terça-feira, 4 de março de 2014

A gratidão

 
Prazer de receber, alegria de estar alegre: gratidão. A gratidão não tem mais a dar que este prazer de ter recebido. Que virtude mais leve, mais luminosa!
André Comte-Sponville,

Ilustração: Flores de arbusto do Jardim de Serralves.

segunda-feira, 3 de março de 2014

A tua grandeza

 
 
Tu desejas mais do que acreditas, a tua grandeza ultrapassa a consciência do que conheces. Vive de acordo com esta grandeza; quanto mais fazes a experiência desta vida, mais te apercebes que és grande e esta grandeza é uma exigência.
François Varillon,

Ilustração: Brilho de outono no Jardim de Serralves.

domingo, 2 de março de 2014

Homília do VIII Domingo do Tempo Comum

Ao escutarmos estre trecho do Evangelho de São Mateus que a Liturgia da Palavra deste domingo nos oferece, a primeira ideia que fixamos é que não podemos servir a Deus e ao dinheiro, certamente porque, a bem da verdade, mais ou menos todos vivemos esse conflito de não saber muito bem a quem servir.
Umas vezes pensamos e queremos servir a Deus, mas prontamente descobrimos que afinal não podemos deixar de servir o dinheiro, outras vezes servimos o dinheiro mas também rapidamente constatamos que não nos colma o desejo que profundamente habita em nós.
Desta forma, temos que assumir que inevitavelmente vivemos em conflito, um conflito interior, um conflito de interesses que se repercute exteriormente, que se repercute nas nossas palavras, nos nossos gestos, na própria forma como vivemos e construímos a nossa vida.
Muitos dos conflitos, das divisões e confrontos com que nos vamos deparando nas nossas mais diversas circunstâncias não são mais que o reflexo dos nossos conflitos e divisões internas, provocadas pela ambiguidade de servir a dois, ou até a mais, senhores.
Para que tal possa começar a ter um fim, para que possamos iniciar uma terapia, temos que assumir que Jesus ao dizer que não podemos servir a Deus e ao dinheiro não está a condenar o dinheiro, não nos está a privar do seu uso, mas a chamar-nos a atenção para a forma como nos relacionamos com o dinheiro, com a sua idolatria e absolutização.
Porque afinal é este o problema que está em causa, a absolutização do dinheiro, do lucro, que tantos estragos têm feito na vida de tantos homens e mulheres, de tantas famílias, uma vez que tudo se torna relativo e descartável face a esse mesmo lucro e dinheiro.
A absolutização e idolatria do dinheiro aproxima-nos da tentação de Adão e Eva, quando seduzidos pela serpente pensaram que comendo do fruto da árvore podiam ser como Deus. A idolatria do dinheiro e a sua absolutização dão-nos também essa sensação, essa esperança, e por isso muitos homens e mulheres vivem para o dinheiro como se ele lhes garantisse a imortalidade.
Contudo, para que o combate à idolatria do dinheiro e aos conflitos e divisões que provoca possa ser verdadeiramente eficaz, temos que assumir que à luz das palavras de Jesus há uma outra idolatria, menos óbvia, mas muito mais degradante da condição humana, uma idolatria que possibilita e potencia a idolatria do dinheiro.
Essa idolatria funda-se no distanciamento de Deus, é a idolatria da ausência de Deus, como se Deus não se interessasse mais pelo homem e pelas suas condições de vida.
É a idolatria que vemos subjacente na leitura do Profeta Isaías que escutámos, um profeta que face a esta mesma concepção se vê obrigado a dizer ao povo que tal como uma mãe não pode esquecer o seu filho também Deus não pode esquecer o seu povo, os homens, o objecto da sua predilecção.
Mas o profeta vai ainda mais longe, assume de forma mais radical o amor e a presença de Deus, ao dizer que se uma mãe é capaz de esquecer o seu filho, Deus não é capaz de tal atitude, de tal esquecimento, uma vez que o seu amor é permanentemente actual. Deus revela-se existente nesse mesmo amor, nesse cuidado e atenção para com a sua obra.
Quando o homem vive acreditando que Deus se ausentou, que Deus se desinteressou, é muito fácil cair na idolatria daquilo que nos parece dar a segurança, é muito fácil aceitar o dinheiro, o poder, ou a força como os meios de salvação e realização.
Para evidenciar este abismo idolátrico Jesus apresenta no Evangelho as imagens poéticas dos lírios do campo e das aves dos montes, que são vestidos e alimentados em magnificência e abundância por Deus. Se tal acontece com realidades tão frágeis e perenes, como é possível que não se acredite que também assim acontece com o homem, ou ainda de forma mais excelente com o homem quando este é o esplendor da criação divina?
O equilíbrio saudável entre a confiança na protecção de Deus e o uso do dinheiro para o que verdadeiramente é necessário conduz-nos à recomendação de Jesus de procurarmos antes de mais o Reino de Deus e a sua justiça, porque tudo o demais nos será dado por acréscimo.
De facto, quando confiamos em Deus e procuramos a justiça do Reino de Deus, a justiça da fraternidade da filiação divina, o dinheiro, o poder ou a força são colocados nos seus devidos lugares de meios, de instrumentos, para a prossecução da felicidade e realização de todos.
Procuremos pois, como São Paulo na Primeira Carta aos Coríntios, ser administradores fiéis de tudo o que somos e recebemos, confiantes da ajuda e colaboração de Deus, a quem única e verdadeiramente serão prestadas todas as contas da administração recebida.  

 
Ilustração:
1 – “Os contadores de dinheiro”, Museu de Belas Artes de Nancy.
2 – “A jovem mãe”, de Paul Seignac, Dorotheum.

Olha para ti

 
Olha para ti, tu tens em ti próprio o céu e a terra.
Santa Hildegarda de Bingen,

Ilustração: Espelhos de água do Jardim de Serralves

sábado, 1 de março de 2014

O que verdadeiramente importa

 
O que verdadeiramente importa é ir ao encontro do que é simples, e viver do que é vida, e deixar morrer o que está morto.
Maurice Bellet,

Ilustração: Alameda do jardim Promenade des Bastions em Genebra.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Por quem rezo

 
Por vezes rezo pelas pessoas que estão à minha volta, escolho-as assim, ao acaso. Jamais uma oração se perdeu, jamais.
Michael Lonsdale,

Ilustração: Interior da igreja dominicana de São Paulo em Genebra.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Um conselho

 
Se tivesse um conselho para dar, diria: recorrer ao Espirito Santo, rezar a Deus, pedir muito. E depois, rodear-se de pessoas que testemunhem desta capacidade, de pessoas que são de Deus.
Michael Lonsdale, Actor

Ilustração: Ciprestes do Jardim de Serralves.