quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Veio uma enorme multidão até junto de Jesus (Mc 4,1)

A novidade atrai sempre a atenção das pessoas e sabemos por experiência própria como nos deixamos encantar por alguma coisa que desconhecíamos, de que não fazíamos ideia.
Jesus foi também uma novidade para os homens e mulheres do seu tempo, para aqueles que no marasmo do quotidiano se encontraram com alguém que era diferente, que não só falava com autoridade mas agia também com autoridade e poder.
Por esta razão o encontramos muitas vezes e em diversas circunstâncias apertado pela multidão que o procura, que lhe quer tocar, que quer ser curada, uma multidão frequentemente atraída por uma exterioridade que não conduz ao verdadeiro encontro mas ao desencontro.
Num desses momentos de aperto Jesus é mesmo obrigado a subir para uma barca e desde aí a falar à multidão. Face a tão numerosa assembleia nada era mais necessário que falar de sementeira, que falar de um semeador que sai a semear e encontra vários tipos de terrenos que produzem diversos tipos de resultados.
Também nós nos aproximamos de Jesus, e muitas vezes como aquela multidão deixamo-nos subjugar às manifestações exteriores, ficamos pela superficialidade do encontro, não arriscando um encontro em que nos temos que confrontar com o terreno que somos, a semente que Deus lança e nós e os frutos que estamos a produzir.
É sempre mais fácil seguir a multidão, deixar-se levar pela massa que não nos compromete profundamente e muitas vezes nos desresponsabiliza, embora Jesus nos convide sempre à intimidade e a uma encontro pessoal, a uma conversa que passa por perguntar “onde moras” e uma resposta que se resume a “vem ver”.
Hoje parece que a novidade de Jesus se diluiu, que já não tem nada de novo para nos dizer, ou já nem lhe encontramos autoridade que nos surpreenda e portanto nos faça procurá-lo. Face a tal realidade necessitamos sair da massa, abandonar os esquemas da multidão, o exterior, e avançar para um encontro pessoal, um encontro que na noite da vida nos pode conduzir à luz e a um novo nascimento, como aconteceu com Nicodemos.
Mostra-nos Senhor onde moras, o aposento do teu repouso, para aí te buscarmos e nos encontrarmos no sossego da intimidade contigo.
 
Ilustração: “Ave Maria bei der Uberfahrt”, de Giovanni Segantini, Suíça.

1 comentário:

  1. Frei José Carlos,

    Grata pelas palavras de desafio, de incentivo, de convite que nos deixa ao recordar-nos que ...” necessitamos sair da massa, abandonar os esquemas da multidão, o exterior, e avançar para um encontro pessoal, um encontro que na noite da vida nos pode conduzir à luz e a um novo nascimento, como aconteceu com Nicodemos.”
    Convite que pressupõe de cada um de nós, o desejo, a busca de Jesus, de saber o que estamos procurando, de aprofundamento da nossa relação com Jesus, de outro estilo de vida, da confiança na Palavra de Jesus, para enfrentar os desafios que se nos apresentam.
    Tenhamos a humildade e a coragem para continuar a busca permanente do Senhor, para ...”nos encontrarmos no sossego da intimidade com Ele”, para aceitarmos o convite de Jesus que se dirige também a todos nós “Vinde ver”.
    Que o Senhor o ilumine, o guarde e abençoe.
    Continuação de um bom dia.
    Um abraço fraterno,
    Maria José Silva

    P.S. Permita-me, Frei José Carlos, que partilhe de novo um poema de Frei José Augusto Mourão, OP

    o ouvido à escuta

    que no limiar desta hora/a tua palavra intime/o nosso ouvido à escuta e ao perdão,/
    Deus de que o vestígio mais próximo/é a tua Palavra que tocámos,/Jesus Cristo,
    nossa mudança e nossa passagem//

    que o anjo da tua caridade,/não o da catástrofe,/nos guarde nos dias e nos trabalhos/
    que recomeçam,//

    nós to pedimos em Jesus Cristo/
    e no Espírito iluminador


    (In, “O nome e a Forma”, Pedra Angular, 2009)

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