Na agitação do nosso dia-a-dia,
no meio das solicitações do mundo, um grito ecoa no nosso coração, faz estremecer
as entranhas do nosso ser. Como sedentos de água assim anda sedento o nosso
coração, a nossa vida, de paz!
Todo o nosso ser grita
de ansiedade por paz. É o corpo que solicita a paz do descanso merecido, é o
espirito que pede a paz de uns minutos de silêncio, é o coração que reclama a
paz das relações, é a alma que deseja a paz de Deus.
O Senhor diz-nos que
essa paz vem até nós, é-nos oferecida como um rio, quando atendemos às suas
ordens. E como nos custa atender a esta oferta que responde às nossas
necessidades.
Nos ritmos alucinantes
do quotidiano esquecemos que o nosso corpo necessita de repouso, de recuperar
energias, e como não o fazemos adequadamente chegamos ao esgotamento. Falta-nos
a paz do corpo, porque não percebemos nem queremos perceber que o nosso corpo é
a primeira dimensão da nossa existência e que necessita cuidados, como o
descanso.
Cheios de imagens e
som, de instrumentos cada vez mais afinados de comunicação, perdemos a noção e
o gosto do silêncio, desenvolvemos até uma fobia ao silêncio. E é no silêncio que
encontramos a paz que nos embala o espirito, que nos permite olhar o horizonte
da nossa existência, escutar o bater do nosso coração agitado ou mais
tranquilo.
Pressionados por uma imagem
social, pelo grupo, por aspirações de conforto que levam a um trabalho
desenfreado, perdemos os outros, deixámos de nos falar e as relações tornaram-se
violentas ou vazias de sentido. O nosso coração necessita, e aflito reclama, um
abraço, um carinho, uma palavra de consolo ou incentivo, reclama as relações
fraternas de amor.
A alma saudosa da paz
eterna busca em cada dia essa paz, geme com o Espirito e pelo Espirito,
tentando fazer brotar no coração do homem esse desejo de parar um minuto e
olhar sem medo nem pressa o rosto do seu Criador e Salvador.
E no turbilhão de
todas estas necessidades o Senhor recorda-nos as suas ordens, como o nosso
corpo é sagrado, como os outros são nossos irmãos, como o tempo é um dom e o
silêncio uma necessidade para o apreciar, como necessitamos encontrar-nos com
Ele para nos encontrarmos verdadeiramente connosco.
Que a paz brote em nós
neste Advento como uma nascente de água fresca e siga com remanso até às margens
da nossa vida.
Rio Rhône, junto do Chemin du Moulin des Frères, em Genebra.



