quinta-feira, 11 de março de 2010

A cura do mudo por Jesus

Um mudo é curado e a multidão fica admirada. Outros olham o milagre e questionam invejosamente no seu coração o poder com que o milagre é feito.
O mudo é curado, curado não pelo poder do senhor das moscas, significado etimológico de belzebu, como alguns pensam em seu coração, mas pela própria Palavra que se fez carne, que se fez homem como nós para nos curar de todos os nossos mutismos, surdezes e cegueiras.
Foi a Palavra que nos criou, foi a Palavra que nos transmitiu os mandamentos, foi a Palavra que ecoou na voz dos profetas, foi a Palavra que veio até nós, foi a Palavra que na cruz nos resgatou da morte que ela mesma experimentou na nossa carne.
Como é possível que ainda estejamos mudos, que ainda nos deixemos distrair pelo ruído de fundo do senhor das moscas que não quer mais que distrair-nos da Palavra que nos pode dar a vida?
A vinda da Palavra até nós é um convite à abertura dos nossos ouvidos bem como ao louvor que a palavra nos possibilita. Vivamos assim as realidades diversas da Palavra, da que nos é possível e da de Deus que é verdade.

quarta-feira, 10 de março de 2010

O Convento de São Domingos de Benfica em 1551

Em 1551, o Arcebispo de Lisboa D. Fernando de Meneses Coutinho de Vasconcelos ordenou ao seu Guarda Roupa Cristóvão Rodrigues de Oliveira que elaborasse um relatório dos rendimentos do arcebispado e das diversas igrejas que o compunham, bem como das gentes que habitavam e formavam a cidade.
Tendo primariamente um objectivo económico, este inquérito permite-nos hoje ter uma visão da cidade de Lisboa não só a nível dos rendimentos eclesiásticos, mas também social e religioso, pois permite-nos um conhecimento do universo congregacional que habitava a cidade e das devoções que nela se desenvolviam através das irmandades e confrarias.
O resultado deste levantamento foi publicado poucos anos mais tarde, possivelmente em 1554, na oficina de imprensa de Germão Galhardo. O autor justifica a publicação do sumário, pois assim se chama a obra, dizendo que os dados recolhidos eram demasiado importantes para o conhecimento da cidade e da sua vida para que ficassem reservados apenas a uma pessoa ou a um grupo restrito.
Obviamente que neste Sumário encontramos dados sobre os conventos dominicanos que havia na cidade. Sobre o Convento de São Domingos de Benfica encontramos o seguinte:
O convento situa-se a meia légua fora dos muros da cidade e nele habitam 33 frades professos.
Tem 5 capelas de missa quotidiana e administradores e ainda celebra mais algumas missas pelas almas dos fiéis defuntos.
Vale a renda do convento 2.500 cruzados. E tem 6 servidores para a comunidade.[1]

[1] SUMÁRIO em que brevemente se contém algumas coisas assim eclesiásticas como seculares que há na cidade de Lisboa. Lisboa, Germão Galhardo, 1554. BNL-RES-84-V – http://purl.pt/14435

