quinta-feira, 11 de junho de 2026

Medalhas de D. Miguel concedidas a Frades Dominicanos

Aos 20 de Julho de 1829, em audiência ao Padre Alvito Buela Pereira de Miranda, Sua Majestade concedeu a graça de poderem usar a Medalha de Ouro com a Sua Augusta Efige ao:

Reverendo Padre Frei Bento de Santa Joana e Silva, e a  seu irmão o Reverendo Padre Fr. Bernardo de São Joaquim, moradores no Convento  de  São Domingos  de  Guimarães;  

assim  como a sua   irmã  D. Maria Madalena de Pazzis Mendes  de  Matos, e a suas sobrinhas D. Ana Victoria  de Sousa Basto, D. Augusta Maria do Carmo de Sousa Basto, D. Maria  do Carmo de Sousa  Basto, e D. Eufrosina Inês de Sousa Basto, todas naturais e residentes na Vila de Guimarães; […]

Ao Reverendo Padre Prior, e Padres Religiosos do Convento de São Domingos da Vila de Viana do Minho, existentes no mesmo Convento no dia 2 de Fevereiro do ano de 1827, dia  em que emigrou  para  a Espanha com o Exército Realista do Comando do Tenente-General Marquês de Chaves; 

Ao Reverendo Padre Frei  Manuel de São Tomás do Barreiro, Pregador Régio Conventual do mesmo  Convento,  segundo  o  que  por  sua procuração  requereu  o dito  Padre  Alvito.

IN: Gazeta de Lisboa, 177, de 29 de Julho de 1829, páginas 730-731.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Espantados e cheios de medo julgavam ver um espírito! (Lc 24,37)

Espantados e cheios de medo julgavam ver um espírito! (Lc 24,37)

Quantas vezes paira na nossa cabeça esta questão, esta dúvida: a ressurreição de Jesus, as suas aparições aos discípulos não são uma ilusão, uma alucinação colectiva, uma construção narrativa. Não estaremos de verdade diante de um fantasma?

A narração da aparição de Jesus aos discípulos após o encontro a caminho de Emaús vem responder a este medo, a esta dúvida. A fé em Jesus ressuscitado não é uma ideia, uma construção ou ilusão, até uma emoção passageira fruto da dor e da desilusão.

As aparições de Jesus aos discípulos são um facto, e um facto bem real, são um encontro com uma presença real que se pode ver e tocar, que se alimenta para que não haja qualquer dúvida, qualquer engano nos sentidos tão fáceis de iludir e enganar. A manifestação de Jesus mostra que não há qualquer ambiguidade, não é possível estarmos iludidos e enganados.

Resulta assim necessário perguntar-nos se a nossa fé em Jesus ressuscitado é uma emoção, um sentimento vago, ou verdadeiramente um facto, um encontro que aconteceu ou acontece na nossa vida.

As emoções evaporam-se, extinguem-se com as circunstâncias mais ou menos adversas com a passagem do tempo. Como diz o ditado popular “o tempo cura tudo”, o tempo desvanece as cores e corrói as formas, levanta o pó e arrasta-o para longe dispersando-o na imensidão do deserto ou na escuridão da noite.

O que é real, o facto em si, o encontro pessoal permanece no tempo da memória, nas cicatrizes da pele, deixa uma marca em nós porque o outro levou uma marca nossa. Quem parte leva uma parte de nós e quem fica guarda uma parte daquele que partiu. O encontro pessoal com Jesus deixa-nos algo de si e leva algo de nós.

A aparição de Jesus aos discípulos que pensam ver um fantasma é uma lição, uma expressão da aprendizagem que devem fazer da sua presença. Ele permanece, ele está vivo, ele está presente e acompanha-nos para que o encontremos em qualquer virar de esquina da vida, uma vez mais com as mãos marcadas pelos cravos e disposto a sentar-se à mesa connosco para construirmos memória.

 

Ilustração:

Elemento do Crucifixo do Museu de San Matteo, Pisa.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Eles pararam com um ar muito triste! (Lc 24,17)

Eles pararam com um ar muito triste! (Lc 24,17)

Os discípulos a caminho de Emaús são uma imagem de nós próprios, quando feridos nas nossas expectativas e esperanças experimentamos a desilusão, quando o nosso coração partido em mil pedaços se questiona sobre o que sobra, onde ficamos, ao que nos podemos agarrar para não nos afogarmos na dor e no desespero.

Caminhando não se sabe para onde, talvez para bem longe da fonte do sofrimento, levamos espelhada no rosto e nas palavras, no ritmo do andar, a tristeza que nos corrói.

E é a este caminhar dorido e doloroso que Jesus se aproxima, sem pressas, colocando-se ao lado, caminhando em escuta, acolhendo e recolhendo a dor e a mágoa, a frustração e a decepção, tentando juntar os pedaços partidos e dispersos com muita paciência e atenção.

E recolhidos os pedaços, acolhidas as dores e as mágoas, a sua palavra brota como luz, como um fogo, para fazer arder os corações, para iluminar os cantos escuros, as incompreensões, as perspectivas enviesadas.

