quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Deixar a Palavra fazer o seu caminho

 
A dificuldade estava em propor aos jovens o versículo bíblico sem que ele parecesse dogmático ou moralizador. Nós queremos deixar uma grande liberdade ao internauta, dar-lhe acesso ao texto e deixar a Palavra de Deus fazer o seu caminho.
Elisabeth Terrien,

Ilustração: Calçada do Jardim de Serralves no Porto.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

As crianças são naturalmente

 
Muitos cristãos ignoram que as crianças são naturalmente espirituais e eu sinto o dever de cultivar esta espiritualidade que elas têm em si.
Chantal Créach,

Ilustração: Putis do Bassin Central dos Jardins do Palácio de Versalhes.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Datas para a Memória da Igreja e Paróquia de Cristo Rei

A publicação de uma fotografia antiga no dia em que a Paróquia de Cristo Rei celebrou os seus trinta e cinco anos suscitou bastante interesse e levantou algumas dúvidas e perguntas que convém esclarecer.
Os dominicanos chegaram à Gomes da Costa a 14 de Agosto de 1949, instalando-se numa casa que pertencia a D. Emília Matoso Botelho na Rua Afonso de Albuquerque.
Nos primeiros dias de Abril de 1950 dava-se início aos trabalhos de desaterro, para que pudessem ser lançados os alicerces, pela empresa “Ramalhão e Silva”, à qual tinha sido adjudicada a obra.
Aos 28 dias do mês de Agosto de 1951 era lançada a primeira pedra da igreja e convento, numa cerimónia presidida pelo Bispo Auxiliar do Porto D. Policarpo da Costa Vaz e à qual assistiram as diversas autoridades da cidade do Porto.
Entre as autoridades presentes encontrava-se o Engenheiro Cândido Ramalhete, nomeado Fiscal por parte do Estado das Obras do Convento e Igreja, o Doutor Braga da Cruz, Governador Civil do Porto, o Coronel Lucínio Presa, Presidente da Câmara do Porto, o Engenheiro Brito e Cunha, Director Geral dos Serviços de Urbanização, para além de Vereadores e outros Funcionários Superiores.
A 16 de Abril de 1952, Domingo de Ramos, era inaugurada a cripta da igreja, tendo-se encomendado em Paris um grupo escultório de Georges Serraz com a imagem de Nossa Senhora do Rosário e São Domingos para o altar, que não chegou a tempo da cerimónia e só mais tarde foi colocado no lugar.
Meio ano mais tarde, em Outubro de 1952, era inaugurada a parte residencial, o Convento.
Aos 23 dias do mês de Maio de 1954 era sagrada a Igreja de Cristo Rei pelos bispos D. Francisco Rendeiro e D. António Ferreira Gomes, tendo sido a celebração transmitida pela Emissora Nacional.
Em Outubro de 1959 era instituído o Convento de Cristo Rei, a comunidade dominicana ali residente atingia o número necessário de frades e a estabilidade de vida para poder passar de Casa a Convento.
Passados vinte anos sobre a instituição oficial do Convento de Cristo, e a pedido de muitas famílias, a 2 de Fevereiro de 1979 era constituída a Paróquia Experimental de Cristo Rei pelo Bispo D. António Ferreira Gomes, sendo nomeado como primeiro Pároco frei Eugénio Boléo.
Passaram trinta e cinco anos sobre a Paróquia e em breve passarão sessenta e três sobre o lançamento da primeira pedra da igreja, bem como sessenta sobre a sua sagração.
Este é assim um ano para fazer memória e sonhar o futuro.

A visibilidade sacramental dos cristãos

 
O que conta é que as comunidades cristãs saibam viver de acordo com o Evangelho, testemunhá-lo, fazer com a sua vida a história de Jesus Cristo. A visibilidade dos cristãos, se é conforme ao Evangelho, será por ela própria manifesta, sacramental, significativa.
Enzo Bianchi,

Ilustração: Trecho das estantes da biblioteca do Convento de Mafra

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Homilia da Festa da Apresentação do Senhor

