domingo, 25 de setembro de 2016

Homilia do XXVI Domingo do Tempo Comum

O Evangelho que escutamos neste domingo apresenta-nos a parábola do homem rico e do pobre Lázaro, uma parábola de certo modo célebre, mas que algumas vezes nos distrai do verdadeiramente importante, da questão que está em causa. As chamas do tormento, o abismo de separação, a imagem do inferno, apontadas ostensivamente durante séculos, dispersam-nos da mensagem que afinal elas próprias querem transmitir.
Necessitamos por isso ler com atenção a parábola e desde o primeiro momento perceber que ela é proferida num contexto de debate com os fariseus, portanto, em confronto com aqueles que se achavam os melhores, os verdadeiros cumpridores da lei e que questionavam Jesus face ao seu procedimento. Estamos assim perante uma crítica, ou uma chamada de atenção, que não pode ser desligada desta circunstância.  
A parábola, com o rico que se banqueteia e o pobre que à porta nada tem, desenvolve na disparidade de situações a satisfação pessoal, o egoísmo e egocentrismo, em contraponto à dependência total, à pobreza e ao sofrimento. Na parábola não se encerra uma crítica de Jesus à riqueza, manifesta nos lautos banquetes e nas roupas finas e cuidadas, mas um alerta face à cegueira que a riqueza pode provocar. Centrado no seu próprio bem, na sua satisfação pessoal, o homem rico ficou cego à necessidade do pobre Lázaro que jazia à sua porta.
Voltando aos fariseus, a quem Jesus apresenta a parábola, percebe-se que afinal a crítica se dirige-se à cegueira destes homens face aos seus irmãos necessitados, face às fragilidades daqueles que não viviam de acordo com a Lei, percebe-se que a crítica se dirige ao espirito de superioridade de cada um deles face aos outros.
E se tivermos presente as últimas palavras de Abraão ao rico, que os irmãos que ainda vivem têm Moisés e os profetas a quem podem escutar para não incorrer no mesmo fim, percebemos a questão da centralidade da Lei, e da fraternidade e solidariedade que dela deriva, mas que não estava a ser cuidada por aqueles que se diziam os melhores cumpridores da Lei.
Não podemos esquecer que no conjunto da Lei e dos profetas, e tal como se nos apresenta no Salmo que intercala as duas leituras, o pobre, a viúva, o órfão, o emigrante, afinal todos os necessitados, são aqueles nos quais Deus mais tem colocado os olhos, são a maior expressão de apelo a uma outra atitude por parte dos irmãos. E neste sentido, tal como diz Abraão, não será um ressuscitado, um milagre extraordinário, que irá converter os corações daqueles que estão encerrados em si próprios.
A lei e os profetas, a história da revelação, desafiam cada homem a essa atitude de descentralização; e, ou há um acolhimento desse desafio e se estabelece a fraternidade, ou então o homem soçobra na sua própria individualidade e egoísmo, constrói o seu próprio inferno de solidão. O filósofo Jean-Paul Sartre dizia que o “inferno são os outros”, mas à luz da parábola de Jesus temos que lhe responder que o inferno somos nós sem os outros.
Por esta razão, a parábola apresenta um rico sem nome, sem identificação, ao contrário do pobre que nos é apresentado na sua identidade pessoal e nominal. O homem rico que se satisfaz a si próprio, egoisticamente centrado em si, é um homem sem relações, não tem ninguém que lhe sirva de espelho à sua identificação, e por isso vive desde já no abismo, encontra-se já no inferno, fechado em si.
Pelo contrário, Lázaro, na sua pobreza e dependência total dos outros, torna-se passível de ter um nome, um nome que revela a relação profunda com Deus, pois Lázaro significa “Deus ajuda”. Não tendo nada, não podendo encerrar-se em si próprio, Lázaro está aberto aos outros, é uma relação constante com aqueles que o podem ajudar e com o próprio Deus de quem depende totalmente. E os cães que se aproximam para lhe lamber as feridas simbolizam essa relação total e aberta, Deus vem também ao seu encontro nesses animais.
As ciências humanas dizem-nos que todos nós, homens e mulheres, desde o primeiro momento da nossa vida necessitamos alguém que nos olhe, que nos chame, que nos nomeie e por esse nome nos identifique. Quando chamamos alguém pelo seu nome, o apelo descentra essa pessoa, faz com que ela se volte, saia de si e se encontre com um outro, estabeleça uma relação. Por isso é tão importante chamar os outros pelos seus próprios nomes, abrir-lhes a porta a uma relação. Desafio que devemos cuidar cada vez mais no trato de uns com os outros, na medida em que estamos cada vez mais face a face com ecrãs que nos filtram e inviabilizam a relação.  
A parábola do homem rico e do pobre Lázaro chama-nos assim a atenção para a cegueira que podemos incorrer quando nos centramos em nós próprios, na nossa satisfação, e não temos os outros em atenção, os outros que constroem a nossa própria identidade e liberdade de ser. Mas chama-nos igualmente a atenção para a eternidade que construímos ou desenvolvemos, uma eternidade que acontece aqui e agora.
Como dizia o Papa Bento XVI no Ângelus de 26 de Setembro de dois mil e dez, “ o nosso destino eterno está condicionado pela nossa atitude actual, e cabe-nos a nós escolher o caminho que Deus nos apresenta para chegar à vida eterna, um caminho de amor, que não pode ser entendido como sentimento, mas como serviço e atenção aos outros, na caridade de Cristo”.
Procuremos pois na abertura aos nossos irmãos, na franqueza das nossas relações, viver o caminho que Jesus nos oferece, viver a eternidade que nos é oferecida aqui e agora.

