É Deus que nos ordena
a reconciliação com os nossos irmãos, é um mandato divino. Podemos questionar a
exigência que Deus nos coloca, mas se ele a faz, se nos exige a reconciliação,
é porque somos irmãos, somos todos seus filhos.
Por outro lado esta
exigência nasce da sua misericórdia, do perdão que nos concede; se somos
perdoados nada mais natural que perdoemos, nada mais lógico que façamos a experiência
do perdão para que possamos sentir o perdão recebido de Deus.
É verdade que há
palavras que ferem e até que matam, que há insultos que perduram, gestos que
parecem impossíveis de ultrapassar, um conjunto de situações que colocam como
que uma pedra no nosso coração, uma pedra que não sabemos como mover. Como perdoar?
Para o podermos fazer
não podemos deixar de pedir, não podemos deixar de colocar nos nossos lábios e
no nosso coração, com perseverança a toda a prova, as palavras do salmista
quando diz que “o Senhor cura os corações esmagados e trata as suas feridas”.
Neste tempo de
Quaresma oferece-se-nos uma oportunidade, um tempo favorável, para nos
encontrarmos e reconhecermos as nossas feridas de coração, o que nos oprime o
coração.
Diante das nossas
prisões internas, dos gestos ofensivos, poderemos ser discípulos de Jesus,
começando por fazer oferta dessas mágoas e feridas ao Senhor, iluminando-as e
purificando-as no seu amor e no seu perdão.
Ao fazê-lo superaremos
a justiça dos fariseus e dos escribas, pois tudo será medido e pesado à luz do
amor de Deus que entregou o seu Filho para nos resgatar do nosso pecado. Não será
a lei o principio definidor, mas o amor.
Ilustração:
“Reconciliação”,
escultura de Josefina de Vasconcelos, Versöhnungskapelle,Berlim.
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