Passados quarenta dias sobre o nascimento de Jesus celebramos a Festa da Apresentação de Jesus no Templo. Maria e José sobem a Jerusalém para cumprir o que estava estipulado na Lei de Moisés, a consagração daquele que era o primeiro filho e a purificação daquela que tinha dado à luz.
É um acontecimento que não pode deixar de ser visto e lido à luz da construção teológica da narração evangélica, pois, ainda que estivesse estipulado a consagração do primeiro filho e o rito da purificação da mãe, nada na Lei obrigava a subida a Jerusalém para o cumprimento de tal rito e consagração.
A apresentação de Jesus no templo, ainda que enquadrada nos preceitos legais e rituais, é assim uma espécie de metáfora, como que um prólogo carregado de imagens que sintetizam a vida e o mistério de Jesus.
Neste sentido, a oferta e consagração de Jesus no templo de Jerusalém apela inequivocamente para a consagração e a entrega de Jesus na cruz, é como se um processo se iniciasse para ter a sua conclusão nas palavras “Pai nas tuas mãos entrego o meu espirito”. O que aqui se inicia segundo a Lei vai concluir-se de acordo com a vontade livre daquele que entrega e consagra a sua vida ao Pai.
Por outro lado, a apresentação de Jesus no templo representa também a oblação perfeita, a oblação agradável como profetizava Malaquias que escutámos na primeira leitura, uma oblação que não pode ser obtida pelo sacrifício de touros e carneiros, mas pelo próprio Filho quando se entrega na cruz no momento em que os cordeiros da Páscoa são sacrificados.
A apresentação de Jesus no templo é ainda a manifestação do sacerdócio de Jesus, um sacerdócio que nunca será exercido no templo edificado por mãos humanas, mas que será exercido pela fidelidade ao amor de Deus, à misericórdia divina. Ao ser apresentado no templo Jesus toma de certa forma posse da casa de Deus, o que lhe permite doze anos mais tarde dizer a José e Maria que era sua obrigação olhar pela casa de seu Pai.
Nesta metáfora poliédrica que é a apresentação de Jesus no templo não podemos esquecer que ela significa ainda o encontro de Deus com o homem, pois no momento da apresentação deparamos com o velho Simeão que vem ao encontro de Jesus, que é trazido pelo Espirito Santo para se encontrar com aquele que esperava, e com a profetiza Ana que não deixa de anunciar a todos o que tinha descoberto naquele menino.
Simeão, que o texto nos apresenta como um homem justo e piedoso, representa o povo de Israel, bem como toda a humanidade, que apesar das dificuldades não se cansava de esperar a salvação, a vinda do Messias. Por seu lado, Ana representa o povo que face ao encontro e ao conhecimento daquele que é o Salvador não cessa de o anunciar e apresentar aos outros como salvação.
Simeão e Ana traduzem assim, no acontecimento da apresentação de Jesus, o encontro da bondade de Deus com as expectativas da humanidade, a espera confiante e diligente do homem, bem como a urgência de anunciar e partilhar com os outros a alegria do tesouro encontrado.  
Estas atitudes definem de certa forma os consagrados que nesta festa da Apresentação de Jesus a Igreja recorda e apresenta como experiência radical do seguimento de Jesus.
Contudo, não podemos esquecer que os consagrados no seu desejo intenso de ver Deus e na perseverança da sua oração e missão são para todos nós memória e apelo do dom do encontro com Deus, são um convite à renovação pessoal e comunitária do desejo de seguir Jesus, de lhe ser fiel, e de o levar a todos os homens. Se os consagrados anunciam o dom de Deus aos homens, o fazem presente e visível, é para que cada um de nós o tenha presente e renove em si próprio esse mesmo espirito de dom.
Ao celebrarmos nesta Festa da Apresentação de Jesus os trinta e cinco anos desta paróquia de Cristo Rei é bom recordar os consagrados que já por aqui passaram e procuraram testemunhar a alegria do encontro com o Senhor. Contudo, não podemos deixar de salientar que estes trinta e cinco anos de história são também uma experiência do encontro com Cristo, de que a Eucaristia comunitária é a expressão mais concreta e dinâmica, mais realizadora e potenciadora.
Em cada Eucaristia Deus vem uma vez mais ao nosso encontro, aqui e agora, na Palavra que escutámos, no Pão da Vida que comungamos e na nossa relação fraterna e amiga Deus vem ao nosso encontro.
As velas que abençoámos e acendemos no início da nossa Eucaristia e que cada um vai levar consigo é um sinal da luz deste encontro com Deus que hoje celebramos, luz que necessita chegar a todos os povos e a todas as realidades que ainda estão distantes do amor salvífico de Deus, e que nos compete iluminar.
Que nos deixemos guiar pelo Espirito Santo nesta missão de levar a luz de Cristo tal como Simeão se deixou guiar até ao templo de Jerusalém.

 
Ilustração: “Apresentação de Jesus no Templo”, de Sébastien Bourdon, Museu do Louvre.

Não significa ser insignificante

 
Ser uma realidade pequena não significa ser insignificante! Ser fraco e frágil não equivale a ser espiritualmente decadente. Muitas comunidades pobres em efectivos, pouco visíveis, incapazes de se impor, foram na realidade minorias criativas e convictas, capazes de mudar o curso da história.
Enzo Bianchi,

Ilustração: Árvore coberta de neve no jardim de Vernier, Suíça.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

E Deus viu que eram boas

 
Devíamos maravilhar-nos pelo facto de Deus, ainda que tendo criado realidades precárias, ter visto “que elas eram belas e boas” (Gn1). Poucas coisas são tão precárias como uma flor; mas quem, por esta mesma razão, não sabe reconhecer-lhe a beleza?
Enzo Bianchi,

Ilustração: Flor da casa dos meus pais.