Jesus sobe a Jerusalém
por motivo de uma das festas judaicas e ao passar junto da piscina de Betsatá
encontra uma multidão de enfermos, cegos, coxos e paralíticos.
É uma massa humana
carregada de sofrimento, de marginalização e exclusão, mas igualmente uma massa
humana na qual apesar da pobreza e das limitações a lei do mais forte também
impera.
Por circunstâncias
diversas uns conseguem entrar na água da piscina, quando esta se agita,
enquanto outros permanecem de fora sem qualquer hipótese.
E é a um destes
duplamente excluídos e marginalizados que Jesus se dirige, a um homem que há trinta
e oito anos está enfermo e não tem ninguém que o ajude a entrar na água da
piscina.
No limite do
sofrimento Jesus oferece a oportunidade de cura, uma cura que não provém da
água que se agita mas da sua palavra, da sua vontade de libertar o homem
daquele sofrimento físico e moral.
A regra do mais forte,
a lei da selva, é assim abolida pela misericórdia, pela atenção de Jesus ao
sofrimento daqueles que são marginalizados e excluídos, daqueles que não têm
qualquer oportunidade.
Num mundo como o
nosso, em que os mais fortes conquistam os lugares ao sol em detrimento dos
mais fracos, daqueles que têm menos força ou poder, este gesto de Jesus recorda-nos
a necessidade de partilharmos uns com os outros o que temos, a necessidade de
nos cuidarmos mutuamente.
Necessitamos pôr-nos
todos de pé, apoiados uns nos outros, porque só assim poderemos levar a nossa
enxerga com mais facilidade, uma vez que o seu peso vai distribuído entre todos.
E todos temos uma enxerga, ou uma cruz, para levar.
Ilustração: “Jesus
cura o paralítico junto à piscina de Betsatá”, fresco na Igreja de São Nicetas,
Banjani, Macedónia.