sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Antífona do Ó do dia 17 de Dezembro

Ó Sabedoria do Altíssimo, que tudo governais com firmeza e suavidade: vinde ensinar-nos o caminho da salvação.

Um grito, um suspiro, uma aspiração, um desejo, Ó Sabedoria vem!
Tu que estavas presente no momento da criação, que modelastes o mundo e os mundos com a tua beleza e o teu amor;
Tu que desenhastes o homem à imagem de Deus para que conhecesse o seu criador e o reconhecesse tão perto de si como o seu próprio corpo;
Tu que destes a vida com um sopro para que o hálito divino sempre nos atraísse para ti;
Tu que tudo governas com sabedoria e suavidade porque em ti não há perturbação nem mentira.
Vem Sabedoria do Altíssimo, vem habitar entre nós, vem revelar-nos o caminho de casa que esquecemos.
Vem Sabedoria do Altíssimo iluminar os nossos olhos para te ver onde passas ao raiar da manhã e ao pôr-do-sol, na dor e no amor, na mão estendida e no coração ferido.
Vem Sabedoria do Altíssimo ensinar-nos o caminho da Salvação, o Divino feito homem, a força feita fraqueza, a misericórdia superando a culpa.
Vem Sabedoria do Altíssimo feita criança para poderes ser recebida, amada, para que não nos escusássemos de não te ter à mão.
Vem habitar nos nossos corações, vem mostrar-nos o caminho, a nossa humanidade assumida e redimida porque nela te encontramos de uma forma completa.
Vem Sabedoria, caminha connosco uma vez mais, habita à nossa porta ainda que nós tantas vezes nos esqueçamos de habitar à tua. Vem e não deixes nunca de vir!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A crise interior de João Baptista

Ao ver chegar o fim dos seus dias e da sua missão como precursor do Messias São João Baptista vive uma profunda crise interior, um grande dilema, pois no seu coração e na sua razão chocam-se a esperança do Messias libertador do povo de Israel e as acções um tanto ou quanto desconcertantes e estranhas de Jesus, em quem ele tinha reconhecido um dia o Messias. Encarcerado por ordem de Herodes, consciente do fim trágico e violento que o espera João vive nesse dilema da verdade sobre o Messias e sobre Jesus.
À luz da tradição o Messias era alguém que libertaria o povo de Israel, alguém que exerceria o poder da justiça, que realizaria o julgamento sobre os bons e os maus. Contudo, aquele que João tinha reconhecido como Messias não estava a fazer nada disso, não estava a corresponder ao modelo do Messias esperado, bem pelo contrário parece que fazia tudo para contrariar esse mesmo modelo e imagem tradicional. Ter-se-ia enganado?
É assim, e para tentar encontrar luz para a sua missão, para o que tinha sido a sua missão, para o que via e para a esperança que o habitava, e para a justificação do reconhecimento anterior do Messias naquele Jesus, que envia dois dos seus discípulos ter com Jesus para lhe trazerem uma resposta. Afinal és tu o Messias esperado, ou equivoquei-me no reconhecimento que fiz?
Para confirmar a fé de João, a sua missão e a sua vida, e o reconhecimento que tinha realizado do Messias, Jesus não só realiza várias curas diante dos enviados como os remete para a profecia de Isaías, afinal a profecia que João tinha assumido com a sua vida, à qual tinha tentado ser fiel com a sua pregação, com o seu apelo à conversão.
Perante a profecia de Isaías e os milagres operados é fácil para os enviados e para João perceber que aquele Jesus era verdadeiramente o Messias. Poderá então João ter-se enganado na concepção do Messias, na ideia tradicional que o marcava e o fazia estar neste dilema? Se aquele Messias curava e perdoava os pecados de que modo e quando exerceria a justiça?
A verdade é que pela cura, pelos milagres, pelos sinais da misericórdia de Deus Jesus estava já a exercer o julgamento e a libertação que marcava o modelo messiânico. Só que não exercia essas realidades de acordo com as concepções humanas, com os parâmetros humanos, de que estava enfermado o modelo, e por isso o equívoco, por isso a incerteza e a dúvida. Jesus salva e julga de acordo com o amor de Deus pelos homens e não pelos critérios dos homens para com Deus.
Este dilema de João é para nós uma imagem de algumas realidades que também vivemos quando Jesus, Deus, se nos apresenta de uma forma que não corresponde aos nossos critérios, às nossas expectativas. Há como que um desencontro entre o nosso salvador e o verdadeiro Deus que nos vem salvar, uma desproporção entre as nossas concepções humanas e a realidade divina. Assim, resta-nos um trabalho contínuo de transformação do nosso olhar, dos nossos critérios, um despojamento das nossas contrafeitas imagens de Deus para que a verdadeira divindade se possa revelar e salvar-nos.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