terça-feira, 9 de março de 2010

O Postulantado Dominicano Português

O postulantado, ou pré-noviciado como também é conhecido, é o tempo que os candidatos à Ordem experimentam e vivem antes de entrarem para o noviciado. É assim a primeira etapa do aspirante no caminho até à profissão solene, momento da decisão e compromisso definitivo com a Ordem.
Durante muitos anos este tempo de aprendizagem e aproximação não teve um carácter institucional e ficava ao critério dos irmãos e das comunidades, que conheciam o aspirante, o tempo e o modo que tinha que viver para entrar para o noviciado. O próprio Livro das Constituições da Ordem, no seu número 167, ainda hoje deixa às Províncias a liberdade da organização deste tempo de aproximação e conhecimento mútuo, porque se para o candidato é um tempo de conhecimento da Ordem, da sua vida e história, para a Ordem e a Província é também um período para o conhecimento das capacidades do aspirante a essa mesma vida.
Depois do Concílio Vaticano II e mais recentemente devido às circunstâncias dos próprios candidatos, que chegam cada vez mais com uma cultura religiosa muito deficitária, optou-se em geral e nomeadamente a nível das Províncias Ibéricas por determinar um período de um ano para este tempo do postulantado. É um ano para conhecimento, adaptação e crescimento, um ano de transição gradual da vida laical para a vida religiosa consagrada.
Desde Julho de dois mil e nove, e face a uma necessidade de reorganização de estruturas e rentabilização de recursos, numa reunião de todos os Definitórios Ibéricos, decidiu-se pela constituição de um único Postulantado para todas as Províncias Ibéricas, optando-se pela comunidade e convento de São Paulo de Valladolid para sede dessa realidade.
A Província de Portugal, pela sua particularidade histórica e linguística, e ainda que integrando o projecto comum, ficou com alguma autonomia e é nesse sentido e por essa razão que mantém o seu postulante numa comunidade portuguesa. De futuro a opção poderá ser outra, mas caberá sempre à Província e aos que a governam a decisão.
Coube também à Província, já há alguns anos atrás, a decisão de integrar ou não os candidatos que surgem no Vicariato de Angola, estrutura dependente ainda da Província portuguesa por número insuficiente de irmãos para constituir uma Provincia. Face às suas realidades culturais e aos problemas que experiências anteriores suscitaram a nível de integração e reintegração, optou-se a nível Provincial por deixar que os candidatos do Vicariato fizessem a sua formação no continente africano. Desta forma podem experimentar de uma forma mais concreta o que é a vida dominicana no continente africano, as várias realidades africanas, como também permitir uma avaliação mais real e concreta, porque feita no local, das capacidades para a vida religiosa e dominicana de cada um.
Neste sentido e quando nos perguntam por comunidades de língua portuguesa e experiências mais transatlânticas temos que ter em conta estas realidades e circunstâncias bem como a filiação de cada irmão a uma Província. Assim um frade do Brasil é e deve ser filho da Província do Brasil, enquanto que um português é deve ser filho da Província de Portugal, embora como em tudo haja excepções e um brasileiro possa entrar na Província de Portugal e um português entrar na Província do Brasil. Tendo comunidades locais, com história e missão local, devemos procurar que os candidatos integrem essas comunidades, as Províncias de cada país ou região, para que também a sua vocação tenha uma realidade que permita um aferir da verdade e sentido vocacional. De contrário poderemos estar a permitir uma certa ilusão ou até alienação vocacional pois o chamamento de Deus é sempre para uma realidade histórica e actual que é a nossa, a da nossa circunstância, com tudo o que ela comporta.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Homilia Domingo III da Quaresma

