quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Sobre os defeitos

 
Sempre recusei ver os defeitos dos homens que eu admirava. Finalmente acredito ter ganho bastante com isso.
Marie-Alain Couturier

Ilustração: Busto de Luís XIV de Bernini no Palácio de Versalhes.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Sobre o amor do bem

 
Alguns amam o bem porque ele é o bem, perfeição do homem. Outros simplesmente porque ele nos conforma e nos une a Deus apenas amado.
Marie-Alain Couturier

Ilustração: Ramo de rosas brancas.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

A dignidade da arte

 
O que faz a dignidade da arte é ela elevar o corpo, os sentidos, ao modo de conhecimento dos espíritos, desinteressado, sem contacto e sem possessão.
Marie-Alain Couturier

Ilustração: Escultura de Diana caçadora no Palácio de Versalhes.

domingo, 3 de novembro de 2013

Homília do XXXI Domingo doTempo Comum

Zaqueu é certamente uma das figuras mais conhecidas e populares dos Evangelhos e essa popularidade advêm-lhe da circunstância do seu encontro com Jesus, do ridículo a que se sujeita para poder ver Jesus. Como tão frequentemente acontece gostamos de nos rir das desgraças dos outros.
Diz-nos o Evangelho de São Lucas que Zaqueu não só era um homem rico, como era o chefe dos publicanos da cidade de Jericó, razão para ser temido e odiado, pois tinha o poder de dialogar directamente com os opressores romanos e de se aproveitar do dinheiro que cobrava dos impostos. Esta relação com o poder estrangeiro e a sua actividade fiscal colocava-o nas fronteiras da sociedade judaica, na marginalidade face ao grupo e à religião.
São Lucas refere-nos ainda que Zaqueu era de pequena estatura, limitação física que diante da possibilidade de ver Jesus foi usada, por aqueles que Zaqueu explorava, para se vingarem dele. Que melhor oportunidade que aquela para lhe fazer sentir na pele a humilhação da injustiça e da exploração?
Face a estas limitações e circunstâncias Zaqueu age habilmente como sempre fez e como homem calculista vai antecipadamente colocar-se num lugar mais à frente e sobe a uma árvore para poder ver Jesus que passa.
Podemos imaginar o riso, a chacota, que tal atitude provocou, pois um dos homens mais importantes da cidade é obrigado a subir a uma árvore para poder ver Jesus. O seu poder e o seu dinheiro não lhe permitiam afinal tudo.
É face a esta ousadia de Zaqueu que Jesus ao passar por ali o olha e o convida a descer e a acolhê-lo em sua casa. Jesus vem ao encontro do desejo de Zaqueu, como vem ao encontro do desejo de cada um de nós. Tal como refere o Evangelho de São Lucas, Jesus tem necessidade de ficar naquela casa, na casa de Zaqueu.
Ao dirigir-se a Zaqueu e ao querer ficar na sua casa Jesus manifesta a necessidade de ter alguém que o acolha, manifesta a sua indiferença face às alturas e aos estatutos dos homens, manifesta a inversão do processo de conhecimento de Deus.
Zaqueu tinha subido a um sicómoro para ver Jesus, mas ao pedir-lhe que desça das alturas em que se colocou, Jesus mostra-lhe, como nos mostra a cada um de nós, que não é nas alturas que devemos procurar Deus, mas descendo à nossa condição, percebendo o próprio mistério da encarnação que é igualmente uma descida à nossa condição humana.
O convite de Jesus a que Zaqueu desça do sicómoro é um convite à humanização do conhecimento e da relação com Deus, que se tornou próximo, que se fez um de nós, que encarnou no Jesus de Nazaré. Deus deixou de necessitar de estratégias de aproximação porque vem ao encontro da humanidade.
E vem ao encontro da humanidade sem olhar a estatutos ou condições, sem se importar se somos mais ou menos pequenos, mais ou menos pecadores. Deus vem ao encontro de todo o homem porque é sua criatura e porque no coração de cada um habita esse desejo do encontro.
No caso de Zaqueu, como em tantos outros nos Evangelhos, e até no próprio mistério da incarnação, Deus sujeita-se à crítica, sujeita-se à desconsideração por parte daqueles que se consideram bons, puros e inteligentes. Deus e Jesus aceitam ser criticados pela sua misericórdia, pelo facto de acolherem e deixarem-se acolher pelos pecadores, por aqueles que não tem lugar na sociedade.
Este movimento, esta acção de Deus, tem com resultado primário a alegria que Zaqueu experimenta ao receber Jesus em sua casa, um resultado que se repercute na mudança de vida, na conversão, que em Zaqueu se traduziu na restituição daquilo que não era dele.
Jesus continua hoje a dizer-nos que quer ficar em nossa casa, continua a convidar-nos a descer dos nossos esquemas religiosos para nos encontrarmos intimamente com ele numa relação pessoal e próxima, continua a oferecer-nos a alegria que nasce do seu encontro e da sua habitação em nós.
Diante deste convite e desta oferta, importa perguntar se estamos dispostos a esta experiência com todas as suas consequências, se a ousadia e irreverência de Zaqueu são também nossas. Estou eu disposto a dar o meu testemunho de fé ainda que tal provoque os outros na sua apreciação e consideração?
Que a confiança em Deus que vem ao nosso encontro, que quer ficar em nossa casa, nos liberte do medo e dos respeitos humanos que impedem ou obscurecem a ousadia do nosso testemunho de fé.

 
Ilustração: Medalhão decorativo dos confessionários da igreja da Abadia de Saint-Gallen com o episódio de Zaqueu.

A grande obra é o teu coração

 
Porquê obstinar-se por grandes obras? A tua “obra” é o teu coração.
Marie-Alain Couturier

Ilustração: Fachada do corpo central do Palácio de Versalhes vista do jardim.

sábado, 2 de novembro de 2013

A aspiração da alma

 
A nossa alma suspira a sair do estreito círculo desta vida, a libertar-se do peso deste corpo terreno e a caminhar para aquela assembleia eterna onde só chegam os santos, para aí cantar o louvor de Deus.
Santo Ambrósio, Livro sobre a morte de seu irmão Sátiro

Ilustração: Coroa da cúpula da Basílica do Rosário em Lourdes.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Deus incarna no nosso sim

 
Quando uma alma responde “fiat” à Vontade divina, produz-se qualquer coisa de semelhante ao que se passou em Maria, Deus incarna.
Marie-Alain Couturier

Ilustração: Pintura da Anunciação no tecto da igreja da Encarnação ao Chiado.