A parábola dos filhos obedientes (Mt 21,28-31)

As parábolas de Jesus sempre nos colocam em cheque, sempre nos fazem vacilar entre um ou outro personagem, pois sempre nos podemos identificar com um ou com outro dos intervenientes.
Nesta parábola do pai que pede aos filhos que vão trabalhar para a sua vinha encontramos dois filhos e duas atitudes completamente opostas. Um primeiro filho que se nega ao pedido do pai mas depois vai trabalhar para a vinha, e um segundo filho que aquiesce ao pedido do pai mas depois não vai. São duas figuras que podemos encarnar, que são imagens de muitas das nossas realidades e compromissos.
Elas no entanto evidenciam uma realidade bem mais profunda que a adesão ao pedido do pai, é a realidade da relação com o pai, do conhecimento e reconhecimento, de um respeito que um filho primeiramente não mostra mas depois desenvolve e que o outro filho mostra mas é apenas hipocritamente e portanto não tem.
Se o primeiro filho, aquele que frontalmente se nega a anuir ao pedido do pai, reconhece o seu erro e muda de atitude, é porque encontra no pai e reconhece a liberdade que o pai tem pela sua decisão, o respeito que o pai tem por ele enquanto filho e enquanto capacidade para dizer sim e dizer não. O pai não se impõe, não obriga, apenas faz um pedido e espera uma resposta, que neste caso chega quando se reconhece a autonomia e a liberdade pessoais.
Podemos dizer que este filho faz um processo de caminhada de conversão, um processo que tramita pela sua autonomia e pela sua liberdade que conscientemente reconhecidas não podem deixar de conduzir a uma outra resposta, a uma adesão e a um consentimento positivo ao pedido feito.
Ao contrário, o filho que não vai para a vinha mas diz que sim ao pai envereda por um processo de mentira, de uma obrigação e opressão que não existe porque também ele tem a liberdade de dizer não como teve a liberdade de não ir depois de se comprometer com o pai que iria trabalhar para a vinha. Este filho não conhece o pai, não conhece a sua liberalidade e julga o pai por si mesmo, pela sua hipocrisia e incapacidade de agir livremente. Inversamente ao irmão rebelde este filho obediente distancia-se do pai e da liberdade que o pai possibilita.
Encontramos também nestas duas atitudes o verso e o reverso da dinâmica do ser cristão, uma dinâmica que não se restringe apenas a uma resposta, a uma apresentação exterior, mas a um compromisso activo, participativo, revelador da resposta verdadeiramente dada. Não basta dizer sim ao pai, é necessário ir de facto para a vinha, mostrar factualmente a resposta afirmativamente dada.
Neste sentido cabe-nos perguntar e avaliar das nossas respostas a Deus, e de como em cada uma delas estamos a respeitar a liberdade que Deus nos dá, uma liberdade que conscientemente não nos pode deixar indiferentes, que inevitavelmente nos tem que dar um outro tipo de relação com Deus e portanto uma outra resposta aos seus pedidos. Afinal a pergunta é como somos livres em Deus e são livres as nossas respostas e os nossos compromissos.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Homilia do III Domingo do Advento

