Jesus sobe a Jerusalém
por ocasião de uma festa e ao passar junto da piscina de Betsatá encontra-se
com um homem deitado, enfermo havia já trinta e oito anos.
Jesus pergunta-lhe se
quer ser curado, pergunta que poderemos considerar descabida, pois não haveria
aquele homem doente e paralítico de querer ficar curado?
Contudo, a pergunta
tem um objectivo que vai para além da própria cura, da necessidade física daquele
homem. A pergunta visa estabelecer uma relação, visa passar da visibilidade da
situação a uma resposta que não pode nem deve ser apenas visível, visa uma
resposta interior transfigurante da pessoa em si.
E vemos esta
necessidade de resposta interior, de transformação, quando mais tarde o homem
se encontra com Jesus no templo e lhe é dito que não volte a pecar para que não
lhe suceda algo pior. A graça da cura física implicava uma cura espiritual e
por isso essa advertência de Jesus, pois era uma situação mais grave que a
doença paralisante anterior descuidar a vida nova recebida na relação com a
palavra de Jesus.
O encontro com o
paralítico à beira da piscina e a resposta à pergunta de Jesus, sobre o desejo
de cura, revelam ainda uma outra dimensão do sofrimento, a inexistência de
pessoas que ajudem o homem paralítico. Não há ninguém que o ajude a entrar nas
águas quando elas se agitam.
Estas palavras e
queixa do paralítico encontram-se também muitas vezes nos nossos lábios, no
nosso espirito. Também nós nos queixamos de que não temos ninguém que nos
ajude, em casa a preparar o jantar depois de um dia de trabalho, no escritório
porque todos têm a sua tarefa e não podem descuidar-se, na relação de amizade
porque o outro está sempre à espera que seja eu a ceder ou a perdoar. Tantas situações.
Podemos viver em
sociedade, em família, em comunidades religiosas, mas é inevitável que em
determinados momentos vivamos o peso da solidão, o sentimento de que não temos ninguém
para nos ajudar. O próprio Jesus fez essa experiência no jardim das oliveiras
quando todos os abandonaram.
A esta queixa do
paralítico Jesus responde-lhe que se levante e ande, que deixe de confiar nos
homens, porque não são garantia de nada, e confie em si próprio e naquele que
lhe ordena que se levante e ande. Esta palavra estará sempre com ele, poderá
acompanhá-lo, fortalecê-lo, não o deixará só nem sem ajuda.
E estas palavras e
garantia são também para nós, para cada um de nós. Também Jesus nos diz
levanta-te e anda, carrega a tua enxerga e vai para casa, ou melhor, regressa à
casa que eu sou, à minha palavra em que podes habitar e confiar.
Na nossa inconstância e
vacilação, Senhor Jesus estende-nos a mão, toma-nos e conduz-nos!
“Jesus na piscina de Betsatá”, de Artus Wolffort, Art Gallery of Ontário.
" confiar em si próprio", não se queixar, não atribuir aos outros a causa dos nossos problemas.
ResponderEliminarTão simples, mas ao mesmo tão complicado !
Como seria bom todos nós , cristãos, aprender a meditar! Sim aprender , criar ou juntarmos nos a grupos de meditação ativa, viver A Palavra através da nossa vida do nosso dia a dia.
Assim, sim a Palavra de Jesus vem ter connosco, sentimo lá ali, junto a nos, nos pequenos gestos de cada dia, de tudo o que de bom e menos nos acontece.
Obrigada por esta meditação,
Adelina Donat
Que nos momentos de dúvida, de incerteza, de solidão, tenhamos a certeza de que o Senhor está connosco e nos acompanha. Que Ele fortaleça a nossa Fé. Inter pars
ResponderEliminar