A resposta de Jesus a estes homens que comentam os acidentes trágicos e a morte de alguns dos habitantes de Jerusalém deixa-nos um pouco perplexos, uma vez que encerra em si uma condenação, uma inevitabilidade, que depois a parábola da figueira elimina do seu âmbito.
Mas se tal acontece, se as palavras de Jesus são duras, isso fica a dever-se à lógica que está subjacente a cada discurso, a lógica de Deus e a lógica do homem que são completamente diferentes.
Para os discípulos que apresentaram a Jesus a morte dos galileus por Pilatos e os que morreram soterrados pela torre de Siloé a lógica utilizada foi a da retribuição, a da condenação linear por causa dos seus maus procedimentos. É a nossa concepção humana mais frequente, a que está mais de acordo com a nossa índole e por isso a que utilizamos para enquadrar as relações de Deus com os homens.
Ainda hoje e passados dois mil anos sobre as palavras de salvação de Jesus continuamos a pensar assim e por isso muitos de nós nos interrogámos sobre o que estaria errado, o que tinham feito de errado aquelas pessoas que morreram nas catástrofes do Haiti, da Madeira e do Chile. Inevitavelmente pensamos sempre em termos de retribuição, de condenação por aquilo que fazemos ou os outros fazem de errado. Estamos ainda na lógica do dente por dente, olho por olho.
Ora a lógica de Deus é diferente, a concepção de Deus das suas relações com os homens é diferente e por isso Jesus diz que todos aqueles que morreram não morreram por serem mais pecadores que os outros. A própria história da salvação mostra-nos como Deus sempre procurou agir assim, como Deus se preocupa com os homens e deixa a porta aberta à conversão, à mudança de vida.
A leitura do Livro do Êxodo e o encontro de Moisés com a sarça-ardente é um exemplo disso, Deus quer enviar Moisés ao Egipto, um homem foragido daquele mesmo lugar, para libertar o seu povo. Deus ouviu e conhece o sofrimento do povo e não o pode suportar mais. Deus conhece os nossos sofrimentos e também não os suporta, espera no entanto que nos aproximemos da sarça para que nos possa enviar como libertadores, ainda que sejamos também nós foragidos dessa terra e desse povo necessitado de libertação.
Mais tarde, quando o povo atravessa já o deserto e comete o pecado da idolatria e a ira de Deus se inflama, Moisés vai interceder pelo povo e vai mostrar a Deus como tinha sido o seu amor que tinha trazido o povo até ali e portanto não se podia contradizer nesse amor libertador aniquilando-o por causa de uma falta. Deus abre-se à possibilidade da conversão.
Neste sentido a parábola da figueira, que Jesus conta face a esta lógica humana da retribuição, assumindo simbolicamente toda a história da salvação, é por isso muito elucidativa porque o vinhateiro que se oferece para cuidar e adubar a figueira deixa em aberto todas as possibilidades. Ele não presume que dos cuidados nasçam os frutos, talvez possa vir a haver algum fruto, ou seja está aberto a tudo ainda que da sua parte tudo faça para que haja esses frutos esperados e devidos.
A história de Deus com os homens tem sido isso mesmo, não tem sido outra senão a tentativa de que o homem produza algum fruto. Nesse sentido estabeleceu a Aliança com o povo de Israel, escolheu-o para ser seu mensageiro entre todos os povos, enviou-lhe os profetas quando eles foram infiéis e incapazes de cumprir a missão que lhes tinha sido destinada e por fim querendo que de facto todos os homens tivessem acesso à sua salvação enviou-lhes o próprio Filho. Enviou-nos o seu próprio Filho.
De facto Deus quer a nossa vida, a nossa salvação, vem ao nosso encontro, mas deixa-nos a liberdade de o acolhermos e de produzirmos frutos, ele não nos pode forçar a isso, apenas nos aduba e cuida com a sua palavra e o seu amor.
E é nesta nossa resposta, na possibilidade da nossa resposta, que se insere a segunda parte do comentário de Jesus aos acidentes e às mortes, “se não vos converterdes morrereis todos da mesma forma”. Não é que a morte seja querida por Deus, não é que ele se queira vingar das nossas más acções através de uma morte dolorosa ou violenta, bem pelo contrário, essa morte a acontecer acontecerá porque nos integrámos, porque assumimos a violência e a morte que é inerente ao próprio pecado e da qual não nos poderemos libertar se não nos voltarmos para Deus, se não abandonarmos o circuito do encerramento violento e mortal. Há uma lógica da morte e da violência no pecado e só abandonando esse pecado escapamos às consequências dessa violência e dessa morte.
Para que tal aconteça temos que ter presentes a advertência de São Paulo aos Coríntios, quem julga estar de pé tome cuidado para não cair, temos que estar vigilantes para não nos deixarmos levar e arrastar por essa lógica e essa violência.
Mas sobretudo e para além da nossa vigilância temos que apoiar-nos e fortalecer-nos na esperança de Deus em nós, nessa esperança que aguarda que depois de todos os cuidados ainda sejamos capazes de produzir algum fruto. Com as nossas limitações é bem possível que não mas com a graça de Deus é bem possível que sim.
Deixemo-nos assim cuidar por Deus e abramo-nos à acção da sua graça em nós dispondo do pouco que temos e somos para que ele faça alguma coisa de nós. Como dizia numa revelação a Santa Faustina tudo o demais é dele apenas a nossa miséria é nossa, ofereçamos-lhe portanto o que é nosso para que o deixe de ser.