Neste terceiro domingo do Advento, domingo “Gaudete”, é a leitura do livro do profeta Isaías que nos dá o mote da nossa celebração convidando-nos à alegria, a essa alegria esperançada de que o mundo será diferente, de que o deserto e as terras áridas se cobrirão de flores e de beleza, de que as realidades deficientes e insuficientes serão superadas e justificadas.
E com esta alegria e esperança, tal como João Baptista, dirigimo-nos a Jesus e fazemos-lhe a mesma pergunta que lhe fizeram os enviados de João, “és tu Aquele que há-de vir ou devemos esperar outro?”
Mas tal como para João e também para nós a pergunta é um tanto ou quanto descabida, desfasada da realidade de que partimos para a colocar. Assim, não podemos esquecer que, no momento da pregação no deserto, João reconheceu em Jesus aquele de quem ele não era digno de desatar a sandália, reconheceu em Jesus o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo quando este se aproximava para ser baptizado, e mesmo no trecho que lemos hoje do Evangelho de São Mateus é dito que João tinha conhecimento das obras que Jesus operava, ou seja, das curas e dos milagres.
João Baptista tem assim uma noção, uma ideia, da pessoa que é Jesus, da missão messiânica que Jesus está a realizar. A questão, o que está em causa, é a distância entre aquilo que se vê, que João vê, e a realidade que lhe está subjacente, o seu significado. Não é plausível que João esperasse de Jesus o Messias guerreiro, vencedor, libertador do povo de Israel, ainda que seja essa a imagem tradicional e a de maior impacto histórico e que alguns discípulos de Jesus vão acalentar durante bastante tempo apesar dos sinais contrários dados pelo próprio Jesus. A sua proximidade familiar, alguma intimidade vivida no deserto, a possibilidade de Jesus ter sido discípulo de João durante algum tempo, levam-nos a acreditar que João não esperava um Jesus muito diferente do que tem presente diante de si.
Assim sendo, a pergunta que João manda fazer a Jesus é uma busca de sentido para o que vê, mas também para a sua própria situação e missão. João pregou no deserto, foi procurado por multidões, mas agora sofre na prisão e espera o seu fim, pois tem consciência de como tinha sido incómodo, o quanto tinha provocado a ira das autoridades. Terá valido a pena tudo isso? Ou terá sido em vão? Valerá a pena morrer? E morrer por quê ou quem?
A resposta de Jesus é uma citação mais ou menos livre da profecia de Isaías, profecia já antes aplicada a João enquanto precursor do Messias, enquanto aquele que brada no deserto para que sejam endireitadas as veredas e aplanados os caminhos. Jesus confronta assim João com o que tinha sido anunciado pelo profeta Isaías, com o que se estava a passar, e de alguma forma com a missão que João tinha assumido de encarnar uma parte dessa profecia.
E vemos que a resposta de Jesus se dirige directamente a João, à confirmação da fé de João no Messias que via diante de si, quando ao terminar o elenco das obras e dos acontecimentos extraordinários Jesus lhe diz “ e bem-aventurado aquele que não encontrar em mim motivo de escândalo”. Feliz serás tu João ao não encontrares motivo de decepção, de escândalo, nas coisas que eu faço, mas, acreditando no que está para lá do que vês, aceites sem temor entregar a tua vida, tal como o fizestes até hoje.
Jesus convida João à fé em si, à fé na sua missão messiânica, a perceber que por debaixo daqueles sinais visíveis, e aos olhos de tantos tão pouco significativos, se escondia uma realidade nova, uma realidade totalmente revolucionária que era a da presença de Deus entre os homens, a criação de um novo mundo e uma nova história, e da qual ele João também era participante.
As últimas palavras de Jesus, quando se dirige já à multidão e elogia João, corroboram esta leitura, pois sendo João o maior entre os filhos de mulher, sendo aquele que foi capaz de reconhecer o Messias quando nem sequer ainda havia algum sinal exterior da sua presença, nos reinos dos céus o menor será maior que ele. Ora, o menor no reino dos céus é aquele que se faz nada, é aquele que se aniquila para que os outros sejam, é o próprio Jesus, o Filho de Deus, do qual todos ganham estatura e grandeza, sentido, na medida em que participam do seu mistério, da sua missão, da sua entrega de vida e aniquilação.
Assim, João tem sentido e só se compreende, só se pode compreender a si próprio e à sua missão, aceitando esta participação, aceitando a grandeza invisível que se oculta sob a insignificância do que é visível, aceitando participar antecipadamente e invisivelmente com a entrega da sua vida no mistério invisível da redenção na morte visível de Jesus na cruz.
Na nossa caminhada de discípulos de Jesus, e também nesta caminhada de Advento, vem ao nosso encontro este mesmo desafio, esta mesma necessidade de colocarmos ao serviço da missão de Jesus as realidades que tantas vezes se nos escapam por falta de sentido, a nossa participação pessoal e insignificante no mistério grandioso da redenção.
E quando por vermos tantas coisas sem sentido nos interrogarmos sobre a validade da nossa participação e missão, se é agora que o Senhor está connosco ou nos voltamos para outro salvador, não podemos deixar de trazer à nossa razão e ao nosso coração as palavras de São Tiago “sede pacientes, fortalecei os vossos corações porque a vinda do Senhor está próxima”.
João Baptista na sua missão precursora de Jesus, na sua radicalidade de vida e nesta entrega e participação na missão misteriosa e redentora de Jesus convida-nos a procurarmos viver da mesma forma, a partilhar do mesmo mistério de vida.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Frei Tomás de Sena

