrói tudo sobre a terra.
Carta do Arquimandrita Sofrónio ao Padre Boris Stark

Ilustração: Ajax carregando Aquiles. Estátua em bronze do Museu de Arte e História de Genebra.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

A compaixão é força que salva

 
Observei muitas vezes que uma compaixão sincera para com alguém que sofre, que está à beira do desespero completo, manifesta-se por ela própria uma força salvadora. A pesada capa de desespero desaparece por algum tempo, a alma revive e torna-se capaz de lutar.
Carta do Arquimandrita Sofrónio ao Padre Boris Stark

Ilustração: Jarros amarelos de jardim.

domingo, 1 de setembro de 2013

Homília do XXII Domingo do Tempo Comum

A leitura do Evangelho que escutámos apresenta-nos a participação de Jesus num banquete na casa de um fariseu importante. Pelos Evangelhos sabemos que não foi o único a que Jesus assistiu, e que outros aconteceram, e certamente muitos mais que aqueles que estão consignados nos textos evangélicos.
Mas se alguns ficaram registados é porque algo de verdadeiramente significativo aí aconteceu, é porque serviram de quadro à revelação da pessoa e da mensagem de Jesus, como aconteceu neste caso que o Evangelho de Lucas hoje nos relata.
Neste sentido não podemos esquecer a referência em que desde o primeiro momento o banquete é situado, ou seja, num sábado, o que nos remete imediatamente para o horizonte do Reino e das bodas do Cordeiro.
Assim, e apesar da questão do protocolo social estar presente, o que Jesus desperta é a questão do protocolo para o banquete do Reino, o que nos interessa saber e viver para podermos verdadeiramente tomar assento à mesa do banquete celeste.
Quando Jesus chama a atenção para os lugares que cada um pode ocupar num banquete, Jesus está apenas a tomar parte numa discussão comum ao seu tempo, uma questão rabínica sem resposta exacta sobre o protocolo a seguir nas refeições de maior importância social.
A questão dos lugares à mesa era uma questão real, porque os lugares não eram atribuídos pelo dono da casa e anfitrião, de acordo com as suas relações e a sua importância social, mas eram tomados por cada um dos convidados, que a partir de uma avaliação pessoal se aproximavam ou afastavam da presidência da mesa e do anfitrião.
O conselho de Jesus é assim um convite à prudência e à boa educação, prudência e educação que estavam mais ou menos consignadas socialmente, mas que em determinadas situações não eram tidas em atenção e não eram observadas. Podemos inferir que tal estaria a acontecer com ele ao lançar a questão.
Contudo, não foi por uma questão protocolar e por qualquer incidente com Jesus que este acontecimento foi registado pelos Evangelhos, mas porque há uma semelhança entre a prudência de ocupar os lugares menos importantes no banquete e a humildade necessária para participar nas bodas do Reino.
Ao ocupar o último lugar, ao humilhar-se, aquele que foi convidado é chamado e exaltado pelo dono da casa, pelo anfitrião do banquete, para um lugar mais importante e mais próximo de si. A humildade do último lugar é elevada e retribuída pelo convite e chamamento do anfitrião do banquete.
No horizonte do Reino de Deus e das Bodas do Cordeiro a mesma humildade é também recompensada, ou melhor dizendo, é uma condição prévia à participação no banquete que é já a recompensa, porque o humilde reconhece que nada é e nada pode e portanto tudo espera daquele que o convida e tudo lhe pode dar. O humilde está aberto ao outro, está disponível, apresenta-se numa atitude de acolhimento que lhe permite ser elevado por aquele que convida.
O humilde é como o publicano da parábola que se dirige ao templo para rezar e apenas pede perdão de nada ter para dar, enquanto o fariseu, cheio de si próprio, apenas se compara com os outros, exaltando-se a si mesmo mas perdendo toda a oportunidade de conversão e salvação.
A humildade é assim a atitude que permite o acolhimento do dom que vem de Deus, que permite a percepção da gratuidade divina, do seu amor e da sua bondade sem limites.
E é por causa desta gratuidade, desta bondade sem limites de Deus, que Jesus completa a conversa sobre os lugares à mesa com a recomendação de serem convidados para os banquetes aqueles que são pobres e doentes, aqueles que não podem retribuir de nenhuma maneira o convite que lhes é feito.
Desta forma e com este convite manifestamos o amor de Deus, a sua bondade, a sua gratuidade, a dignidade a que somos elevados dignificando os nossos irmãos que não nos podem recompensar, vivemos aqui e agora o mistério da encarnação do Filho de Deus que humildemente assumiu a nossa condição pecadora.
A humildade está assim intimamente associada à caridade, porque só quem não se centra egoisticamente em si, quem é humilde, pode olhar o outro e amar o outro verdadeiramente como ele é.
Procuremos pois tomar assento no banquete do Reino acolhendo e dignificando aqueles que se aproximam de nós, porque como diz Jesus serão esses mesmos que acolhemos e dignificamos que nos indicarão os melhores lugares que nos foram destinados pelo Senhor no Banquete do Cordeiro.

 
Ilustração: “A última Ceia”, aguarela de Alexander Andreyevich Ivanov, Museus Russos.

O sofrimento para compreender o sofrimento

 
Nós, os homens, temos infelizmente necessidade de passar por todos os sofrimentos para compreender, vivendo-os, os sofrimentos do mundo inteiro, e tornarmo-nos dessa forma capazes de compreender os de Cristo.
Carta do Arquimandrita Sofrónio ao Padre Boris Stark

Ilustração: Estátua de homenagem a Philibert-Berthelier, mártir da independência de Genebra no século XVI.