 
Ilustrações:
1 – “O rico e o pobre Lázaro”, de Hendrick ter Brugghen, Museu Central de Utrecht.
2 – “O rico e o pobre Lázaro”, iluminura do Codex Aureus Epternacensis.

domingo, 18 de setembro de 2016

Homilia do XXV Domingo do Tempo Comum

Ao terminar a leitura do Evangelho de São Lucas deste domingo uma dúvida inquietante salta aos nossos olhos; como interpretar estas palavras de Jesus, o que nos quer dizer, quando por um lado parece que elogia a desonestidade do administrador e depois denuncia a servidão ao dinheiro, a impossibilidade de servir a Deus e ao dinheiro.
Numa abordagem prévia a uma resposta que nos elucide as palavras de Jesus, temos que olhar com um pouco mais de atenção o início da parábola, pois o administrador aparece em cena porque é denunciado como andando a desperdiçar os bens do seu senhor.
O problema de fundo é assim a administração, a boa ou má administração que fazemos do que nos foi confiado para administrar. E muitas vezes, temos que o assumir, a nossa má administração, o desperdício, começa porque consideramos as coisas como nossas, como propriedade nossa, e portanto não as vemos como bens em administração e dos quais temos que dar contas. Será bom recordar aqui a parábola dos talentos, os que produzem e os que são desperdiçados quando enterrados.
Atentos ao cuidado e responsabilidade exigidos na administração, percebemos as palavras de Jesus relativamente às acções desonestas do administrador. Não se trata de um elogio do engano, da mentira ou da fraude, mas um elogio da diligência, da sagacidade do mau administrador para não perder o que tão caro lhe era. Este homem, com habilidade, procura assegurar o seu futuro.
As palavras de Jesus, que nos provocam e destabilizam, visam assim e apenas marcar a diferença de atitude, a forma como facilmente nos implicamos e esforçamos para alcançar os bens deste mundo, a nossa segurança temporal, e a dificuldade que temos em aplicar a mesma força e esforço relativamente às coisas do espirito, da vida eterna. O administrador desonesto procurou precaver o seu futuro terminada a administração. De que forma procuramos nós precaver o nosso futuro terminada a administração dos bens que o Senhor nos confiou?
E, como se não bastasse esta distracção ou preguiça administrativa, a leitura do profeta Amós vem colocar diante de nós uma outra atitude, cuja gravidade supera o nosso desleixo na administração. Tal como o profeta denuncia, muitas vezes usamos os bens que o Senhor Deus nos concede para explorar o outro, para violentar o outro, para o humilhar, como se não bastasse a sua pobreza ou desgraça. Outras vezes fazemos uso até do sagrado para diminuir o outro, para o subjugar e explorar.
Diante desta tentação violenta não podemos esquecer as palavras de Deus na profecia, o Senhor recorda-se de todas estas acções, pois os pobres, as viúvas, os órfãos, os emigrantes e os explorados estão sob o seu olhar atento, poderíamos dizer que são a sua presença mais acutilante no meio da humanidade, a presença que nos desafia no amor. E por essa razão, porque nos podem levar a Deus e até ao tesouro da eternidade, Jesus recomenda que se conquistem amigos com o vil dinheiro, não amigos que nos possam retribuir aqui o que lhes oferecemos, mas amigos que nos abram as portas da eternidade e aí nos acolham com o que com eles partilhámos.
E para aqueles que podem retorquir que nada têm para poder partilhar, São Paulo deixa-nos um campo vastíssimo de partilha e enriquecimento, a oração por todos os homens. Se não tivermos mais nada para partilhar podemos partilhar a nossa oração, inserir todos os homens e mulheres na nossa oração, os mais próximos e os desconhecidos, aqueles que são nossos benfeitores e aqueles que nos perseguem.
Quando São Paulo escreve a Timóteo esta recomendação da oração por todos os homens está preso nas cadeias de Roma, à espera da sua pena capital. Contudo, e apesar dessa situação São Paulo não deixa de ter presentes aqueles que o acompanharam e aqueles que se preparam para lhe pôr fim à vida. São Paulo assume-os a todos na sua oração e na petição que dirige a Timóteo porque quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade, a essa verdade de que há um só Deus e um único mediador que é Jesus Cristo.
Para que todos os homens cheguem ao conhecimento desta verdade também nós temos que tomar a sério a nossa fidelidade cristã, a administração dos dons e bens que o Senhor nos concede em cada dia, a integração de todos os homens e mulheres na nossa relação com Deus.
Se soubermos cuidar a nossa humanidade e a humanidade dos nossos irmãos, se formos fiéis aos dons que o Senhor nos concede, receberemos o que é nosso, tal com o Senhor promete. Receberemos a glória da eternidade porque nela tivemos sempre postos os nossos olhos e o nosso cuidado quotidiano, por ela fomos diligentes e sagazes administradores.