Por esta razão a sua Palavra continua a ser tão importante, tão necessária na nossa vida, porque nela podemos ler os nossos acontecimentos e a nossa história, não como num documento de análise, mas como num encontro com uma pessoa, com aquele cuja presença é vida e nos dá vida. A sua palavra impulsiona o nosso coração e coloca-nos em movimento, alenta-nos para não nos deixarmos esmagar pela dor e pela desilusão.

A desilusão pode assim ser uma passagem, uma Páscoa, em que vivemos o encontro com o Senhor e Mestre Jesus, uma experiência de encontro com Aquele que desce ao nosso encontro e ao encontro do inferno das nossas decepções.

Esta passagem e encontro não nos livra do sofrimento, nem da dor, mas devolve ao nosso coração o ardor, o desejo da libertação, a força para lutar, o ímpeto para recomeçar, partir de novo para uma nova história como o fizeram os discípulos, sem medo e cheios de alegria, ao regressar a Jerusalém.

Ilustração:

Rembrandt – Os dois discípulos e Jesus Cristo a caminho de Emaús. Colecção de desenhos do Museu do Louvre.

 

 

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Homilia Domingo V do Tempo Comum - Ano A

Vós sois o sal da terra, vós sois a luz do mundo!

Estas palavras de Jesus, dirigidas aos discípulos, podem passar-nos ao lado, podemos assumi-las como dirigidas aos outros, e desta forma descuidarmos a parte que nos toca; porque, na verdade, o que nos é dito é concretamente que tu, eu, nós, somos o sal da terra e a luz do mundo.

E como se esta individualização, esta personalização não bastasse, Jesus não se dirige a nós em termos de futuro, de uma meta, ou um projecto, mas fala de uma realidade bem presente, real, inerente à nossa condição. Somos sal e luz.

Assim, ser sal e luz no mundo não é uma ideia que cada um pode desenvolver, uma opção que fazemos face a um desafio, mas é uma inerência da nossa condição, da nossa identidade, de baptizados.

Face a isto, a grande questão, o desafio que se nos coloca, é como viver esta inerência, esta condição, como a nossa vida manifesta o sal e a luz que somos.

Muitas vezes somos tentados pelo número, pela quantidade, parece que temos de fazer mais coisas, estar mais implicados em outras coisas; outras vezes somos tentados pela superficialidade, passamos pelas realidades e pelas pessoas como borboletas pelas flores, ainda que estas contribuam para um processo que nós temos muita dificuldade de assumir, e contribuir, a fecundidade do outro.

Somos sal da terra e luz do mundo para mudar as coisas, para as enriquecer em qualidade e profundidade, para lhes dar gosto, sabor, para lhes dar um sentido elevado, para guardar a esperança e desenvolver a caridade, para iluminar as realidades do cansaço e do desespero, para dar uma vida nova, tornar o outro mais rico e fecundo com os dons que lhe são próprios.

A leitura do Profeta Isaías mostrava-nos como o repartir o pão, o acolher o pobre, o vestir o nu, conhecidas obras de misericórdia, são movimentos e instrumentos de iluminação, são pitadas de sal na vida de homens e mulheres nossos irmãos. A caridade, o olhar o outro com verdade na sua condição, abre uma passagem à luz de Deus.

Santo Agostinho, numa das suas Cartas (Carta 155) escreve que onde está a caridade aí está Deus, se queremos ver Deus temos de ver aquele que nos é oferecido para amar. Deus revela-se naquele que nos é próximo, que fazemos próximo, e oferece-nos a oportunidade de ser com eles sal e luz.

Contudo, as palavras de Jesus no Evangelho de São Mateus que escutámos deixam-nos também um aviso, um alerta tremendo: se não procurarmos ser sal, nem nos esforçarmos por ser luz, não servimos para nada, somos mero lixo que deve ser deitado fora. Descuidar-se de ser sal e ser luz, de viver a condição de baptizado é excluir-se, é condenar-se à esterilidade e à morte.

Há, no entanto, um cuidado e uma vigilância que não podemos deixar de ter, nem de exercer, quando procuramos ser sal da terra e luz do mundo, quando procuramos que a nossa vida não seja estéril. É o cuidado sobre a autorreferência, o combate contra a vaidade e o orgulho, do gosto pela imagem que produzimos diante dos outros.

Fazer alguma coisa boa para deslumbramento e glorificação diante dos outros, é um falso bem, um bem sedutor, mas que é uma mera manifestação do nosso egoísmo e orgulho. O bem verdadeiro que podemos fazer é aquele que aponta para o outro, é indicativo de um Outro que é Deus e fonte de todo o bem e toda a bondade, a verdadeira luz que ilumina, o verdadeiro sal que tempera e dá gosto à vida.

Por esta razão, e pela profunda verdade que o guia, São Paulo dirige-se aos cristãos de Corinto dizendo-lhes que se apresentou diante deles com temor e tremor, a tremer deveras, porque não era dele que devia falar, não era com linguagem sublime que se devia apresentar, mas apenas para falar de Jesus Cristo e Jesus Cristo crucificado. E foi nesta fraqueza e simplicidade qua a palavra funcionou, que foi fecunda, que o seu testemunho pôde ser acolhido e verdadeiro, porque foi espelho da luz, porque o seu testemunho deu esperança e gosto à vida daqueles que o escutaram.