sábado, 6 de março de 2010

Homilia Domingo II da Quaresma

A caminho da Páscoa o momento da transfiguração, depois das tentações do deserto a manifestação da glória de Jesus, uma nova revelação da sua natureza e filiação divina.
Para nós e aos olhos humanos é uma cena extraordinária, algo verdadeiramente sublime e por isso como Pedro desejamos e desejaríamos construir três tendas para continuar a usufruir do privilégio da contemplação da glória de Deus.
Contudo, do outro lado, para os outros olhos, os de Deus e da corte celeste, de que Elias e Moisés são cidadãos, esta transfiguração é algo tão normal como banal, ou até extraordinária na medida em que acontece por momentos aquilo que para eles é uma realidade constante. Os cidadãos do céu contemplam a glória da transfiguração constantemente, participam dela e dela recebem a sua glória.
A transfiguração de Jesus é no entanto algo inquietante porque nos deixa nessa expectativa e nessa interrogação do porquê ali, só ali e só para aqueles três, Pedro, Tiago e João. Porque não se transfigurou Jesus diante dos outros discípulos? Porque não se transfigurou mais vezes? Porque não deixou que a sua glória se manifestasse mais vezes?
A ressurreição foi o outro momento da manifestação da sua glória mas a verdade é que ninguém estava lá presente, ninguém a pôde ver para a testemunhar como viram e testemunharam Pedro, Tiago e João esta transfiguração que o Evangelho de Lucas registou.
Jesus passou a sua vida com uma grande discrição, quase um anonimato de que os milagres são apenas pequenos sinais, como estrelas na noite escura, da sua natureza e poder divino. Porque foste tão discreto Senhor? Porque não te manifestastes mais gloriosamente? Certamente outros e muitos mais teriam acreditado em ti.
E aqui é que reside o problema, aqui é que está a questão, no acreditar, na fé em Jesus Cristo, porque a sua vida, a sua revelação foi um processo que deixou e deixa ao homem a possibilidade e a liberdade de acreditar.
Assumindo a nossa condição humana, revelando-se na nossa carne, o Filho de Deus não se nos quis impor, bem pelo contrário, levemente como quem chama por nós, sussurrou-nos a sua glória e deixou-nos a liberdade para o aceitarmos ou não, para o reconhecermos ou não. Deus quer a nossa fé e não a nossa subjugação, quer a nossa adesão livre e não a nossa escravatura temerosa.
Por isso mesmo Jesus nunca se impôs a ninguém e mesmo depois da ressurreição quando apareceu aos discípulos, àqueles que o tinham acompanhado, nunca se lhes manifestou de modo glorioso, apoteótico, de modo a deixá-los presos mais pelo medo que pela fé. Bem pelo contrário manifestou-se como eles o conheciam, como o tinham conhecido, caminhando à beira do mar, comendo com eles o peixe que tinham pescado.
O Jesus glorioso da ressurreição, o transfigurado pela vitória da morte aparece aos seus amigos e discípulos como humanamente sempre o haviam conhecido.
A transfiguração é assim o inverso, ou a negação da própria glória, e se por momentos Jesus se manifesta na condição da sua essência e natureza não é para assustar os discípulos, para os aprisionar na sua relação, mas para confortá-los, sustentá-los na sua fé que dentro de muito pouco tempo iria ser posta à prova.
A transfiguração é neste sentido mais um gesto de amor de Jesus, um gesto para fortalecimento da pouca fé daqueles que estavam destinados a serem as colunas da Igreja. Um gesto de amor porque se adapta e limita à condição daqueles mesmos que são testemunhas, porque como era de todos sabido, do próprio Deus que se manifesta, ninguém pode ver o rosto de Deus, a sua glória, e continuar vivo. Deus manifesta-se a Pedro, Tiago e João na medida em que lhes era possível contemplar a sua glória.
Nesta caminhada penitencial para a Páscoa a transfiguração aparece-nos assim como uma revelação da dimensão do Deus que veio e vem ao nosso encontro para nos salvar, uma dimensão humana, uma dimensão que somos capazes de suportar. E neste sentido não podemos nem devemos procurar Deus com o objectivo de nos subjugarmos, de prescindirmos de nós, de nos perdermos. Deus quer-nos livres, filhos, e sobretudo inteiros, íntegros naquilo que nos constitui como homens e mulheres de verdade. Deus não quer nem necessita de marionetas, de bonecos de sombra chineses, Deus quer e necessita de homens e mulheres que se transfiguram revelando na sua humanidade a glória divina que os habita e à qual estão destinados para toda a eternidade.
É este o caminho para a Páscoa, o mais poderá ser alienação e não o queremos viver.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Solilóquio de André Nunes da Silva ao Santíssimo Sacramento

Solilóquio ao Santíssimo Sacramento, incluindo o Mistério da Coroa de espinhos, de André Nunes da Silva

Divino e gostoso Trigo, / Que entre espinhas fecundastes
Pois quanto mais vos cobriam / Mais vos regavam com sangue.
A vós minha alma se chega: / Mas, para que a glória alcance
Que nos dais no trigo, é bem / Que pelas espinhas passe.

