sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

E vós, por um momento, quisestes! (Jo 5,35)


João Baptista ardia como uma lâmpada e iluminava a noite do deserto. E por momentos todos quiseram alegrar-se com aquela luz que brilhava como prenúncio do dia que nascia.
Quiseram, como se lamenta Jesus, porque quando a luz brilhou com mais intensidade e exigência, a vontade e o querer esmoreceram, deixaram-se vencer pela facilidade e o conformismo, por fidelidade a uma lei que anestesiava.
Jesus fala e lamenta-se daqueles que encontraram João no deserto e chegaram a ir ali para serem baptizados pelo profeta que apelava ao arrependimento e à conversão. Mas depois, quando regressaram do deserto, apenas a constatação de que pouco ou nada tinha mudado. Por um momento apenas se tinha querido.
Esta queixa, este apelo de Jesus, vem ao nosso encontro, vem encontrar-se connosco naquela consciência de que também nós um dia, por momentos quisemos, nos alegrámos e nos entusiasmámos por fazer diferente, por dar um outro rumo à nossa vida, por nos convertermos.
E tal como aqueles homens que tinham ido ver João, também nós muitas vezes soçobrámos e soçobramos à nossa preguiça, ao comodismo, a essa inércia que nos dificulta mudar a vida, converter os nossos corações e os nossos gestos. Quisemos ou queremos, mas depois falta-nos a perseverança, a força para continuar e fortalecer esse desejo inicial de mudança.
Somos fracos, e não podemos negar essa evidência, inconstantes nos nossos desejos, que tão pouco podemos negar, mas acima de tudo somos pobres de amor, desse amor cheio de vaidade por fazermos a obra bem feita, de lutarmos até à última gota de sangue como os heróis, de ser fiéis apesar do desabamento que nos cerca e ameaça.
Face a tudo isto apenas nos resta pedir ao Senhor que não deixe extinguir em nós aquela pequenina chama que ainda permanece, aquela faúlha que na noite nos recorda que há luz, e que espera trémula que nos lancemos nela com todas as nossas escórias para sermos purificados e nos convertermos em espelhos radiantes de luz e beleza.
Vem Senhor atear o fogo do amor que nos converte e nos alicerça na fidelidade ao primeiro desejo de ser mais e melhor.



2 comentários:

  1. Frei José Carlos,

    Li com muito interesse este belo texto, que partilhou connosco que muito gostei.É duma profundidade tão grande,para a nossa Meditação.Obrigada,Frei José Carlos,por esta excelente partilha.Como nos diz no texto,que o Senhor venha atear o fogo do amor que nos converte e nos alicerça na fidelidade.Bem-haja,Frei José Carlos.Uma boa noite.
    Um abraço fraterno.
    AD

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  2. Frei José Carlos,

    Fico a reflectir no texto da Meditação que partilha connosco e tento compreender a queixa, o apelo de Jesus que como nos afirma ...” vem ao nosso encontro, vem encontrar-se connosco naquela consciência de que também nós um dia, por momentos quisemos, nos alegrámos e nos entusiasmámos por fazer diferente, por dar um outro rumo à nossa vida, por nos convertermos.
    E tal como aqueles homens que tinham ido ver João, também nós muitas vezes soçobrámos e soçobramos à nossa preguiça, ao comodismo, a essa inércia que nos dificulta mudar a vida, converter os nossos corações e os nossos gestos. Quisemos ou queremos, mas depois falta-nos a perseverança, a força para continuar e fortalecer esse desejo inicial de mudança.” …
    Na realidade, Frei José Carlos, a “força interior é muito importante para continuar e fortalecer esse desejo de mudança” mas não é suficiente. As circunstâncias que nos rodeiam, a luta pela vida, as engrenagens pessoais ou profissionais em que nos deixámos enredar, desempenham um papel importante, na procura da mudança desejada. Criámos um modo de vida em que temos de lutar diariamente para dar e manter uma relação de qualidade com Jesus. Temos que sentir que vamos transformando no dia a dia, a nossa relação com os outros, na qual o comportamento, a compreensão, o amor, o respeito, a aceitação, o perdão, etc, são reveladoras de um processo de modificação. É necessário disponibilidade interior, de coração, tempo de oração e tempo para aprender a Palavra de Deus. Encontrar quem nos encaminhe. Saber tornar simples um processo que se vai desenrolando ao longo do caminho que vamos fazendo. O importante é que a chama que vive em nós, o Sopro que o alimenta se mantenha e cresça. Um minuto de silêncio ao final do dia pode fazer-nos reavivar essa chama ténue.
    Façamos nossas as palavras de Frei José Carlos e peçamos “ao Senhor que não deixe extinguir em nós aquela pequenina chama que ainda permanece, aquela faúlha que na noite nos recorda que há luz, e que espera trémula que nos lancemos nela com todas as nossas escórias para sermos purificados e nos convertermos em espelhos radiantes de luz e beleza.”
    Obrigada, Frei José Carlos, por esta profunda Meditação que nos ajuda nas nossas reflexões. Bem-haja.
    Votos de um bom fim-de-semana.
    Um abraço fraterno,
    Maria José Silva

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