É esta a missão que o Senhor nos confere, a cada um de nós, de procurarmos na simplicidade e na humildade, na pobreza dos nossos recursos e capacidades, levar a luz ao outro, mostrar-lhes a luz de Jesus, dar-lhes gosto pela vida bem vivida com Deus e por Deus.

Que o Senhor Jesus nos conceda esta graça durante esta semana que agora iniciamos.

 

Ilustração:

Iluminação numa zona de restauração em Trastevere, Roma. 19.11.2025.

domingo, 7 de dezembro de 2025

Homilia Domingo II do Advento - Ano A

Queridos Irmãos

As leituras de hoje do profeta Isaías e do Evangelho de São Mateus, com as suas imagens e metáforas podem distrair-nos da mensagem fundamental da leitura da Carta de São Paulo aos Romanos que escutamos neste segundo domingo do Advento e nos ajuda a caminhar em direcção ao Natal do Senhor Jesus.

Diz-nos São Paulo que tudo o que foi escrito no passado foi escrito para nossa instrução, e quando escrevia aos Romanos Paulo tinha presente os livros e textos do Antigo Testamento. Nós hoje temos não só esses textos, mas também os Evangelhos e todas as Cartas e textos que compõem o Novo Testamento, e tudo isto foi escrito para nossa instrução.

Assim, e antes de mais, temos de nos perguntar sobre a forma como vemos e lemos os textos sagrados que nos foram deixados. Assumimos que as palavras e as histórias, o que nos contam e revelam, são verdadeiramente para nossa instrução, para que possamos aprender e crescer como homens e mulheres, como filhos de Deus, para que possamos alcançar a nossa plenitude?

É que assumindo as palavras da Escritura Sagrada como motor transformador da nossa realidade e condição elas levam-nos à esperança de que também nos fala São Paulo, através da paciência e da consolação que são igualmente sentimentos de Deus. São Paulo pede aos cristãos de Roma que alimentem estes sentimentos divinos uns para com os outros.

Ao celebrar este segundo domingo do Advento, podemos e certamente devemos perguntar-nos sobre a forma como estamos a cultivar estes sentimentos, estas dimensões da nossa realidade e condição não só humana, mas também divina. Estamos a viver com paciência e consolação de modo a podermos esperar o Natal, de modo a podermos viver na luz e órbita da esperança divina que encarnou num menino indefeso e frágil?

Quando nos cruzamos com o transito automóvel das nossas cidades, com o desenfreado consumo na preparação das festas deste Natal e final de Ano, temos algum gesto, alguma atitude de paciência? Deixamos passar o outro à frente, deixamos de não buzinar, porque o trânsito não vai avançar com o ruido da nossa buzina!

Nesta caminhada de Advento podíamos certamente fazer um esforço para ser um pouco pacientes, um esforço para dar tempo e lugar ao outro, porque através desta paciência, desta espera, estamos a gerar uma esperança no coração dos outros, e no nosso próprio coração. Há alguém que me compreende, há alguém que também vive as minhas fragilidades e limitações, há alguém que não me olha nem me trata como um adversário, um inimigo a abater, mas como alguém igual a si. Uma atitude de compreensão, de paciência, desarma inevitavelmente o outro! E ao fazê-lo como poderíamos experimentar a paz e o convívio que profetizava Isaías na primeira leitura que escutámos hoje.

Nesta nossa caminhada de Advento podemos também ser consoladores, mais fraternos, viver esse acolhimento de uns para com os outros, de que também nos fala São Paulo nesta leitura da Carta aos Romanos. Quando nos dirigimos a alguém para consolar, para enxugar as lágrimas e erguer da sua prostração, estamos a mover-nos na esperança e a criar esperança, a nossa palavra, o nosso gesto, a nossa ternura e preocupação têm poder de aliviar o outro, de lhe restituir a alegria e a confiança, a esperança que tantas vezes falta.

E surpreendentemente isto acontece não por um acto mágico, não pela nossa imaginação criativa, ou até pelo nosso empenho e esforço, mas porque há em cada homem e mulher um gérmen interior e pessoal capaz de ser despertado, que nós podemos despertar com a nossa esperança viva e activa, com a nossa paciência e consolação, com a nossa atitude de fidelidade às palavras de Deus.

E é neste sentido que somos confrontados com o que diz São João aos fariseus e saduceus que se dirigiam ao baptismo no Jordão, mas não mudavam de vida, apenas cumpriam um rito exterior: “Deus pode suscitar destas pedras filhos de Abraão!”

São João não diz que Deus pode transformar aquelas pedras, num mero exercício exterior, num acto de todo o poder divino, mas diz que Ele é capaz de suscitar, de gerar desde o interior essa mudança fundamental; e é ela que verdadeiramente interessa, porque revolve as nossas entranhas, porque nos faz desabrochar para a vida como uma flor ao sol da primavera. A conversão não é assim uma mera roupagem que colocamos, um “outfit” determinado por um “dress code”, mas uma florescência interior da graça divina que irradia para todas as dimensões e camadas constitutivas da pessoa humana. E tal acontece porque a Deus nada é impossível, ele é capaz de transformar os corações mais duros e resistentes!