 
Ilustração:
1 – “Parábola do administrador desonesto”, de Andrey Mironov.  
2 – “O pobre Lázaro”, de Jacopo Bassano, Kunsthistorisches Museum, Viena.

domingo, 11 de setembro de 2016

Homilia do XXIV Domingo do Tempo Comum

A Leitura do Evangelho de São Lucas, designado como o Evangelho da misericórdia, apresenta-nos hoje uma das passagens mais conhecidas deste Evangelho, a parábola do filho pródigo, certamente aquela que mais conhecemos porque também aquela em que mais facilmente nos somos capazes de rever. Não somos todos nós filhos? Não estamos chamados a ser pais?
O contexto em que a parábola é proferida por Jesus é significativo para a sua compreensão e para o desenvolvimento da mesma parábola e seus actores. Afinal, e o evangelista São Lucas apresenta-nos isso, estamos diante de um confronto entre o grupo composto por fariseus e escribas que vivem sob a justiça implacável e exclusiva da lei e o grupo dos publicanos e pecadores que acolhem a novidade e a mediação das palavras de Jesus e vivem a alegria da gratuidade do perdão.
Os dois filhos, que o pai da parábola tem, representam estes dois grupos antagónicos de fariseus e pecadores, os quais fazem experiências diferentes da verdade fundamental de que o pai é imagem, verdade que é o amor de Deus. Um e outro filho mostram-nos como nos podemos afastar desse amor, mas mostram-nos também como há necessidade da participação pessoal para que o regresso aconteça efectivamente.
Neste sentido, e porque mais facilmente percebemos o afastamento do filho mais novo, pois é o que saiu de casa, temos que perceber o que provoca esse afastamento, e que não é propriamente o facto de sair de casa. O que provoca o afastamento do filho mais novo é a exigência feita ao pai de ter o que é seu, é este pedido orgulhoso que provoca o afastamento depois explicitado no sair de casa e no ir para um país distante.
O pedido da parte da herança revela-nos o nosso desejo de apropriação, o desejo de poder controlar e dominar o que é nosso, a idolatria que a leitura do Livro do Êxodo nos apresenta de considerarmos que o que é nosso é que nos salva. E este poder inevitavelmente afasta-nos de casa, da partilha do comum, da relação com o pai que é Deus. É a nossa auto-suficiência em funcionamento, que nos conduz no limite à perda de nós próprios, à perda de dignidade e à escravatura, tal como a vivia o filho mais novo quando foi obrigado a tomar conta dos porcos, e tal como a viviam os pecadores que escutavam Jesus.
Contudo, a auto-suficiência, o desejo de apropriação não são os únicos processos que nos afastam de casa e da partilha do comum. Podemos não reclamar nada, podemos não ir a lado nenhum e ficar em casa como o filho mais velho da parábola, mas ainda assim podemos estar tão distantes ou ainda mais que aquele que se foi com o que considerava que tinha de seu. É uma situação perversa, porque se vive num estado de subserviência, de uma forma servil, sem reconhecimento do partilhado, do confiado, da dignidade atribuída, porque afinal se vive como estranhos.
O filho mais velho, que ficou todo o tempo em casa do pai, revela-nos esta perversão, pois ao reclamar que o pai nunca lhe deu um cabrito para fazer uma festa com os amigos, expõe a sua relação fora de casa, a amizade com os outros e não com o pai, o desprezo daquilo que já era dele pela partilha feita no momento da reclamação do irmão mais novo, mas que não assumira de verdade. É afinal a situação do grupo dos escribas e fariseus que desprezavam o dom e a missão confiada de levar a bênção divina a todos os povos.
E nestas circunstâncias familiares da parábola, é o filho mais novo, aquele que já não tinha direitos em casa, que afinal se mostra como aquele que não perdeu nada, que no meio dos desaires da sua vida, dos afastamentos, acabou por não desperdiçar o que verdadeiramente é fundamental, o tesouro do amor no coração do pai. É significativo que no meio da sua desgraça reconheça que o pai tem um tratamento de amor, tem uma relação especial até mesmo com aqueles que o servem; e por isso, ainda que não possa ser recebido como filho, há a esperança de ser recebido como servo, porque o pai ama também os seus servos. O filho mais velho nunca percebeu isso, ainda que estando em casa com o pai.
A parábola constrói assim um abismo entre os dois irmãos e a relação que estabelecem com o pai, pois aquele que se afasta reconhece o pai e o seu amor, é capaz de se abeirar dele depois de tudo e chamar-lhe pai, enquanto o mais velho nunca é capaz de pronunciar tal palavra, de estabelecer a relação que essa significa. O filho mais velho dominado pelo espirito de justiça não é capaz de ver o amor incondicional do pai e por isso encerra-se no orgulho da sua fidelidade subserviente, deixa-se envolver pela inveja face ao que o pai concede ao irmão. E para um e para outro o pai não deixa de se revelar como disposto a acolher, de braços abertos, pois são ambos seus filhos.
A parábola do filho pródigo revela-nos assim o grande tesouro do amor de Deus, da gratuidade e liberalidade desse amor, de que São Paulo também nos fala na Carta a Timóteo, pois ele que era perseguidor dos cristãos foi achado digno de ser um deles e um apóstolo pela misericórdia de Deus. A parábola revela-nos também a necessidade que temos de participar do perdão, a necessidade de sair das nossas idolatrias para ir ao encontro do pai e do amor. O Pai espera-nos de braços abertos, mas nós temos que nos dirigir a ele, temos que ir ao seu encontro.
Por outro lado, e tal como o convite feito ao filho mais velho, temos que nos alegrar quando um dos nossos irmãos procura mudar de vida, tenta uma nova oportunidade de conversão. Não podemos ficar sem dar um passo, sem acolher e incentivar, sem interceder por eles como Moisés intercedeu pelo povo pecador, pois como nos diz São João se não somos capazes de acolher aqueles que vemos, de fazer a experiência de perdão com os nossos semelhantes como vamos poder acolher e fazer a experiência do perdão com Deus que não vemos?