Desse circulo glorioso / Aonde assistis triunfante,
Fazei Senhor, que a Coroa, / Que já padecestes, baixe.
Bárbaro junco a teceu, / Que quis vosso amor constante,
Por coroar-me de glórias, / Que espinhas vos coroassem.

Oh pasmo! Ò terror! Que em Deus, / E nos homens, se juntassem
De uma parte tanto amor, / Tanto ódio da outra parte.
Por satisfazer piedoso / Do divino amor os lances,
Unistes os dois extremos / Da grandeza, e da humildade.

Para seres rosa pura / Na Aurora da Cruz, fragrante,
Vos deu a Coroa espinhos. / Vos deu nácares o Sangue.
A medida do tormento / Picado estáveis de amante,
Como em tanta aberta boca / Purpúreas línguas aplaudem.

Os rubis, e as esmeraldas / Feudo a humanas majestades
Coral húmido os formou, / Foram juncos penetrantes.
Tanto o golfo do tormento / Esgotou vosso amor grande,
Que o lavro da penitência / Nessa Coroa o alcançastes.

De coral coberta a neve / Ao mundo mostrou no transe,
Que o claro Sol de justiça / Se punha em ondas de sangue.
Alma, agora, agora, podes. / (não te detenhas cobarde)
Lavar as manchas das culpas / Em tão caudalosos mares.

Neste golfo, cujas ondas / De meu peito a pedra batem,
Pois logras marés de rosas, / Será razão que te embarques.
Que tendo o Pão por [por] estrela / E tendo por mar o Sangue
Tomarás porto seguro / Farás ditosa viagem.[1]

[1] FALCONI, Francisco – Rosário do Santíssimo Sacramento, Lisboa, Domingos Carneiro, 1662.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Encontro Ibérico de Postulantes Dominicanos

A caminhada de formação na Ordem de São Domingos inicia-se com o tempo chamado de postulantado ou pré-noviciado, um período de mais ou menos um ano para conhecer a Ordem, para experimentar minimamente os elementos que constituem a identidade da Ordem e para discernir a vocação religiosa do candidato, para discernir se de facto é este o caminho e missão a que o Senhor chama aquele que ouviu a convocação.
A Província portuguesa tem neste momento um postulante, um jovem de vinte e oito anos que se chama Joel e no Convento de São Domingos de Lisboa vive este ano de experiência.
As Províncias espanholas têm o seu postulantado reunido no Convento de São Paulo de Valladolid e como a etapa seguinte do noviciado é feita em comum, no fim-de-semana que acabou de terminar passei por ali com o Joel para partilharmos com os nossos irmãos espanhóis a caminhada que estamos a realizar. Partilhar o percurso, conhecer os companheiros, estabelecer laços entre aqueles que no próximo ano viverão conjuntamente o tempo de noviciado.
Foram três dias para conhecer o Laércio Amorim, de vinte e seis anos e natural do Brasil, o Sebastian Vera, de vinte e quatro anos e natural do Equador e para eles conhecerem o Joel da Província de Portugal. Foi um fim-de-semana rico de contactos e conhecimentos, pois para além do encontro propriamente dito, da reunião de partilha que tivemos, pudemos conhecer a comunidade conventual, o convento e a cidade com todo o seu rico património histórico. Valladolid foi durante alguns anos capital do reino.
A fotografia que ilustra esta notícia foi tirada diante da fachada da igreja do Convento de São Paulo, convento dominicano, e nela, a partir da esquerda, está o Mestre de Postulantes espanhol frei Juan Carlos Cordero, o Joel, o Sebastian, o Laércio e eu próprio.
Peçamos a Deus para todos o dom da fidelidade e do discernimento para vivermos em verdade a missão a que o Senhor nos chama.