Transformados desde o interior com a graça de Deus, fiéis à palavra que nos é oferecida, cultivando a paciência e a consolação, podemos experimentar a paz universal que profetizava Isaías, podemos de facto conviver com o outro em harmonia e sem competição ou luta, podemos fazer parte verdadeiramente do presépio, congregar-nos à volta de um menino que nos é dado como filho e como rei, como a palavra mais amorosa de Deus para com todos os homens: Eis a paz de Deus para com a humanidade!


Ilustração:

“A Pregação de João Baptista”, pintura exposta na Galeria Borghese, Roma. 21.11.2025

 

 

sábado, 1 de novembro de 2025

Homilia da Solenidade de Todos os Santos


O filósofo do século dezoito Jean-Jacques Rousseau escreveu, no seu livro “Émile ou de l’éducation”, que todo o homem nasce naturalmente bom e inocente e que é a sociedade onde cresce e se forma que o perverte, tornando-o mau.

A revelação cristã, da qual Rousseau partiu para a sua formulação, assume também o mesmo princípio, o homem foi criado bom e inocente, mas capaz de agir em liberdade, e por isso foi possível romper a comunhão intrínseca com o seu criador, desobedecendo ao mandamento que lhe tinha sido dado de não comer do fruto da árvore

A revelação diz-nos que o homem não é o criador do mal, a origem do mal, mas consentindo nele o homem fica com o coração ferido, perde qualidades da sua natureza de criatura criada à imagem de Deus.

No Livro do Génesis há uma imagem que nos ajuda a compreender esta realidade do homem, bem como a acção e misericórdia de Deus para com ele.

Após ter comido do fruto da árvore proibida o homem vê-se nu, percebe-se despido, ou seja, sem a glória que o revestia desde o momento da sua criação pela mão de Deus e que o devia elevar e manter em relação com o seu criador. Diante desta nudez, o homem procura revestir-se com as folhas da figueira, tapando assim a sua vergonha, fruto “de se ter rebaixado tão profundamente em relação à dignidade que fora a sua condição primeira”. (Varden, Castidade, 36)

E nas leituras que frequentemente nos são propostas do relato da queda de Adão é aqui que terminamos, deixando de fora um versículo extremamente importante, no qual nos é dito que Deus cobre o homem e a mulher com uma roupa de peles para que eles possam sobreviver, para que possam conviver um com o outro.

“As vestes de pele dadas por Deus são um manto de misericórdia, um sacramento de bondade. Embora despojado de glória, Adão continua envolto na graça. Protege a existência actual de Adão, salvaguardando a sua natureza icónica num cenário de afastamento.” (Varden, Castidade, 37)

Esta roupa, estas peles que nos cobrem, manchadas por dentro pela desobediência primordial, confiadas pela misericórdia e bondade de Deus, são as túnicas brancas que obrigatoriamente devem ser purificadas e lavadas no sangue do Cordeiro de que nos fala a leitura do Livro do Apocalipse de hoje.

“E quanto mais conscientes estivermos de que estamos revestidos de misericórdia, mais serenamente poderemos viver connosco próprios, com os nossos desejos e defeitos, contradições e esperanças”, (Varden, Castidade, 44), e mais coragem e esperança teremos para mergulhar no banho do sangue e da água do Cordeiro, que é o que nos recorda a multidão dos santos que hoje celebramos.

Também os santos, com as suas limitações e fraquezas, com as circunstâncias da sua humanidade e história, procuraram lavar as suas peles no sangue do cordeiro, procuraram purificar-se a si próprios, como nos recorda a Carta de São João que escutámos, assimilando e integrando nas suas vidas a misericórdia de Deus, transformando as suas vidas em mecanismos de bondade, graças à esperança que os habitava.

Ao celebrar os santos recordamos que a santidade é acolher a graça de Cristo, e deixar desenvolver no tempo e nas circunstâncias próprias de cada um o amor com que o Pai nos consagrou adoptando-nos como filhos. A santidade e a salvação que nos é oferecida é assim uma realidade que se acolhe, um dom que se recebe, e por isso podemos e devemos libertar-nos da ilusão da conquista que tantas vezes nos alcança no nosso orgulho.

A santidade não é assim um presente a oferecer a Deus, uma oferta da nossa vida, mas um tesouro que nos é oferecido, que devemos recolher das suas mãos, pois como nos recorda a Palavra da Escritura foi Ele que nos amou primeiro, é Ele que vem antes de nós nos erguermos e nos pormos a caminho. A Santidade está do lado do consentimento, da nossa disponibilidade e abertura para receber a graça, o Espírito Santo, e fazer frutificar todos os seus dons.

Por esta razão a enunciação das Bem-Aventuranças se inicia pela bem-aventurança dos pobres de espírito, ou pobres de coração, pois só aqueles que se reconhecem pobres, carenciados, em necessidade estão dispostos a acolher, só os que têm fome podem ser saciados.

Desta forma a santidade que nos é oferecida e procuramos viver não pode ser tratada como um negócio de perfeição moral, de performance dos mandamentos e preceitos; assim como não pode ser tratada como uma força especial de carácter, ou um equilíbrio psicológico e relacional excepcional. Se assim fosse quantos daqueles que veneramos estariam excluídos pelas suas contradições e histórias desalinhadas.