 
Ilustração:
1 – “O filho mais novo recolhe a herança”, de Bartolomé Esteban Murillo, Museu do Prado, Madrid.
2 – “O filho pródigo”, de Eugène Burnand.

domingo, 4 de setembro de 2016

Homilia do XXIII Domingo do Tempo Comum

Aos poucos vamos retomando as nossas actividades, vamos deixando o tempo de descanso das férias e voltamos ao nosso ritmo habitual de todo o ano. Neste período de transição é bom que façamos uma breve pausa, que nos sentemos um pouco, e que perspectivemos aquilo que queremos que seja este ano de actividade, mais uma etapa de caminhada como homens e mulheres, que aspiram à sua realização profissional entre outras, mas também e sobretudo como filhos de Deus que não devem deixar de procurar viver fielmente essa sua condição essencial.
As leituras que escutámos nesta celebração dominical podem e devem ajudar-nos nesse perspectivar, pois colocam diante de cada um de nós uma convocatória, um desafio, que não podemos descurar, não procurar levar por diante, pois está nele contido uma parte significativa da nossa realização humana e cristã. Olhemos pois com um pouco de atenção para o que nos revela e solicita as leituras deste domingo.
Em primeiro lugar deparamo-nos com a atitude de Jesus, o seu caminhar à frente da multidão em direcção a Jerusalém. No entanto Jesus volta-se para trás, para essa multidão de seguidores, quando necessita interpelá-la, quando necessita dirigir-se-lhe. Acontece assim em todos os diálogos, em todos os momentos desta subida para Jerusalém e em cada encontro pessoal. Jesus olha-nos face a face, olhos nos olhos e provoca-nos com a sua palavra.
Esta certeza deve estar presente e orientar-nos, pois também a nós, a cada um de nós, Jesus se dirige pessoalmente, olhos nos olhos, para nos convidar a segui-lo, a não ter medo, a não desistir apesar das nossas fraquezas, das nossas infidelidades. Ele vai à nossa frente e nós seguimo-lo; contudo, para não nos perdermos ele frequentemente volta a face e olha-nos com ternura. Na nossa história pessoal já certamente experimentámos o apelo carinhoso de Jesus a continuar com ele o caminho iniciado.
Continuar com Jesus, tal como nos diz o Evangelho, exige uma preferência absoluta. São palavras radicais as que hoje Jesus nos dirige, quando nos diz que o devemos preferir a todos aqueles que partilham a nossa vida, que fazem parte da nossa história humana mais básica como é a da família. Não é uma tarefa fácil aquela que Jesus nos pede, e por isso não podemos deixar-nos cair no snobismo ou na relativização das nossas relações, que são uma resposta possível, mas indecente e indigna face à exigência de Jesus.
A preferência absoluta por Jesus conduz-nos a uma conversão da absolutização das nossas relações e amores, pois o que amamos deixa de estar na órbita das nossas preferências e satisfações pessoais e passa a estar na órbita do amor de Deus, da pessoa de Jesus presente em cada uma delas. É a partir do amor de Jesus que amamos os nossos irmãos, que construímos as nossas relações, mesmo as mais preciosas como a matrimonial ou a filial. O esposo ou a esposa que partilham o amor conjugal, os filhos que são fruto do amor conjugal, são amados em Jesus e por Jesus, na sequência e consequência desse apelo escutado e assumido de ir com Jesus.