Continuamos a divulgação de frades dominicanos do século dezoito apresentando o registo de tomada de hábito e profissão de frei Tomás de Sena, natural de Guimarães, e que professou para exercer o ministério de organista.
Tendo presente esta e outras entradas ao longo do século para este ministério específico percebemos o cuidado que havia no Convento de São Domingos de Lisboa em assegurar um acompanhamento instrumental aos Ofícios Litúrgicos, tão importante para a beleza da celebração. E podemos perguntar-nos se alguma vez existiu alguma produção original, se algum dos frades deixou alguma composição original. Da minha parte desconheço.

1709.Janeiro.21
Tomada de hábito de noviço do coro
“Aos 21 do mês de Janeiro de 1709, das sete horas para as oito da noite tomou o hábito de noviço do coro o irmão frei Tomás de Sena, em as mãos do Muito Reverendo Padre frei Manuel de Brito Prior deste convento de São Domingos de Lisboa, em fé do que fiz este assento, dia, mês, ano, ut supra.
Frei Alberto de São Tomás, Mestre de Noviços”

1710.Fevereiro.2
Profissão religiosa
“Aos dois de Fevereiro de mil e setecentos e dez, em dia da Purificação de Nossa Senhora, depois de Completas, que foram imediatamente junto a Vésperas, professou por filho deste convento de São Domingos de Lisboa o irmão frei Tomás de Sena, sendo Provincial desta Província o Muito Reverendo Padre Mestre frei Manuel de Sena, e Prior deste convento o Muito Reverendo Padre Presentado frei Veríssimo de Lima, em cujas mãos professou, e Mestre de Noviços o padre frei Alberto de São Tomás, ao qual irmão foi dito que pela profissão se obrigava a estreita obediência de nossas Sagradas Constituições e Regra e que se em algum tempo se achasse que ele tinha raça, ou alguma coisa que encontrasse a disposição que nossas Sagradas Constituições ordenam ficaria a profissão nula, o que ele ratificou, o qual é filho legítimo de Francisco da Fonseca Coutinho e de Gracia Sodre Pereira, naturais da vila de Guimarães, e ali mesmo moradores e declaro que este irmão entrou por organista, em fé de que fiz este assento, dia, mês, ano, ut supra.
Frei Veríssimo de Lima, Presentado e Prior
Frei Alberto de São Tomás, Mestre de Noviços
Frei Tomás de Senna”

