domingo, 6 de abril de 2014

A liberdade acima de tudo

 
A liberdade do homem está acima de tudo, não há no mundo qualquer objectivo ao qual seja lícito sacrificar a liberdade humana.
Vassili Grossman, “Tudo Passa”, 179.

Ilustração: Árvores do jardim de Serralves no outono.

sábado, 5 de abril de 2014

O carrasco não é homem

 
O juízo sobre o carrasco é só um: ele olha para a sua vítima como se ela não fosse um ser humano e, ao fazê-lo, o próprio carrasco deixa de ser homem, mata o homem em si próprio, torna-se o seu próprio carrasco.
Vassili Grossman, “Tudo Passa”, 134.

Ilustração: Fontes do monumento na Rua da Federação em Genebra.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

A força da proibição

 
A força da proibição entra na vida e tudo o que era simples e bom, o pão e a água potável da vida, revela a sua maldade baixa e as suas trevas. A violência e a proibição transformam inevitavelmente o bom no mau dentro da pessoa.
Vassili Grossman, “Tudo Passa”, 111.

Ilustração: Rebentar das ondas junto à praia do salvador na Foz do Porto.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

O que é feminino

 
Tudo o que é feminino, a ternura, o cuidado, a paixão, a maternidade, é o pão e a água da vida. Tudo isso nasce na mulher porque há no mundo maridos, filhos, pais, irmãos. Tudo isso preenche a vida do homem, porque há no mundo a mulher, a mãe, a filha, a irmã.
Vassili Grossman, “Tudo Passa”, 111.

Ilustração: Escultura “A Onda” do jardim da Mairie de Vernier.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

A revolução cristã

 
A revolução cristã instaura a ideia que o amor salva. Jesus prende-se aos seus. Por exemplo, a morte do seu amigo Lázaro fá-lo chorar por duas vezes. Neste sentido, ele está nos antípodas do estoicismo ou do budismo.
Luc Ferry, Filósofo 

Ilustração: Vitral dos Evangelistas na Capela dos Macabeus na Catedral de São Pedro em Genebra.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Senhor não tenho ninguém! (Jo 5,7)

Jesus sobe a Jerusalém por motivo de uma das festas judaicas e ao passar junto da piscina de Betsatá encontra uma multidão de enfermos, cegos, coxos e paralíticos.
É uma massa humana carregada de sofrimento, de marginalização e exclusão, mas igualmente uma massa humana na qual apesar da pobreza e das limitações a lei do mais forte também impera.
Por circunstâncias diversas uns conseguem entrar na água da piscina, quando esta se agita, enquanto outros permanecem de fora sem qualquer hipótese.
E é a um destes duplamente excluídos e marginalizados que Jesus se dirige, a um homem que há trinta e oito anos está enfermo e não tem ninguém que o ajude a entrar na água da piscina.
No limite do sofrimento Jesus oferece a oportunidade de cura, uma cura que não provém da água que se agita mas da sua palavra, da sua vontade de libertar o homem daquele sofrimento físico e moral.
A regra do mais forte, a lei da selva, é assim abolida pela misericórdia, pela atenção de Jesus ao sofrimento daqueles que são marginalizados e excluídos, daqueles que não têm qualquer oportunidade.
Num mundo como o nosso, em que os mais fortes conquistam os lugares ao sol em detrimento dos mais fracos, daqueles que têm menos força ou poder, este gesto de Jesus recorda-nos a necessidade de partilharmos uns com os outros o que temos, a necessidade de nos cuidarmos mutuamente.
Necessitamos pôr-nos todos de pé, apoiados uns nos outros, porque só assim poderemos levar a nossa enxerga com mais facilidade, uma vez que o seu peso vai distribuído entre todos. E todos temos uma enxerga, ou uma cruz, para levar.

 
Ilustração: “Jesus cura o paralítico junto à piscina de Betsatá”, fresco na Igreja de São Nicetas, Banjani, Macedónia.

A oração autêntica

 
A oração autêntica não é uma petição infantil, mas é um estabelecer de relação entre mim e Deus, o que supõe fazer calar o mundo da distracção, mais propriamente, essas realidades que provocam ruido.
Luc Ferry, Filósofo 

Ilustração: Ramos de salgueiro cobertos de neve em Vernier Genebra.