Esta conversão, ou redimensionamento dos nossos amores, conduz-nos a viver de forma mais clara, divinamente iluminada, o apelo desafiante de Jesus a carregar com a nossa cruz. Afinal de contas, já não se trata apenas de suportar as contrariedades, as limitações e fraquezas dos outros, pois essa realidade desafiante até se vai vivendo humanamente, com altos e baixos, com mais ou menos paciência. Carregar a cruz, com o nosso amor redimensionado em Jesus Cristo, significa carregar a salvação do mundo, a salvação das almas, significa assumir que em cada gesto de carinho, em cada atitude de paciência, queremos participar da redenção operada por Jesus na sua paixão e morte na cruz, somos participantes activos desse mistério de salvação.
Desta forma é fácil perceber, não só o amor que os santos tinham à cruz, mas como se sentiam unidos à cruz de Jesus, como viviam cada momento, cada desafio relacional ou histórico, como se esse momento ou desafio fosse a sua própria paixão, como se da resposta positiva a amorosa deles dependesse a salvação do mundo. Afinal, viviam e convidam-nos a viver as palavras de São Paulo, “também eu estou pregado na cruz com Jesus Cristo”.
Centrados no amor de Jesus e com os olhos do coração iluminados pela dimensão divina da cruz que carregamos, podemos viver a renúncia aos bens que nos é necessária para ser discípulos de verdade. É à luz do amor divino e da consciência divina dos nossos gestos, palavras e atitudes, que somos capazes de nos desprender, de possuir como se não possuíssemos, pois os bens e até as pessoas estão apenas ao nosso cuidado, “ad usum frater” como antigamente se colocava nos objectos dos irmãos que partilhavam a vida conventual.
E neste sentido a leitura que escutámos da Carta de São Paulo a Filémon é paradigmática. Se não tivéssemos mais nada para apresentar como modelo do viver cristão, do seguir Jesus carregando a cruz com amor e liberalidade, tínhamos a história de Paulo com Onésimo e Filémon. Um homem necessitado de ajuda por se encontrar preso, por amor a Jesus envia aquele que o podia ajudar e ser companheiro na prisão ao seu antigo senhor, e pede-lhe que o acolha já não como um escravo mas como um irmão.
A centralidade de Cristo na vida de Paulo leva-o a acolher Onésimo, a estabelecer com ele uma relação de filiação, e depois a desprender-se dele, para que possa fazer crescer na caridade e no amor aquele que era o seu antigo dono, Filémon. Paulo assume a cruz da vida e da morte, do acolhimento e do desprendimento, da necessidade de semear para que no coração de outro possa nascer e frutificar o amor. Em tudo Paulo vive a dimensão da sua fé total em Cristo, que uma vez se encontrou com ele também cara a cara a caminho de Damasco.
É esta atitude de Paulo, esta exigência para connosco próprios e a liberalidade para com os outros que somos chamados a viver, esta atitude de em tudo procurar ver a mão de Deus, de em tudo viver no amor de Deus, que não deixa de cumular de bens todos aqueles que tudo lhe confiam. Ao retomarmos as nossas actividades que este espirito impregne os nossos projectos, os nossos sonhos; que saibamos viver na luz da sabedoria que pede ao Senhor a sua graça, a confirmação da obra realizada, porque ainda que nos sejam desconhecidos os desígnios do Senhor, conhecemos já a sua bondade e como ela nos sacia de alegria e paz.

 
Ilustração:
1 – “Para onde vais Senhor?”, pintura de Andrey Mironov.
2 – “São Paulo na prisão”, Rembrandt.