Podemos e devemos dizer que os santos são nossos antepassados, membros das nossas famílias, e nós somos seus herdeiros nas fraquezas e deslizes assim como na graça que lhes foi oferecida e acolheram, e também a nós nos é oferecida e podemos acolher ou recusar.

A vida, as histórias pessoais, o tempo dos santos, manifestam a capacidade do nosso coração para acolher o tesouro de Deus, para nos deixarmos amar, consolar, ajudar e reerguer por Ele. É a dinâmica própria da graça da santidade.

Por isso não podemos esquecer nem guardar silêncio desta grande maravilha, desta grandeza que nos é disponibilizada. “Somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que havemos de ser” (1Jo 3,2), mas sabemos que na medida em que nos formos assemelhando a Deus poderemos vê-lo tal como Ele é e manifestá-lo aos outros espelhado na bondade do nosso coração.

Que a luz de Cristo Jesus nos atraia e guie neste caminho de semelhança.


sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Frei José Pereira - Assento de Óbito - 1862 Dezembro 15


Assento de óbito de Frei José Pereira

Aos quinze dias do mês de Dezembro do ano de mil oitocentos, sessenta e dois, pelas nove horas e meia da noite na casa número cinco da Rua d’Altamira desta freguesia de Nossa Senhora de Monserrate da Cidade e Concelho de Viana do Castelo, Diocese de Braga faleceu, tendo recebido os Sacramentos da Santa Madre Igreja, um indivíduo do sexo masculino por nome o Reverendo José Pereira, de idade de cinquenta e nove anos, da extinta Ordem dos Pregadores e actualmente Abade da Freguesia de Sub Portela, natural e baptizado na freguesia de São Sebastião da cidade de Guimarães do mesmo Concelho, Diocese de Braga, morador na residência da sua supramencionada freguesia de Sub Portela, e nesta acidentalmente por causa de moléstias, filho legítimo de Pedro José Pereira, Negociante, e de Dona Rosa Maria do Bom Pastor naturais da referida freguesia de São Sebastião; cujos avós paternos e maternos, e as suas naturalidades se ignoram por não achar pessoa que deles me desse notícia; o qual fez testamento. Seu corpo, precedendo a licença das respectivas Autoridades, foi conduzido, e sepultado na dita Igreja Paroquial de Sub Portela. E para constar lavrei em duplicado este assento que assino. Era ut supra.

Cónego Prior Francisco Pedro de Araújo Lima

[À margem esquerda]

Nº 73

O Padre José Pereira – Abade da Freguesia de Sub Portela.

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Frei João Ribeiro Guimarães - Assento de Óbito - 1860 Março 11


Assento de Óbito de Frei João Ribeiro Guimarães

Aos onze dias do mês de Março do ano de mil e oitocentos e sessenta, às três horas da manhã, na Rua da Sé desta Freguesia da Vera Cruz da Cidade e Diocese de Aveiro, faleceu João Ribeiro Guimarães, maior de oitenta anos de idade, Presbítero egresso da extinta Ordem de São Domingos; filho legítimo de João Ribeiro Guimarães e Maria Luísa de Jesus, aquele natural da Cidade de Guimarães, e esta da freguesia de Eixo. Os nomes de seus avós ignoram-se. Recebeu o Sacramento da Penitência e da Unção. E para constar lavrei o presente assento em duplicado e que assinei. Era ut supra

O Presbítero João José Marques da Silva Valente.

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Frei Manuel da Conceição - Assento de Óbito - 1808 Julho 08


Assento de Óbito de Frei Manuel da Conceição.

Aos oito dias de Julho de mil e oitocentos e oito anos faleceu da vida presente de uma perniciosa Frei Manuel da Conceição Religioso de São Domingos assistente nas encarneiradas deste termo em casa da sua mãe Joaquina Lopes viúva de Manuel de Matos; teria de idade trinta e cinco anos pouco mais ou menos; recebeu os Sacramentos, que se ministram aos enfermos, e foi sepultado no mesmo dia em sepultura da fábrica, e para que conste fiz este assento que assino. Gavião era ut supra

O Reitor Cura José dos Santos.

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

Frei Manuel de Santo António Basto - Assento de Óbito - 1834 Julho 17

Assento de Óbito de Frei Manuel de Santo António Basto 

Aos dezassete dias do mês de Julho de mil oitocentos, e trinta e quatro, faleceu repentinamente vindo para casa da sua irmã de jornada, e ao subir a escada da mesma casa lhe deu um ataque apoplético de que rapidamente faleceu sem sacramentos, nem testamento, o Reverendo Manuel de Santo António Basto, ex Religioso de São Domingos, e Capelão que era do Batalhão de Caçadores Nº 3 destacado na Cidade de Bragança, e falecido em casa da sua Irmã da Rua da Fonte da Corcova desta Freguesia, e dela mesma natural, foi seu corpo envolto em as vestes sacerdotais, e de minha licença enterrado  com Oficio de Sepultura cantado na Igreja da Ordem Terceira de caixas e grades acima; e no dia vinte e um teve Oficio de trinta e seis padres, e Missas gerais de esmola de cento e oitenta reis, que tudo lhe mandou fazer sua irmã Maria Joaquina de Oliveira viúva por bem e de mais do que o que tinha do dito finado, e está satisfeito, e para constar fiz este assento, era ut supra.