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Se tivesses atendido às minhas palavras… (Is 48,18)

Com que emoção e dor o Senhor desabafa a nossa falta de resposta às suas ofertas, como apesar de tudo não nos deixámos prender pelas suas palavras, não fomos capazes de ser fiéis. E tantas ofertas que Ele nos fez, a paz como um rio, a justiça como as ondas do mar, a descendência para a eternidade, a sua intimidade e amizade incontestável. Mas nós não nos deixámos envolver, não escutámos o seu apelo, não prestámos atenção à sua oferta, bem pelo contrário preferimos o caminho dos ímpios e dos pecadores à senda do seu amor. Em lugar de nos deixarmos guiar por Ele, sabendo para onde nos conduzia e como nos conduzia, preferimos ser como a palha levada pelo vento sem saber como nem para onde.
E quando já era bastante não darmos atenção, olharmos para o lado, decidimos contestar até as ofertas e o que elas significavam. Assim, quando João Baptista pregou o arrependimento e a penitência contestámos a sua dureza, a radicalidade das suas palavras e a extravagância do seu agir no deserto. Como Herodes gostávamos de o ouvir mas nada dele nos fez alterar um passo no nosso caminho.
Quando Jesus nos mostrou a benevolência de Deus, a intimidade a que éramos convidados, o amor que Deus nutre por nós, achámos que era demasiado bom para ser verdade, e quando o vimos estirado sobre a cruz gritámos que tinha ido longe de mais, não era necessário tanto, tinha exagerado em tanto amor e nós não podíamos pactuar com tanto.
E contudo, não deixámos nem deixamos de pedir que Deus se nos revele, que nos fale, que nos mostre o seu poder, que intervenha no mundo e na nossa vida para alterar o rumo das coisas. Continuamos a pedir caminhos quando eles já foram traçados e até em várias vias para que não nos pudéssemos escusar a seguir alguma.
A cada palavra nossa, a cada pedido de uma explicação de Deus, de uma palavra sua para consentirmos alterar a nossa vida, as nossas acções, Deus responde-nos com Jesus, indica-nos que o Filho foi a sua Palavra definitiva, que a verdadeira e única Sabedoria se fez caminho, verdade e vida em Jesus e que as suas obras dão testemunho disso.
Não podemos pedir mais, a resposta está dada e definitivamente.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Sou Eu, o Senhor teu Deus, que te seguro pela mão… (Is 41,13)

Como poderei Senhor temer alguma coisa depois de escutar estas palavras tuas na boca do Profeta Isaías? Como poderei ainda ter medo, duvidar que não estejas comigo e me acompanhas e proteges? Como é possível Senhor…?
Não é um estranho que está comigo, não é alguém distante, não é sequer um deus que me priva da minha liberdade, é o Senhor, aquele que é e sempre será, o que pode dizer sou Eu, Aquele que me criou e deu o ser, porque é, existe e mantém a existência.
E ainda mais que próximo, caminha comigo, estende-me a mão e segura-me para que não vacile, para que não desista, para que não me sinta só. Está comigo e segura-me a mão, para que possa também estender a mão a outros.
A sua mão na minha mão abre-me ao dom e à oferta, não me encerra mas dispõe-me para a entrega. A sua mão na minha mão conforta-me e anima-me, suporta-me e fortalece-me.
Como é possível que alguma vez me tenha sentido só? Como foi possível sentir-me frágil e sem forças, talvez perdido…, se a tua mão me segurava, se a tua mão me encaminhava e guiava.
Senhor meu Deus perdoa-me as vezes que te larguei de mão, que me esqueci de ti, que me esqueci que me levavas como um pai leva o filho pela mão, seguro, cuidado, protegido, amado. Senhor nunca me largues de mão, segura-me forte.