domingo, 28 de agosto de 2016

Homilia do XXII Domingo do Tempo Comum

A leitura do Evangelho de São Lucas deste domingo apresenta-nos duas realidades, dois desafios cristãos, que não são muito fáceis de acolher e viver, que nos perturbam na nossa realidade quotidiana, pois não é nada fácil colocar-se no último lugar, nem acolher aqueles que sofrem alguma privação, alguma dificuldade ou deficiência física ou moral. Não é fácil sairmos da nossa zona de conforto, como se diz hoje, do nosso egoísmo, e contudo o Senhor convida-nos a isso, para dessa maneira podermos viver a experiência da redenção que nos foi alcançada, para dessa maneira a tornarmos própria da nossa vida.
Neste sentido, e para nos ajudar a dar passos concretos nesse processo de conversão que necessitamos realizar, temos que ter presente e acolher de forma positiva os desejos de glória e de honra que habitam o nosso coração e as nossas aspirações. Não são um pecado, porque esses desejos estão impressos na nossa matriz divina, todos nós fomos destinados à glória, mas à glória divina, a ser honrados por Deus no acolhimento que nos propícia.
Aquilo que classicamente se chamava a “natureza concupiscível” marca a nossa realidade e o nosso modo de agir, pois devido a essa natureza não descansamos enquanto não encontramos e não nos satisfazemos no que há de melhor, no que mais nos dá prazer, e entre esses objectos de satisfação e prazer encontra-se a glória, o brilho, a honra, entre outros mais sensíveis e carnais.
Assim sendo, o nosso esforço no seguimento de Jesus, nessa busca de fidelidade à fé que professamos, deve aplicar-se no sentido da direcção que damos aos nossos desejos de glória e honra, corrigindo essa tendência natural e cultivada pela sociedade actual de nos satisfazermos com os prazeres momentâneos, com a glória efémera deste mundo, para passarmos a ter presente e a orientar-nos por essa glória futura da eternidade, pelo bem último a que estamos destinados.
É neste sentido que vai a ordem que Jesus expressa na parábola àquele convidado que se foi sentar no último lugar, “amigo sobe mais para cima”, e que expressa antes de mais uma relação, uma intimidade expressa na palavra amigo. Não é a qualquer um que se manda subir, mas àquele que é amigo, e portanto àquele que previamente cultivou e mantém uma relação de intimidade, de amizade.
Depois, a ordem para subir coloca em evidência a necessidade de um processo, de um movimento de ascensão, de conversão como lhe podemos chamar. Um movimento que parece não ter fim, uma vez que a ordem é para subir mais, para nunca se dar por satisfeito senão quando colocado ao lado, poderíamos dizer como no Evangelho de São João, senão quando deitado sobre o coração do mestre, tal como acontecia com o discípulo amado.
Contudo, para subir mais e chegar acima é necessário ter presente que se parte de baixo, que há uma base da qual se parte para subir. Esta base, que deve ser sólida, verdadeiramente assumida, é a consciência da nossa debilidade, da nossa condição humana, da nossa fragilidade, é afinal a experiência da nossa condição pecadora, é a consciência do húmus de que procedemos e de onde fomos elevados por Deus.
A partir daqui sabemos o que é a humildade, podemos ser humildes, pois sabemos que não valemos nada, ou o que valemos é o que nos é dado valer por Deus e em Deus. A partir daqui podemos também realizar um processo de subida mais ligeiro, pois sabemos que não temos necessidade de muita coisa, que podemos viver a pobreza e nela nos encontrarmos com os outros que são tão pobres como nós.
A partir da humildade e do desprendimento da pobreza podemos encontrar-nos com os outros, sentarmo-nos à mesma mesa com cegos, coxos e aleijados, pois não só nós nos encontramos na mesma debilidade e fraqueza que eles, como somos capazes de ver neles o Filho de Deus e portanto viver em plenitude a caridade e o amor.
Santo Agostinho escreveu que possivelmente teremos vergonha de imitar um homem humilde, contudo não podemos envergonhar-nos de imitar um Deus humilde, um Deus que se abaixou da sua glória para nos resgatar do pecado e da morte. A vida de Jesus Cristo, a sua humildade até à morte da cruz, deve ser o nosso princípio e o nosso fim neste processo de vida.
As suas palavras, “quem se humilha será exaltado e quem se exalta será humilhado”, calaram fundo na consciência dos discípulos, naquele grupo de amigos que pouco antes lutavam entre si por um posto de governo e de glória. Que estas mesmas palavras calem fundo no nosso coração e nos purifiquem de todos os vãos desejos de glória e honra, que nos curem da auto-suficiência e do espirito de superioridade, para vivermos verdadeiramente e em plenitude as graças que o Senhor nos concede.
 
Ilustração:
“O Banquete em casa de Levi”, Paolo Veronese, Galeria da Academia de Veneza, pormenores da pintura.