O Abade João Ribeiro Pereira.

domingo, 31 de agosto de 2025

Frei António Osório - Assento de Óbito - 1865 Outubro 04

 

Assento de Óbito de Frei António Osório, OP


Aos quatro dias do mês de Outubro do ano de mil oitocentos sessenta e cinco, pelas três horas da tarde, no quarto andar, lado direito, do prédio número duzentos e dois da Rua da Madalena desta Freguesia de Santa Justa, bairro do Rossio, Concelho e Patriarcado de Lisboa, faleceu, não tendo recebido os Sacramentos da Santa Madre Igreja, um individuo do sexo masculino por nome António Osório, Eclesiástico, Egresso da Ordem extinta Dominicana, de oitenta e sete anos de idade, morador na referida casa da Rua da Madalena, natural de Valdigem, Concelho e Bispado de Lamego, filho legítimo de José Carlos da Fonseca Osório e de Maria Inácia da Fonseca,
  aquele natural de Lamego, ignorando-se desta a sua naturalidade, tendo sido ambos proprietários. Fez testamento e foi sepultado no Cemitério público do Alto de São João. E para constar lavrei em duplicado este assento, que assino. Era ut supra.

O Prior Francisco António Lopes Nogueira da Silva


domingo, 24 de agosto de 2025

Frei Nicolau de Almeida e Silva. 1780 - 1848

 

Frei Nicolau de Almeida e Silva nasceu em Lisboa a 9 de Outubro de 1780, sendo baptizado passado poucos dias, a 15 de Outubro, na igreja paroquial da Pena, em Lisboa.

É filho legítimo de José de Almeida e Silva, natural do Sítio de Nossa Senhora da Nazaré, na freguesia de Nossa Senhora das Areias da Vila de Pederneira, termo de Lisboa, e de sua mulher Gertrudes Rosa Xavier de Bastos e Silva, natural da freguesia de São Paulo em Lisboa, unidos em matrimónio na Sé de Elvas em 19 de Setembro de 1768, onde ele era morador e ela foi representada por seu tio com procuração.

Pela via paterna frei Nicolau é neto do Alferes João de Almeida e Silva e de Inácia Maria de são José, e pela via materna de José Xavier Gonçalves Basto e Rosa Laureana Xavier de Pancas e Silva.

Foram seus padrinhos o Reverendo Cónego da Sé de Elvas Nicolau de Almeia de Silva, seu tio por parte paterna, e Nossa Senhora do Monte do Carmo, que foi invocada como madrinha, sendo por isso tocado com a sua relíquia pelo Reverendo Lourenço José Simplício, igualmente tio do menino.

Em Março de 1796, quando Frei Nicolau de Almeida e Silva está a prestes a atingir os dezasseis anos, o Prior Provincial Frei Agostinho da Silva, Mestre em Santa Teologia, Consultado do Santo Ofício, Examinador das Três Ordens Militares e Sinodal do Patriarcado e Bispado de Leiria, envia ao Prior e Padres do Convento de São Domingos de Elvas a Patente para procederem às inquirições sobre o candidato ao Hábito dominicano.

Dois meses depois, em Maio de 1796, o Prior de Elvas Frei Teodoro de Santa Joana Vasconcelos, com o escolhido escrivão Frei Francisco de São Vicente Ferrer, procede às inquirições, escutando para isso quatro testemunhas: Vitorino António Pereira Cardoso, Capelão do Regimento de Cavalaria da cidade de Elvas, Joaquim António Durão, Tenente do Regimento de Cavalaria, de 60 anos, José do Rego Maio, de 38 anos de idade e António Basílio Oliveira, também de 38 anos de idade.

Do resultado destas inquirições resulta a Patente de Admissão à Ordem de São Domingos como Frade de Coro, passada em Lisboa a 20 de Maio de 1796 pelo Prior Provincial Frei Agostinho da Silva, na qual se pede que o candidato seja examinado na língua latina e votado secretamente pelos padres do Convento, para que a admissão tenha efeito.

Do período de formação e primeiros anos de vida conventual não temos neste momento informação, apenas conseguimos encontrar em Agosto de 1811 a sua Assignação do Convento de Évora para Azeitão, deixando-nos assim a suposição que antes desta data Frei Nicolau estaria assignado ao Convento de São Domingos de Évora.

Dois anos passados, Novembro de1813, é assignado para Elvas, e passados mais dois anos, em Dezembro de 1815, regressa a Azeitão, onde vai ficar poucos meses, pois em Março de 1816 é assignado para o Convento de Benfica. Ano e meio depois, em Novembro de 1817 é assignado ao Convento do Pedrógão.

Entretanto algumas movimentações devem ter ocorrido, porque em Maio de 1822 uma Portaria Régia determina o envio de Frei Nicolau de Almeida e Silva do Convento de Santarém para o Convento de Abrantes.

