Alguns fariseus e partidários de Herodes aproximam-se de Jesus com intenção de lhe armarem uma cilada, de o apanharem de modo a poderem acusá-lo e dar-lhe a morte.
Aproximam-se com segundas intenções, com a mentira no coração, mas apesar disso com a verdade nos lábios.
Aproximam-se reconhecendo não só Jesus como Mestre, mas sobretudo que vive na verdade, que é sincero e não se deixa influenciar nem faz acepção de pessoas.
Ainda que armadilhada a afirmação não deixa de ser um grande elogio para Jesus, não deixa de ser a confirmação daquilo que Jesus dirá de si próprio “eu sou o caminho, a verdade e a vida”.
Tal como estes homens também nós algumas vezes nos aproximamos de Jesus com palavras suaves, com uma segunda intenção no coração, uma vez que não é fácil enfrentar a verdade e a sinceridade de Jesus, a verdade e a sinceridade que nos pede.
Quantas vezes a nossa concepção do seguimento de Jesus não se deixa obscurecer por uma fuga das exigências desse mesmo seguimento, enquanto que outras vezes está no lado oposto do que verdadeiramente significa seguir Jesus.
E neste sentido, temos que ter presente que a moeda que Jesus pede àqueles fariseus, e a referência à imagem nela cunhada, nos convida a um sentido verdadeiro do seguimento, a uma compreensão mais perfeita do que significa ser cristão.
De facto, o que está em causa é a verdade da imagem, porque estamos chamados a ser verdadeira imagem de Deus, a desenvolver em nós um coração grande e misericordioso como o de Deus Pai, uma sinceridade pura que permita reconhecer a verdade dos outros enquanto imagens de Deus.
Tal como nos diz São João na sua Primeira Carta (5,20) “em Cristo Jesus nós estamos naquele que é a verdade”, o verdadeiro, e por isso todo o nosso esforço desse consistir em permanecer nele.
Que o Espírito Santo nos ilumine o coração e nos fortaleça nesse desejo de permanecer sempre em perfeita união com Deus e com os irmãos.
Ilustração: “O tributo a César”, de Jacek Malczewsli, pintor simbolista polaco.