domingo, 21 de agosto de 2016

Homilia do XXI Domingo do Tempo Comum

A leitura do Evangelho de São Lucas que escutámos encontra-se na continuidade dos domingos anteriores, na linha desse conjunto de ensinamentos que Jesus vai ministrando aos seus discípulos e àqueles que os acompanham na subida para Jerusalém. Jesus sabe que é uma viagem sem retorno e por isso aproveita todos os momentos para preparar os discípulos para o fim e para a vida depois do seu desaparecimento do meio deles. Poderíamos dizer que Jesus vai ditando o seu testamento.
E como acontece em todos os testamentos há disposições a serem tidas em conta, mas há também questões que se levantam devido a essas mesmas disposições. Há duas semanas atrás, Pedro perguntava a Jesus se a parábola que tinha apresentado se dirigia apenas aos discípulos ou se era para todos. Hoje alguém pergunta sobre a quantidade daqueles que se salvam.
Face às palavras de Jesus, e nomeadamente depois de ter refutado a ideia condenatória vigente face àqueles que tinham morrido às mãos de Pilatos e nos escombros da torre de Siloé, a questão da salvação é uma questão pertinente e que atormenta as mentes dos discípulos, sendo por isso retomada diversas vezes. Afinal quantos são os que se salvam?
Jesus recusa sempre uma resposta estatística, numérica, uma resposta que supõe um número final. E tal recusa não se deve a um desconhecimento, ou a uma má vontade, mas pura e simplesmente porque não há números fechados, nada está decidido, pois tudo está em aberto na história e na vida de cada um até ao último momento.
Ao perguntarem por aqueles que se salvam, os discípulos estavam também a esquecer a parábola que bem pouco antes Jesus tinha contado sobre a figueira que não dava frutos, e à qual é ainda concedido um tempo para poder dar frutos com a colaboração do servo que se propõe regá-la e adubá-la. Há sempre tempo, Deus concede sempre um tempo favorável para a salvação.
E é face a este tempo que tudo se joga e para o qual Jesus chama a atenção. Não importa o número dos que se salvam, mas a atitude no tempo propício para alcançar a salvação. É esta atitude que vai ajudar a passar a porta estreita, uma porta aberta já para cada um de nós pelo próprio Filho de Deus no mistério da sua morte e ressurreição, mas que exige a nossa colaboração, o nosso esforço, a nossa luta.
Santo Agostinho escreveu: “Deus que nos criou sem nós não nos salvará sem nós”; ou seja, Deus exige a nossa participação e colaboração, a nossa parte de luta no combate que Ele mesmo já travou por cada um de nós. A salvação é assim em grande medida uma questão de liberdade, da minha liberdade em aceitar e colaborar na obra da salvação, da minha salvação e da salvação dos meus irmãos.
Nada é mais humilhante para uma pessoa que ser declarada irresponsável, e é isso que Deus não quer para nós, para cada um de nós. Deus não nos quer humilhar nem humilhados e por isso oferece-nos a responsabilidade de livremente acolhermos o dom da salvação e de a fazermos nossa com o nosso esforço.
Retomando as palavras da Epístola aos Hebreus, Deus trata-nos como filhos, mas como filhos adultos, homens e mulheres livres e responsáveis, aos quais como pai solícito pede que não se deixem abater, que não desanimem, que não desistam, mas que corajosamente se levantem e se dirigiam nos passos do irmãos mais velho que vai à frente e por isso se tornou a porta por onde todos podem e devem passar.
Eu Sou a Porta, diz-nos Jesus; uma porta larga de amor e misericórdia, mas igualmente uma porta estreita porque nos exige responsabilidade, cooperação, combate, perseverança até ao último momento, partilha das fraquezas e debilidades dos outros, aceitação dos nossos fracassos na luta, humildade para acolher o dom gratuito do amor de Deus; uma porta aberta na eternidade para o tempo de cada um de nós, mas também uma porta que se fecha quando lhe voltamos as costas, quando nos recusamos a transpô-la na nossa vida.
Que o Senhor nos conceda a graça de fixarmos o nosso olhar e o nosso coração na meta a que estamos destinados, para desta forma não descuidarmos nenhum esforço para a passagem pela porta estreita, mas bem pelo contrário para os amarmos como já participação da vitória alcançada por Jesus.

 
Ilustração:
“Parábola do vizinho importuno”, de William Holman Hunt, Galeria Nacional de Vitória, Austrália.