Neste ano de 1822 vários frades são assignados e movimentados em consequência das suas posições políticas. Será o caso de Frei Nicolau? É possível.

O que sabemos é que em Maio de 1823, o Religioso Converso da Província de Santo António de Portugal, Frei António da Mãe dos Homens, apresenta uma queixa contra Frei Nicolau de Almeida e Silva, e outros frades, que se apresentam na grade do Mosteiro de Odivelas seduzindo as religiosas, entre elas duas sobrinhas do denunciante, a abandonarem o Mosteiro.

Desconhecemos os resultados desta queixa, apenas podemos constatar que no mapa de Todos os Conventos e Frades elaborado em 1828 ou 1829, Frei Nicolau é apresentado como membro da Comunidade do Convento de São Domingos de Lisboa, embora ausente.

Frei Nicolau de Almeida e Silva está também ausente das Relações dos Religiosos Egressos que se candidataram às prestações em 1836 e 1837.

Não corresponderia aos quesitos necessários, devido à sua posição política?

Estaria já empregado em algum ofício eclesiástico, como pároco?

Nesta dúvida decorrem os onze anos que levam à notícia da sua morte.

Frei Nicolau de Almeida e Silva, morre a 29 de Março de 1848, na Travessa da Espera na Paróquia da Encarnação em Lisboa, não fazendo testamento e sendo sepultado no cemitério dos Prazeres.

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

Frei Nicolau de Almeida e Silva - Assento de Óbito - 1848 Março 29

Assento de Óbito de Frei Nicolau de Almeida e Silva, OP

Aos vinte e nove dias do mês de Março de mil oito centos quarenta e oito na Travessa da Espera faleceu, tendo recebido todos os Sacramentos dos Enfermos, o Reverendo Nicolau de Almeida e Silva, natural de Lisboa, idade de sessenta e oito anos, Sacerdote e Egresso do extinto Convento de São Domingos desta Cidade, não fez testamento e foi sepultado no Cemitério dos Prazeres.

O Coadjutor Joaquim Ferreira de Almeida

Frei Nicolau de Almeida e Silva - Patentes de Inquirição e Admissão à Ordem dos Pregadores

1796.Março.20

Patente de Inquirições emitida a favor de Nicolau de Almeida e Silva, pelo Prior Provincial Frei Agostinho da Silva.

Frei Agostinho da Silva Mestre em Santa Teologia, Consultado do Santo Ofício, Examinador das Três Ordens Militares, e Sinodal do Patriarcado, e Bispado de Leiria, e Prior Provincial da Ordem dos Pregadores de Portugal.

Por quanto determinamos receber ao hábito de Noviço da nossa Sagrada Ordem a Nicolau de Almeida e Silva natural da cidade de Elvas Freguesia de Alcáçova, filho de José de Almeida e Silva natural do Sítio da Pederneira termo de Lisboa, e de Gertrudes Rosa Xavier de Faria Bastos e Silva natural de Lisboa Freguesia de São Paulo: Neto pela parte Paterna do Alferes João de Almeida e Silva, e de Inácia Maria de São José ambos naturais da Pederneira, e pela Materna de José Xavier Gonçalves Basto, natural de Lavre e de Rosa Laureana natural de Lisboa, e é necessário para esse efeito constar judicialmente da probidade, vida, e costumes do dito Nicolau de Almeida e Silva; Pela presente cometemos ao Reverendo Prior Presentado do nosso Convento de Elvas que com um Religioso que tomará para Escrivão, a quem dará o juramento dos Santos Evangelhos, e também o receberá das suas mãos, prometendo ambos sob cargo dele guardar fidelidade, e segredo de que se fará termo por ambos assinado, tirem o Instrumento de Inquirição do sobredito Nicolau De Almeida e Silva, pelos Interrogatórios adiante declarados.

Dada neste nosso Convento de Lisboa sob nosso sinal e selo, aos 20 dias do mês de Março de 1796.

Primeiramente serão perguntadas se conheceram ao dito Nicolau de Almeida e Silva que pretende ser Noviço natural na cidade de Elvas, a seus Pais, e Avós paternos e maternos e suas naturalidades, e Freguesias e do que tem por esta parte os conhecem, e que razões têm para o seu conhecimento.

 

Segundo se sabem que o dito pretendente Nicolau de Almeida e Silva é filho legítimo, e de legítimo Matrimónio de seus pais acima referidos; se é de boa vida, e costumes, sem embaraço para o Estado Religioso: se combateu alguns crimes, se foi expulso de alguma Religião, ou dela saiu sendo Noviço.

Terceiro se sabem ou ouviram dizer, e é pública voz, e fama, que o dito pretendente seus pais, avós de ambas as partes, e os mais ascendentes cometeram algum crime de Lesa-Majestade Divina ou Humana, e se foram castigados pelo Santo Ofício.

Quarto se sabem ou ouviram dizer, e é pública voz, e fama, que o dito pretendente, seus pais, avós de ambas as partes, e os mais ascendentes é de gente honrada que não tenham servido ofícios infames na República.

Quinto se sabem ou ouviram dizer que o dito pretendente tenha dívidas ou contas com alguém, e se deu Palavra de Casamento a alguma mulher, por cujo motivo esteja legitimamente impedido para ser Religioso.

