quarta-feira, 4 de maio de 2011

Deus amou o mundo (Jo 3,16)

As palavras de Jesus “Deus amou de tal modo o mundo que entregou o seu Filho” são uma afirmação de tal modo significativa que não podem nunca deixar de estar no nosso horizonte existencial e de fé.
É uma afirmação que evidencia o amor de Deus, um amor que se manifesta na criação, que se manifesta na história da salvação, na relação que estabeleceu com os homens e como cada homem em particular, e que se manifesta de modo muito particular e evidente nessa entrega do Filho.
O amor de Deus precede-nos, acompanha-nos e perfila-se no nosso horizonte, no nosso fim. O amor de Deus existe em cada momento da nossa vida, no sonho de Deus para cada um de nós e na eternidade que nos está prometida.
E por isso mesmo, na dor, no sofrimento, nos momentos de angústia, na morte não podemos colocar em causa o amor de Deus, como se estivesse ausente ou nos tivesse sido subtraído. Ainda aí, e apesar da aparente contradição, Deus continua presente e continua a amar-nos e a sustentar-nos na nossa debilidade, nas forças que nos faltam mas que ainda existem porque o amor de Deus as sustém na imperceptibilidade da sua existência.
E este sentido do amor e da presença de Deus torna-se ainda mais premente e desafiante na medida em que temos presente que nos entregou o seu Filho Unigénito para que o homem não pereça, ou seja, não se sinta condenado a um fim e a uma inexistência eterna.
Não foi por mero capricho sádico ou masoquista que o Pai entregou o Filho, e que o Filho aceitou na obediência esse projecto do Pai. Não foi para satisfação própria, mas para garantir a todos os homens e a cada um em particular essa plenitude de vida que deriva dessa oferta, para restabelecer a relação que tinha sido quebrada por vontade deliberada do homem de não reconhecer o seu criador, de se querer fazer senhor de si mesmo.
E contudo o homem pode ser senhor de si mesmo, pode ser esse deus que no primeiro momento procurou ser, bastando-lhe para tal aceitar o amor desse Deus contra o qual se rebelou e posicionar-se de uma forma crente face àquele que se manifestou como Filho de Deus e como oferta inequívoca, como dom, do amor de Deus. Tudo se joga afinal neste posicionamento, neste reconhecimento do Filho de Deus, do seu nome e da sua missão, na aceitação do dom do amor.
É nesta liberdade e vontade, que aceita a oferta de Deus e a reconhece presente e total no dom amoroso do Filho, que o homem se pode encontrar com a luz da sua natureza divina, princípio e fim da sua vida.

1 comentário:

  1. Frei José Carlos,

    Leio e fico a reflectir em cada uma das frases do texto da Meditação “Deus amou o mundo” (Jo 3,16) que partilha connosco. Como nos salienta ...”O amor de Deus existe em cada momento da nossa vida, no sonho de Deus para cada um de nós e na eternidade que nos está prometida.
    E por isso mesmo, na dor, no sofrimento, nos momentos de angústia, na morte não podemos colocar em causa o amor de Deus, como se estivesse ausente ou nos tivesse sido subtraído. Ainda aí, e apesar da aparente contradição, Deus continua presente e continua a amar-nos e a sustentar-nos na nossa debilidade, nas forças que nos faltam mas que ainda existem porque o amor de Deus as sustém na imperceptibilidade da sua existência.”…
    Que importante e que reconfortante ler o que escreveu e que acabei de transcrever. Quão difícil no nosso quotidiano ter a fé e a força para não hesitar, para não duvidar.
    Porém, o Frei José Carlos vai mais além quando nos recorda que … “o Pai entregou o Filho, e que o Filho aceitou na obediência esse projecto do Pai. Não foi para satisfação própria, mas para garantir a todos os homens e a cada um em particular essa plenitude de vida que deriva dessa oferta, para restabelecer a relação que tinha sido quebrada por vontade deliberada do homem de não reconhecer o seu criador, de se querer fazer senhor de si mesmo.”
    Que o Senhor fortaleça a nossa fé e nos ilumine no nosso processo de conversão para que …”aceitemos a oferta de Deus e a reconheçamos presente e total no dom amoroso do Filho”.
    Obrigada Frei José Carlos por esta profunda, reconfortante e bela partilha. Bem haja.
    Um abraço fraterno,
    Maria José Silva

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