domingo, 26 de junho de 2016

Homilia do XIII Domingo do Tempo Comum

O Evangelho de São Lucas divide-se em três grande blocos, um primeiro bloco dedicado ao nascimento e infância de Jesus e por isso chamado também Evangelho da Infância, um segundo bloco dedicado à pregação e milagres de Jesus na Galileia, e por fim um terceiro bloco, composto de dez capítulos, que nos narra a subida de Jesus para Jerusalém, a sua caminhada para o fim que lhe estava destinado e Jesus assume livremente.
É no início deste terceiro bloco que encontramos os grandes desafios do seguimento, a questão da identidade de Jesus, que o Evangelho nos apresentava no domingo passado, e que nos desafia na nossa identidade, e as condições de realização desse seguimento identificativo, que nos são apresentadas no Evangelho de hoje.
Estamos diante de um texto exigente, um texto que nos deve fazer pensar e ajudar a aferir da nossa vida e do nosso seguimento, pois ao convite de Jesus, poderíamos dizer geral e abrangente, de assumir a cruz e seguir com ele, somam-se agora condições concretas e reais, as condições que ele mesmo vive e portanto não pode deixar de apresentar e exigir a quem se dispõe a segui-lo.
É um tudo ou nada, uma radicalização, em que muitas vezes parece que nos é pedido mais do que as nossas capacidades e condições humanas podem suportar. É um pedido, ou um convite que conduz à renúncia total, que nos coloca num processo que nos deve levar à renúncia total, mas que Jesus sabe, como também nós sabemos, que é condicionado pela nossa liberdade e pela nossa apetência de posse. No fundo não deixamos de querer guardar sempre alguma coisa para nós.
É neste quadro, com estas condicionantes, que Jesus diz ao primeiro que se apresenta para o seguir para onde quer que vá, que o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça, ao contrário das raposas e dos pássaros que têm as suas tocas e ninhos. É o desafio do despojamento, da pobreza, mas igualmente da falta de segurança, de um ninho ou uma toca onde refugiar-se, onde voltar ao final do dia ou dos trabalhos.
Aquele que se propõe seguir Jesus, que aceita o seu desafio de seguimento deve estar preparado e consciente desta pobreza, deste despojamento, que atinge a radicalidade de não ter nada senão o próprio Deus Pai no qual se deposita toda a confiança, toda a esperança e toda a segurança. Afinal o Pai veste melhor os lírios do campo que o próprio rei Salomão!
Seguir com Jesus e subir a Jerusalém implica assim essa fé total no Pai que acompanha, vigia e não deixará de estar presente nos momentos mais dolorosos e desafiantes para cobrir com a sua capa de misericórdia aquele que confia e se entrega.
Ao convidado a seguir o Mestre que necessita de ir sepultar o seu pai, Jesus contrapõe a radicalidade de deixar os mortos sepultarem os mortos, porque afinal o chamamento ao seguimento é inquestionavelmente para um serviço, para uma missão, como é a de anunciar o Reino de Deus. Não estamos diante de uma quebra das relações familiares, de uma usurpação de um membro à família e muito menos diante de uma crítica ao cuidado dos defuntos. O desafio do seguimento é um desafio para um serviço de vida, para um serviço muito mais significativo que o cuidado dos mortos como é o do anúncio do Reino.
A resposta de Jesus aponta-nos o fim do seguimento, mas igualmente a prioridade que lhe é devida, e portanto não se devem colocar em primeiro lugar outras realidades, que em definitiva devem estar subjugadas ao primeiro fim que é o Reino de Deus. Podemos e devemos sepultar os pais defuntos mas na medida em que tal signifique uma realidade do Reino, uma manifestação da realidade do Reino.
Por fim, e àquele que depois de se sentir chamado e de se ter colocado no processo de seguimento deseja ir despedir-se da família, Jesus responde que o olhar para trás inviabiliza o serviço e a pertença ao Reino, impede o verdadeiro seguimento. É a tentação de olhar para o passado, de nos deixarmos aprisionar naquilo que vivemos e experimentámos, tal como o povo hebreu quando no deserto chorava as cebolas e os pepinos do Egipto.
O desafio do seguimento de Jesus joga-se no presente com a perspectiva de futuro, porque é no presente que Deus age e nos pede acção. Olhar para o passado e viver nele é não estar atento ao que Deus vai fazendo no presente, é não perceber a novidade que cada dia Deus vai realizando na vida e na história de cada um. E seguir Jesus implica estar aberto a essa novidade, disposto a vivê-la com a confiança de que Deus nos conduz sempre à terra prometida.
A leitura do Evangelho de hoje mostra-nos assim as condições do seguimento de Jesus, mas igualmente as tentações que podemos sofrer, os pretextos que nos podem impedir e podem desvirtuar o dom total a que o Senhor nos chama, como são a nossa liberdade, o amor à família, a amizade aos próximos ou os bens que possuímos, que devem estar ao serviço do Reino e não ser obstáculo para o seguimento.
Neste sentido, e neste quadro existencial em que oscilamos entre o que nos desafia e lança no seguimento de Jesus e as realidades que nos prendem, a nossa apetência para a apropriação, devemos ter presentes as palavras de Elias a Eliseu, quando este propõe ao profeta ir despedir-se da sua família: vai e volta porque eu já fiz o que devia.
Ao terminar cada dia, ao fazer o exame de consciência, deveríamos ter presente o que fizemos, o que devíamos ter feito. Fazemos em cada dia o que de facto nos compete, o que Deus espera de nós, o que nos realiza face aos dons e graças concedidas por Deus? Quando nos apresentamos diante de Deus que colocamos nas nossas mãos?
Que a luz do Espirito Santos nos ilumine e auxilie, para tal como Jesus podermos dizer “Pai nas tuas mãos entrego o meu espirito”. Pai tudo recebi de ti e tudo te confio!

 
Ilustração:
“O jovem rico”, de Heinrich Hofmann, Igreja de Riverside, Nova-York.