Sexto que digam do costume, ratifiquem o seu julgamento, e ser verdade tudo que têm dito porque o sabem, e por ser assim pública voz, e fama, sem rumor em contrário; e ajuntará a este Instrumento de Inquirições, Certidão do Batismo do pretendente, como dos pais, e avós de ambas as partes.

Frei Agostinho da Silva

Prior Provincial 

Registado a folhas 48

Frei Jorge José da Gama

Loco socii.

1796.Maio.20

Patente de Admissão a Noviço de Coro de Frei Nicolau de Almeida e Silva, passada pelo Prior Provincial Frei Agostinho da Silva.

Frei Agostinho da Silva, Mestre em Santa Teologia, Consultor, e Censor do Santo Ofício, Examinador das Três Ordens Militares, e Prior Provincial da Ordem dos Pregadores nestes Reinos de Portugal, etc.

Pela presente damos licença ao Reverendo Padre Presentado Prior Frei Teodoro de Santa Joana e Vasconcelos, e mais Religiosos do nosso Convento de São Domingos de Elvas para receber ao hábito de Noviço do Coro a Nicolau Almeida e Silva, filho legítimo de José de Almeida e Silva e de Dona Gertrudes Rosa Xavier da Silva e Bastos, sendo limpo de geração, tendo a idade necessária, constando ser de boa vida e costumes, sendo examinado de latim diante dos Padres Padres do Conselho do dito Convento, e aprovado pela maior parte dele, e recebido por votos secretos, tendo todas as mais partes, e condições necessárias, conforme a disposição do Concílio Tridentino Secção 25 Capítulo 15 du Regularibus, ordenações Apostólicas, e de nossas Sagradas Constituições, Disposição 1ª de Recepiendis, Capítulo 13, e Actas de Capítulos Gerais, e Provinciais, as quais todas havemos aqui por expressas, e declaradas.

Dada neste nosso Convento de São Domingos de Lisboa sob nosso sinal, e selo aos 20 de Maio de 1796

Frei Agostinho da Silva

Prior Provincial

Registado a folhas 48.

Frei Jorge José da Gama

Presentado Loco socii.

 

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Frei Tomás Vicente de Sousa Barros - Despesas para entrada na Ordem

A nota das despesas efectuadas aquando da entrada de Frei Tomás Vicente de Sousa Barros no noviciado em São Domingos de Benfica em 1799, mostra-nos o que cada candidato à época teria mais ou menos de levar para entrar no Convento.

RESUMO DA DESPESA 

Resumo da despesa feita com o preparo, e entrada do Senhor Tomás Vicente de Sousa Barros para Religioso de São Domingos Ordem dos Pregadores, no seu Convento de Benfica, aonde se recolheu, e tomou o Hábito no dia de hoje 16 de Maio de 1799, a saber:

Para Comedoria

100$000

Para trastes da Sela

24$000

Para Pano de Linho para refeitório e sacristia

30$000

Para cera para a sacristia

12$000

Para Depósito

9$600

Para a Província, e Secretário para Patente

12$800

Para a Merenda dos Noviços, e barbeiro

2$880

Para Propinas de Tabaco, e dita em dinheiro

29$180

220$460

Para Dinheiro que recebeu, e levou para dar ao do Aviso  

96$000

Para 17 Côvados de sarja para capa e capelos a 800 reis

13$000

Para 1, 3/4 ditos de pano branco para calção a 900

1$125

Para feitio e aviamento dos calções de pano e ganga

1$920

16$645

Para 1 correia pronta para cingir

$140

Para 1 colher, garfo, e faca para mesa

$240

Para tesoura para papel de palmo

$300

Para 1 arrátel de rolo em 4 de tinta

$560

Para 1 quarteirão de penas para escrever

P$140

Para encadernação das Horas

$200

1$580

Para 2 baús em cabelo de 4 palmos a 4.600

9$200

Para Carteiro dos mesmos a casa

$060

Para porte de 3 Cartas e busca de uma delas

$070

9$330

Para Sege, e gorjeta, em que foi para a entrada

1$320

Reis

345$335

Amorim

 

 

Madre Dona Maria da Glória - Mosteiro Santa Joana - Assento de Óbito - 1887 Janeiro 20

 

Assento de Óbito da Madre Dona Maria da Glória, do Mosteiro de Santa Joana de Lisboa

Aos vinte de Janeiro de mil oitocentos oitenta e sete, à uma hora da tarde, no Convento de Santa Joana, desta freguesia do Santíssimo Coração de Jesus, de Lisboa, faleceu com o Sacramentos, um individuo de sexo feminino Dona Maria da Glória, Religiosa no mesmo Convento, de oitenta e cinco anos, natural da freguesia de Nossa Senhora da Piedade de Santo Quintino, concelho de Arruda dos Vinhos, deste Patriarcado; filha legitima de Custódio José Calisto e Dona Ana Rita. Foi sepultada no cemitério Oriental, jazigo mil quatrocentos oitenta e três. Ignoro os demais esclarecimentos. E lavrei em duplicado este assento que assino.

O Prior Eduardo António Ribeiro Cabral.